*Um *urbi et orbi” diferente…

É sabido que a expressão “urbi et orbi” (do latim, “para a cidade e para o mundo”) é muito usada nos discursos de Marilena Chaui. Uma Filosofa que passei a admirar nos tempos de faculdade, principalmente a de Administração na Faculdade São Luís, em São Luís do Maranhão, onde morei por 18 anos.

Particularmente, Chauí é dona de uma  análise crítica  sobre a classe média brasileira, sua ideologia e sua cultura política no Brasil.

Marilena Chauí, Marxista de carteirinha, lançou uma forte crítica, descrita por alguns como um “urbi et orbi” contra a classe média, apontando-a como uma classe conservadora, ignorante e violenta. Certa vez disse em um Congresso que odeia a classe média brasileira, por produzir um discurso ideológico que naturaliza desigualdades e impede a formação de uma consciência crítica.

Em um dos Trabalhos que apresentei em classe, mostrei que a filósofa utiliza uma  análise para explicar como o autoritarismo se mantém, com a classe média muitas vezes apoiando estruturas de poder que a oprimem, fenômeno ligado à “servidão voluntária”.

Chauí nos ensina, em breve e pontual relato, que estuda a formação da sociedade brasileira, destacando a existência de um “mito fundador” que oscila entre uma visão “país-jardim” (sem violência) e a realidade predatória e autoritária. Dessa forma, ela nos tira de um certo ambiente, muitas vezes ilusório, nos leva a um outro mundo e, ao cabo, nos traz de volta onde o impacto social é deveras assustador.

Por alguns momentos,  sua postura contundente contra a classe média a torna um alvo de críticas, sendo por vezes descrita com ironia como uma “sacerdotisa”,  querendo a todo modo excomungar tal classe.

É certo que não é de sua autoria a frase latina, porém usa do termo desenfreadamente para descrever suas críticas contundentes à classe média e ao autoritarismo brasileiro. Isso, no entanto, tornou-se uma referência nos debates político-ideológicos na esfera nacional.

Voltei da volta ao mundo,  para continuar e viver na cidade!

Texto: Hugo Junior, da Sucursal do Jornal PASSAPORTE em Campina Grande