Uma proposta que circula nos bastidores da administração pública de Salinópolis tem gerado forte reação entre moradores, comerciantes e frequentadores do balneário. Trata-se da criação de uma Taxa de Preservação Ambiental, que pode chegar a R$ 50 por veículo de fora do município, cobrada no acesso à cidade a partir de 2026.
Embora ainda não tenha sido oficialmente apresentada como projeto de lei, a possibilidade já provoca debates acalorados nas redes sociais e em grupos ligados ao turismo e ao comércio local. O argumento que sustenta a ideia seria a necessidade de reforçar a manutenção urbana, limpeza pública e preservação ambiental, especialmente nos períodos de alta temporada, quando a população da cidade chega a multiplicar.
No entanto, críticos da proposta questionam a falta de transparência e cobram explicações sobre a aplicação dos recursos já arrecadados pelo município por meio de impostos como IPTU, ISS e transferências constitucionais. “A cidade enfrenta problemas históricos de infraestrutura, falta d’água, trânsito caótico e precariedade em serviços básicos. A população quer saber por que criar uma nova cobrança antes de resolver essas questões”, afirma um comerciante do centro, que prefere não se identificar.
Impacto no turismo e na economia local
Outro ponto sensível é o possível impacto negativo no turismo, principal motor econômico de Salinópolis. Pequenos empresários temem que a taxa funcione como um fator de desestímulo, afastando visitantes ocasionais e prejudicando pousadas familiares, vendedores ambulantes, bares e restaurantes que dependem do fluxo constante de turistas.
“Salinas sempre foi um destino popular, democrático. Se começar a cobrar para entrar, corre o risco de se tornar um espaço restrito a quem pode pagar mais”, avalia um representante do setor de serviços.
Debate sobre acesso e legalidade
Especialistas em gestão pública lembram que taxas de preservação já existem em outros municípios turísticos do país, mas ressaltam que sua implantação exige amparo legal, estudos de impacto econômico, critérios claros de cobrança e, sobretudo, participação da sociedade.
Há também o temor de que a medida contribua para uma sensação de segregação social, criando barreiras financeiras para famílias de renda mais baixa que tradicionalmente frequentam praias como Atalaia e Farol Velho.
Silêncio oficial e cobrança por esclarecimentos
Até o momento, a Prefeitura de Salinópolis não se pronunciou oficialmente sobre valores, formato da cobrança ou destinação dos recursos. A ausência de informações concretas amplia a desconfiança e reforça a cobrança por um debate público amplo, com audiências e divulgação transparente de dados.
Enquanto isso, moradores e setores organizados defendem que qualquer iniciativa nesse sentido seja amplamente discutida, para que o direito de acesso às praias — patrimônio natural do povo paraense — não seja restringido por critérios exclusivamente arrecadatórios.
O PASSAPORTE seguirá acompanhando os desdobramentos do tema e buscando posicionamento oficial das autoridades municipais.
Do Jornal PASSAPORTE com informações do Impacto Castanhal

