A Vale (VALE3) reportou seus resultados do 4º trimestre de 2025 (4T25) nesta quinta-feira (12), após o fechamento do mercado. A mineradora teve prejuízo de forma líquida (atribuível aos acionistas) US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, por baixas contábeis. Um ano antes, o prejuízo havia sido de US$ 694 milhões.
Na modalidade proforma, que exclui os efeitos relacionados a Brumadinho e à descaracterização de barragens, e itens não recorrentes, o lucro líquido teria sido de US$ 1,4 bilhão.
A projeção de analistas ouvidos pela LSEG era de lucro de US$ 2,457 bilhões.
Segundo a empresa, o trimestre sofreu principalmente com impacto de “impairments” de US$3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, diante de uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel, além de uma baixa de US$2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias.
O resultado operacional refletiu ainda provisões adicionais relacionadas à Samarco e menores ganhos com ativos não recorrentes.
No ano de 2025, lucro da mineradora foi de R$ 13,8 bilhões. Como observado nos dados de produção da mineradora, a Vale apresentou forte desempenho operacional e de custos em todos os segmentos de negócio. Os guidances para 2025 foram atingidos na totalidade, como traz a companhia em seu relatório sobre os resultados.
No balanço, a linha final foi impactada por US$ 7,6 bilhões em custos e despesas totais, excluindo despesas relacionadas a Brumadinho e itens não recorrentes.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo. A companhia fortaleceu seu compromisso com a segurança, com reduções significativas em incidentes de alto potencial, além de alcançar um marco importante em nossa jornada de segurança, sem nenhuma barragem em nível 3 de emergência”, disse Gustavo Pimenta, CEO da companhia, em comunicado.
Ebitda beneficiado por maiores volumes de venda
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em US$ 4,5 bilhões. Na modalidade proforma, o Ebitda ficaria em US$ 4,8 bilhões, com margem Ebitda proforma de 44%.
O uso do Ebitda proforma é justificado pela ausência de recorrências como pagamentos realizado, embora o Ebitda ajustado seja utilizado para cálculo de dividendos. Conforme explica a Vale, o cálculo do Ebitda proforma é composta pelo Ebitda ajustado, excluindo os efeitos relacionados a Brumadinho e à descaracterização de barragens, e itens não recorrentes.
A receita líquida da mineradora foi de US$ 11 bilhões, com alta de 9% no ano e de 6% na comparação trimestral.
Apesar do prejuízo, o Ebitda ajustado foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais, segundo o relatório da companhia.
A dívida líquida expandida diminuiu 5% na comparação anual, em US$ 15,5 bilhões, queda de US$ 1 bilhão na comparação trimestral. O target da dívida líquida expandida segue entre US$ 10 a 20 bilhões. Quanto mais perto a dívida líquida fica da parte superior da meta, menor a possibilidade de dividendos extraordinários. Perto ou superior a US$ 15 bilhões, como é o caso, já pode ser descartado o dividendo extraordinário.
A geração de Fluxo de Caixa Livre Recorrente chegou a US$ 1,6 bilhão no 3T25, alta de 107% na comparação com o mesmo período de 2024. O crescimento foi resultado tanto de desempenho mais forte do Ebitda proforma quanto de menores despesas líquidas, de acordo com o comunicado que divulgou os resultados. O capex ficou em US$ 2 bilhões.
O capital de giro positivo no trimestre foi influenciado pela entrada de caixa das vendas de minério de ferro do 3T25 e menores volumes de minério de ferro acumulados ao final do trimestre, segundo a Vale.
Entre os destaques operacionais, as vendas no 4T25 de minério de ferro, cobre e níquel aumentaram 5% (+4 Mt), 8% (+8 kt) e 5% (+3 kt) em relação ao ano anterior, respectivamente. A Vale citou o preço médio realizado de finos de minério que cresceu 3% na comparação anual, atingindo US$ 95,4/tonelada. Já o preço realizado para o cobre cresceu 20% ano contra ano e 12% na comparação trimestral, enquanto os custos all-in de cobre totalizaram US$ -881/tonelada no trimestre.
“Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel. Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento, como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma”, afirmou o CEO.
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