Tradição e consciência ambiental reforçam simbolismo do ‘Pretinhos do Mangue’, em Curuçá

O Bloco Ecológico Pretinhos do Mangue voltou a tomar as ruas de Curuçá, município do nordeste paraense. Pela 37ª vez, o bloco reafirma sua força como uma das manifestações culturais mais simbólicas da região, unindo alegria, tradição e consciência ambiental em plena folia carnavalesca. Com o tema “Do mangue e da maré, nasce a força da mulher”, a programação do bloco começou no domingo (15), celebrando o protagonismo feminino e a conexão profunda entre o povo curuçaense e os ecossistemas que moldam sua identidade.

Entre cores, ritmos e mensagens de preservação, o cortejo transformou as ruas em um espetáculo de resistência cultural e respeito à natureza. A abertura contou com a presença do governador do Pará reforçando a importância do evento no calendário cultural do Estado.

“Pretinhos do Mangue faz parte da história do Pará; faz parte do calendário cultural. O Brasil inteiro tem a curiosidade de conhecer, e nós temos que valorizar essa história de Curuçá, que representa a relação direta da cidade com o mangue, o meio ambiente. Parabéns a Curuçá e a todos os paraenses que festejam esse momento incrível aqui na cidade”, destacou Helder Barbalho, que entrou no clima e na “fantasia” da festa.

DO PROTESTO À FOLIA

A tradição é marcada pelo uso do tijuco, lama típica dos manguezais, que os brincantes passam no corpo, transformando a folia em símbolo cultural e ambiental. Ao som de carimbó, a folia atraiu uma multidão, entre moradores e turistas. Mais do que festa, o bloco carrega uma mensagem de preservação dos ecossistemas costeiros, fundamentais para a subsistência de comunidades locais.

“Nós estamos valorizando a nossa cultura, a cultura paraense. Eu acho linda essa tradição. Sempre dá muita gente. Você consegue ver que é gigantesca a movimentação de pessoas. Isso movimenta a economia local e traz renda para todo mundo”, disse o universitário Eduardo Tenório.

O Bloco Pretinhos do Mangue surgiu após moradores da região perceberem a escassez de caranguejos nos manguezais. Em forma de protesto, a população decidiu desfilar coberta de tijuco, chamando atenção para a degradação ambiental e criando uma das tradições mais simbólicas do carnaval paraense, onde a alegria caminha lado a lado com a defesa da natureza.

PIONEIRO

O pescador Manoel Carlos da Silva, um dos primeiros brincantes, disse que tem orgulho em ver a iniciativa tornar Curuçá um dos principais destinos carnavalescos do Pará.

Para ele, o bloco “é uma coisa boa, que todo mundo gosta. Eu jamais imaginei que o nosso mangue se tornaria algo tão importante. Todo mundo vem, participa, moradores locais ou turistas. É gratificante. Viva o Pretinhos do Mangue”.

Da Agência Pará