Como os mercados devem abrir nesta segunda-feira após ataque dos EUA e Israel ao Irã?

Após o lançamento, por Estados Unidos e Israel, neste sábado (28), de uma ampla ofensiva aérea contra o Irã, o risco de um conflito regional de grandes proporções aumentou exponencialmente. No ataque, os EUA mataram o aiatolá Ali Khamenei, além de diversas outras autoridades, o que pode fazer com que o conflito escale nos próximos dias.

Para os mercados globais, o principal impacto, em uma primeira análise, é nos preços dos contratos de petróleo, com o contrato futuro do brent mais negociado abrindo com salto de cerca de 10% e batendo os US$ 80 o barril na noite de domingo (1). Analistas esperam que as primeiras negociações de dólar e outras moedas na Ásia também já reflitam a volatilidade que poderá marcar a sessão desta segunda-feira (2).

Após o lançamento, por Estados Unidos e Israel, neste sábado (28), de uma ampla ofensiva aérea contra o Irã, o risco de um conflito regional de grandes proporções aumentou exponencialmente. No ataque, os EUA mataram o aiatolá Ali Khamenei, além de diversas outras autoridades, o que pode fazer com que o conflito escale nos próximos dias.

Para os mercados globais, o principal impacto, em uma primeira análise, é nos preços dos contratos de petróleo, com o contrato futuro do brent mais negociado abrindo com salto de cerca de 10% e batendo os US$ 80 o barril na noite de domingo (1). Analistas esperam que as primeiras negociações de dólar e outras moedas na Ásia também já reflitam a volatilidade que poderá marcar a sessão desta segunda-feira (2).

A maioria dos proprietários de petroleiros, grandes petrolíferas e tradings suspendeu os embarques de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito através do Estreito de Ormuz, segundo fontes comerciais, depois que Teerã alertou navios contra a passagem pela hidrovia.

Mais de 20% do petróleo global é transportado pelo Estreito de Ormuz. Segundo especialistas, o fechamento da passagem poderia levar a um choque de abastecimento semelhante ao observado na década de 1970. A situação foi relatada, inclusive, pela Rússia neste domingo (1º).

“Foi relatado que a navegação foi interrompida no Estreito de Ormuz. Isso pode levar ao bloqueio de exportações de hidrocarbonetos na região e criar um desequilíbrio significativo nos mercados globais de petróleo e gás”, diz a chancelaria russa em nota sobre a situação no Irã.

O fechamento assusta os mercados globais não apenas pela perda dos barris iranianos, mas pela possibilidade de uma disrupção mais ampla do transporte marítimo pelo estreito.

“A expectativa é de alta de US$ 5 a US$ 10 no primeiro dia, podendo levar o Brent a US$ 80-90 rapidamente. Se o Irã conseguir perturbar Ormuz de forma sustentada (mesmo que parcial), o cenário de petróleo acima de US$ 100 não está descartado”, diz Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital.

O analista lembra que já foram vistos picos semelhantes em 2019 (+15% em poucos dias). “Isso injeta um prêmio de risco geopolítico forte e alimenta a inflação global de energia”, complementa.

grupo de produtores de petróleo Opep+ concordou neste domingo em aumentar a produção em 206 mil barris por dia (bpd) a partir de abril, um incremento modesto que representa menos de 0,2% da demanda global.

“A decisão do grupo, caso se concretize esse aumento superior a 200 mil barris por dia, vem como forma de buscar reduzir os possíveis impactos causados por uma redução dos fluxos ali pelo Estreito de Ormuz. Isso pode ser um fator que inclusive resulte em um aumento do escoamento de petróleo pela Rússia”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de mercado da StoneX.

MERCADO INTERNACIONAL

Segundo John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA na Natixis, a postura dos investidores será de “porto seguro primeiro, perguntas depois”. “A escala dos ataques e da retaliação iraniana é maior do que o mercado esperava”, afirmou. Ele projeta que os Treasuries tendem a estender o movimento de sexta-feira, quando os yields de curto prazo recuaram para os menores níveis desde 2022.

Para Frank Monkam, da Buffalo Bayou Commodities, o ataque ao Irã pode funcionar como um “catalisador quase perfeito” para uma correção em um mercado acionário já frágil, e vê a volatilidade em alta no curto prazo.

Apesar disso, ele lembra que choques geopolíticos tendem a gerar quedas pontuais, e não necessariamente mercados de baixa duradouros. A questão central, diz, será o impacto de um possível choque de petróleo em uma economia que já mostra sinais de “quase estagflação”.

Em termos práticos, a expectativa é de abertura negativa nos mercados, com alguns sinais já sentidos na noite de domingo, com os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq em queda de cerca de 1%. Gabriel Uarian projetava queda de 1% a 2% no S&P 500, assim como no EuroStoxx e no Nikkei. Entre os setores que mais devem recuar estão tecnologia, consumo discricionário e cíclicos, ao contrário de papéis de defesa, que tendem a se beneficiar do cenário de incerteza. Nesse contexto, há expectativa de salto do VIX — o chamado “índice do medo” — para patamares acima de 25-30.

IBOVESPA

No Brasil, o Ibovespa pode recuar entre 1,5% e 3% nesta segunda-feira, na visão de Gabriel Uarian. O índice brasileiro tem entre 12% e 14% da sua composição em ações da Petrobras (PETR3PETR4), que seria um dos papéis mais afetados pelo esperado avanço dos preços do petróleo.

Entre os papéis que poderiam sofrer mais, além da própria Petrobras, estão PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Vibra (VBBR3). Os setores mais atingidos tendem a ser bancos, varejo, construção civil e empresas importadoras de insumos, como papel e química. Já no polo positivo, a expectativa é que ações de defesa ou ligadas à exportação de commodities agrícolas consigam performar de forma neutra ou até mesmo levemente positiva.

Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, aponta que, para os ativos brasileiros, o impacto deve ser misto. Empresas ligadas a petróleo e mineração podem se beneficiar desse novo patamar de preços das commodities, repetindo parte do comportamento recente do Ibovespa. “Nos últimos pregões, Petrobras e Vale [VALE3] já haviam puxado o índice para cima justamente pela antecipação dessa tensão. Esse canal positivo pode voltar a aparecer com intensidade se o barril continuar escalando”, avalia.

DÓLAR

Para Uarian, a expectativa para o dólar é de R$ 5,25 a R$ 5,40 na abertura, contra os R$ 5,15 do fechamento de sexta-feira. A alta seria motivada pela valorização da moeda americana no exterior somada à saída de fluxo de portfólio de mercados emergentes.

“Se passar de R$ 5,40, o BC pode intervir no câmbio (swap ou venda de reservas), mas não deve segurar muito no primeiro dia”, afirma.

Já o Índice Dólar (DXY) deve apresentar também forte alta, por ser o ativo de refúgio número 1 em choques geopolíticos. Como proteção, outras moedas também tendem a se fortalecer, assim como metais preciosos, como explica Will Castro, estrategista-chefe da Avenue.

“O iene e o franco suíço são as principais moedas que tendem a performar bem em cenários de aversão a risco global, assim como o ouro e outros metais preciosos”, diz.

Do Infomoney/Arte: Freepik/Infomoney