MUNICÍPIO COM ALTO INDICE DE PESSOAS DE IDADE AVANÇADA E TERRA DA PRIMEIRA LEVA DE IMIGRANTES JAPONESES NO AMAZONAS
“Eu tomo um copo de guaraná todos os dias”, exclama Sumiko Koide, com 90 anos, sobre o segredo da sua saúde. Ela conversa, ouve e interage, sempre sorridente. Sumiko é da segunda geração de japoneses e nasceu em Maués (AM). Seu pai, Ichiro Koide, era natural da província de Miyagi (região nordeste do Japão) e imigrou ao Brasil aos 18 anos, acompanhando o seu primo. Os pais da Sumiko tiveram sete filhos. A família cultivou juta, castanha, guaraná, entre outros, tudo em Maués. A Sumiko também é de familia numerosa pois teve dez filhos e conta hoje com 25 bisnetos. Além de tomar um copo de guaraná puro misturado na água todos os dias, ela também cuida de sua horta onde produz pepino, cebolinha e maxixe que vão para mesa da casa. E mais, caminha até uma pequena venda e não come frituras nem gorduras. Revelou ela e os familiares, sobre os segredos da sua longevidade e com saúde.

Simão Kuriyama é filho de um dos precursores de máquina para facilitar/utilizar na fabricação do guaraná. “Meu pai desenhou a máquina para usar na produção de guaraná e foi entregue ao Dr. Oishi que levou para São Paulo, encomendou e trouxe pronto para Maués” explica Simão. Ele nasceu em Maués e hoje soma seus 83 anos. Seu pai, Yaichi, era japonês natural da província de Shizuoka (Japão) e teve seis filhos. Simão também tem seis filhos, 12 netos e uma bisneta. Segundo relatos, Dr. Oishi era médico que cuidava dos moradores da comunidade, inclusive nipo-brasileira e andava pelas ruas com o seu jaleco e sem parentes em Maués, faleceu na década de 80 e foi sepultado no mesmo município.
Outra descendente nipônica, Elizabeth Yamane, filha de Massao Yamane e neta de Buichi Yamane, explica: “meu avô Buichi foi um dos pionerios do grupo denominado “ Amazon Kudari” ou “Peru Kudari” – os imigrantes japoneses que chegaram à Amazônia atravessando o Peru”. O japonês Buichi, nascido em Hiroshima, em 1890, após chegar no Peru, partiu daquele país em 1909 chegando à terra amazônica de Porto Velho (RO), em 1912. A família Yamane trabalhou primeiramente nas plantações de verduras e posteriromente começou a cultivar guaraná, em Maués. “Também tínhamos o barco Yamane para passageiros, que trabalhou por cerca de 15 anos, onde inclusive meu pai Massao tambén fez parte da tripulação. Ele faleceu aos 85 anos”, complementa Elizabeth. Massao teve sete filhos e 17 netos.

Yoshiharu Imori, 86 anos. Japonês nascido na província de Nagasaki, sul do Japão, chegou em Maués em dezembro de 1964 e nunca mais saiu da cidade. Trabalhou no comércio/exportação do guaraná, inclusive foi precursor na abertura do comércio exterior do guaraná ao Japão. Sua família também é numerosa, pois são 11 filhos. A sua filha, Mie Iimori foi eleita Miss Nikkey Amazonas, título inédito para Maués e representará no certame nacional em São Paulo, em julho deste ano.

Nobumi Sakiyama, hoje com 88 anos, estava trabalhando em sua oficina mecânica quando recebeu a comitiva da reportagem. Nascido em Maués, partiu daquela cidade na década de 50 rumo à São Paulo. Lá trabalhou em uma empresa japonesa e concluiu os estudos em Engenharia Mecânica, retornando à terra natal na década de 80. Tem quatro filhos. Assim como seu pai Shisai Sakiyama, foi professor da língua japonesa, sendo precursores no ensino dessa língua em Maués.
Maués, distante 267 km de Manaus e população estimada em 65 mil habitantes, é o municipio detentor do título de “Capital Nacional do Guaraná” e também é o municiipio que recebeu a primeira leva de imigrantes japoneses, em 1930.
“O pessoal do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) veio até Maués checar as idades dos beneficiados e efetuar a “prova de vida”, pois aqui o número de idosos é muuito grande. A inspeção acontreceu antes da pandemia do coronavirus”, esclarece Amilton Neo, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Maués.
Amilton é da terceira geração (Sansei) de japoneses e seu avô, Tetsuru, chegou casado em 1929 no Rio e posteriormente em 1930 em Maues – ou seja a família veio na primeira leva de imigrantes japoneses ao estado do Amazonas. A família Eno trabalhou na cultuda da juta e depois na de guaraná. “Um dos nossos maiores desafios é a localização de Maués, que fica distante dos grandes centros, dificultando e encarecendo a participação em cursos, treinamentos, eventos e a vinda de instrutores para o município. Além da falta de sede própria por ser ainda recente e isso acaba sendo um fator limitante, pois dificulta a realização de atividades”, explana Amilton sobre as atividades da Associação.
“Apesar de a Associação ser nova, tivemos uma adesão muito positiva de voluntários, o que nos deixou muito gratos e até surpresos e estamos avançando, como o acolhimento de parceiro, no curso intensivo de língua japonesa, e surgindo novos projetos”, conclui o presidente, otimista.
Texto: Rosa Kamada, jornalista/Fotos: Divulgação
