Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da operação sobre Banco Master

BANQUEIRO ESTÁ NA SUPERINTENDÊNCIA DA PF EM SP. INVESTIGAÇÃO APONTA ESQUEMA BILIONÁRIO DE FRAUDES FINANCEIRAS ENVOLVENDO A VENDA DE TÍTULOS DE CRÉDITO FALSOS

 

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão, mas ainda não foi localizado pelos agentes. Durante as investigações foi descoberto no celular do Vorcaro, um plano para dar uma surra no colunista Lauro Jardim, de O Globo. Era para simular um assalto, dar uma surra e quebrar os dentes dele. O “serviço” seria feito por um policial civil aposentado e outros que trabalham para o Vorcaro.

Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não se manifestou. A defesa de Zettel informou que ele está em São Paulo e vai se apresentar.

A prisão de Vorcaro em sua casa, no Jardim Europa, aconteceu na terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado.

Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. Para a PF, não havia dúvidas de que ele iria fugir do país.

Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.

Além de Vorcaro e Zettel, também há outros dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

CPI

Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta à CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o dono do Banco Master já havia sinalizado que iria comparecer apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O ministro André Mendonça tinha decidido na terça-feira (3) que a ida dele à CPI seria facultativa.

Do G1