Canetas emagrecedoras: pesquisas recentes, uso consciente e segurança na saúde da mulher

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem crescido de forma expressiva nos últimos anos e passou a integrar a rotina de muitas mulheres. Esse cenário reforça a necessidade de informação clara, responsável e baseada em evidências científicas sobre segurança, indicações, possíveis efeitos adversos e cuidados ao longo das diferentes fases da vida feminina. “Mais do que uma questão estética, trata-se de um tema que envolve saúde metabólica, planejamento reprodutivo e avaliação médica adequada”, afirma a ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira.

PESQUISAS RECENTES E SEGURANÇA DO USO

Estudos divulgados recentemente avaliaram possíveis associações entre o uso dessas medicações e eventos como pancreatite e doenças da vesícula biliar, especialmente em contextos de perda de peso rápida. Até o momento, os dados disponíveis na literatura científica não indicam riscos adicionais além daqueles já descritos em bula e nos estudos que embasaram a aprovação regulatória desses medicamentos. Ainda assim, a avaliação médica individualizada e o seguimento clínico adequado permanecem fundamentais, sobretudo em mulheres com histórico de doenças metabólicas ou gastrointestinais.

Segundo a Dra. Elis Nogueira, o uso dessas medicações requer indicação criteriosa. “São medicamentos que atuam no metabolismo, no apetite e no peso corporal, podendo interferir em diferentes sistemas do organismo. Por isso, a avaliação médica é essencial, especialmente em mulheres em idade reprodutiva”, explica.

Informação é parte do cuidado

Alguns pontos merecem atenção especial:

  • O uso de medicamentos sem prescrição ou orientação médica pode trazer riscos à saúde.
  • Mudanças rápidas de peso podem interferir no ciclo menstrual, na fertilidade e no equilíbrio hormonal.
  • Alterações metabólicas podem influenciar a eficácia de métodos contraceptivos.
    • Produtos divulgados sem registro sanitário ou com promessas irreais representam risco real à saúde.

GRAVIDEZ E PÓS-PARTO

“Quando há planejamento de gravidez ou quando a gestação ocorre durante o uso dessas medicações, a orientação é suspender o medicamento e informar o obstetra, o quanto antes, garantindo o seguimento clínico adequado”, esclarece a ginecologista e obstetra. Durante a gestação, não há evidências científicas suficientes que comprovem a segurança do uso dessas medicações, e a perda de peso não é um objetivo de uma gestação saudável. “O foco deve estar no ganho de peso adequado, na alimentação equilibrada e no bem-estar físico e emocional da mulher, sempre com acompanhamento pré-natal regular”, orienta a Dra. Elis Nogueira.

No pós-parto e durante a amamentação, o organismo feminino passa por intensas adaptações hormonais e metabólicas. Trata-se de um período que exige cautela, paciência e respeito ao tempo de recuperação física e emocional da mulher. A eventual reintrodução de medicamentos deve ser avaliada caso a caso, considerando riscos, benefícios e o contexto clínico individual.

“Escolhas baseadas em ciência, informação confiável e avaliação médica adequada são fundamentais para a segurança e o cuidado com a saúde”, conclui a Dra. Elis Nogueira.

Dra. Elis Nogueira

Ginecologista e Obstetra

CRM-SP 98.344 | RQE 57.179

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela AMB/FEBRASGO

Título em Advanced Life Support in Obstetrics

Membro da SOGESP e FEBRASGO

Nota ética:

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, não substitui a consulta médica, não promove medicamentos, marcas ou tratamentos específicos e está em conformidade com as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), da ANVISA e das entidades médicas competentes.

Texto: Telma Castello/Foto: Divulgação