A indústria Mejer Agroflorestal, empresa que já figurou entre as maiores produtoras de dendê do Pará, enfrenta hoje uma fase crítica. Enquanto tenta reabrir suas portas, toneladas de frutos se perdem nos pátios e cerca de dois mil trabalhadores aguardam, com apreensão, uma decisão judicial que pode definir o futuro da companhia. Localizada no município de Bonito, no nordeste paraense, a Mejer foi, por décadas, símbolo de desenvolvimento econômico e parte relevante do patrimônio produtivo do campo na região.
Atualmente, a empresa vive um momento decisivo: equipamentos permanecem parados, a produção está comprometida e a indefinição jurídica mantém funcionários e comunidade em estado de incerteza. Reconhecida como importante geradora de emprego e renda, a empresa buscou amparo no Poder Judiciário diante do impasse entre a venda de seus ativos ou a retomada das atividades. Enquanto um grupo defende o encerramento definitivo, outro luta pela reabertura da produção e pela preservação de uma cadeia produtiva considerada essencial para a economia local.
Diante dos impactos sociais e econômicos, cresce a expectativa de intervenção do poder público para mediar a crise. Para a população de Bonito, a Mejer vai além de uma indústria: é um patrimônio do município, cuja reativação simboliza trabalho, dignidade e esperança para centenas de famílias.
A empresa possui cerca de 12 mil hectares de palmas produtivas, utiliza fertilizantes orgânicos e conta com duas esmagadoras, com capacidade de produção de até 300 toneladas por mês. Desde sua instalação na região, em 1999, a Mejer assumiu um compromisso social e econômico, impulsionando a agroindústria local, gerando empregos e atraindo novos investimentos.
O impasse na Justiça Federal, que solicitou o cancelamento da empresa sob suspeita de grilagem de terras públicas, pode selar o destino do projeto. Ainda assim, há uma forte expectativa de que as pendências sejam superadas e que a Mejer volte a desempenhar um papel estratégico no desenvolvimento da economia regional.
O Superintendente do Trabalho no Pará, Paulo Gaya, tem buscado uma maneira de, junto à representação sindical, tratar do problema. Paulo teme que o caso da Mejer se torne análogo ao da empresa BBF, que desestruturou a base da cadeia produtiva de dendê no Estado.
Texto de assessoria/Mejer
