O Brasil se despede de um nome que ajudou a escrever capítulos importantes do Carnaval carioca. Morreu aos 55anos o sambista paraense Meio-Dia da Imperatriz, único representante do Pará a conquistar três títulos na Marquês de Sapucaí.
Radicado por décadas no Rio de Janeiro, ele construiu sua trajetória na tradicional escola de samba Imperatriz Leopoldinense, uma das mais respeitadas do Grupo Especial.
Uma história que cruzou estados
Natural de Belém, Meio-Dia iniciou sua vida artística nas manifestações culturais da Amazônia urbana, onde o samba se mistura a influências afro-amazônicas. Ainda jovem, destacou-se como ritmista disciplinado e apaixonado pelo carnaval.
Nos anos 1980, decidiu buscar novos horizontes no Rio de Janeiro. Lá, encontrou na Imperatriz Leopoldinense o espaço ideal para mostrar talento e dedicação. Participou de desfiles históricos que levaram a escola ao topo do Carnaval carioca, tornando-se parte de uma geração vitoriosa.
Seu perfil era de liderança silenciosa: pouco afeito a holofotes, mas profundamente respeitado nos bastidores da bateria. Era conhecido pela técnica precisa, pelo ouvido apurado e pelo compromisso com o coletivo — características que o transformaram em referência entre ritmistas.
Mais que títulos
Para além dos troféus, Meio-Dia representava a presença amazônica no maior espetáculo cultural do Brasil. Sua história simboliza a mobilidade cultural brasileira — artistas que saem das periferias regionais e alcançam reconhecimento nacional.
Nos últimos anos, mantinha rotina discreta em Belém, onde acompanhava os desfiles e incentivava jovens sambistas.
Com sua partida, o Carnaval brasileiro perde um elo entre Norte e Sudeste. Mas sua batida permanece ecoando na memória da Sapucaí.
Do Jornal PASSAPORTE/Foto: Reprodução
