MENOS DE 5% DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO PARALISARAM AS ATIVIDADES, FRUSTRANDO O INÍCIO DO ANO LETIVO DE 2026 PARA ALGUNS ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DA CAPITAL PARAENSE. A SEMEC VAI PROVIDENCIAR A REPOSIÇÃO DOS PROFESSORES QUE ADERIRAM AO MOVIMENTO E ALUNOS NÃO SERÃO PREJUDICADOS
A expectativa de iniciar o ano letivo foi frustrada para o pequeno Saulo Henrique Marques, de 6 anos. Matriculado no 1º ano do ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Josino Viana, no bairro da Pedreira, o aluno e a família aguardavam com ansiedade o começo das aulas, marcado pelo início do processo de alfabetização. No entanto, o que deveria ser um momento de alegria acabou se transformando em frustração.
No dia 2 de fevereiro, data prevista para o primeiro dia de aula, a mãe de Saulo, a técnica de enfermagem Karina Marques, de 35 anos, levou o filho até a escola, mas foi surpreendida com a suspensão das atividades em razão da paralisação parcial de professores. Sem alternativa, ela precisou levar o menino para o trabalho. “O que era para ser um dia feliz já começou mal”, lamenta a moradora da Pedreira.
Segundo Karina, a paralisação de um número reduzido de professores, que afetou a escola onde o filho estuda, está comprometendo o início do ano letivo. “Meu filho ainda não teve nenhum dia de aula. Esses professores estão reivindicando questões que não têm nada a ver com as crianças. Se fosse um problema da Prefeitura de Belém, todos os professores teriam aderido. Mas muitas escolas estão funcionando normalmente, só algumas não. Enquanto uns alunos estão aprendendo, outros ficam para trás”, afirma. Diante disso, ela se diz contrária ao movimento.

A mãe relata ainda o sentimento de frustração ao ver o filho afastado do ambiente escolar. “Quem sai prejudicado é o aluno. Por que não procuram dialogar com os diretores, com o sindicato, em vez de fazer as crianças, que não têm culpa de nada, pararem de estudar?”, questiona.
A rotina da família também foi impactada. Com o filho sem aulas, Saulo permanece em casa sob os cuidados do pai, que estava em busca de emprego. “Meu marido não pode sair para entrevistas, entregar currículo, nada. Até isso a paralisação está prejudicando”, relata Karina.
A decepção é ainda maior porque a escolha da Escola Josino Viana foi feita após muita pesquisa. De acordo com a mãe, as boas referências sobre o corpo docente e a estrutura da unidade foram decisivas. “Me disseram que os professores eram maravilhosos. Visitei a escola, gostei muito da estrutura: salas confortáveis, com ar-condicionado, quadra de lazer. Aí, na hora de estudar, cadê?”, lamenta.
Paralisação de professores é menos de 5% e escolas municipais funcionam normalmente
A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia de Belém (Semec) informa que vai providenciar a reposição dos professores que aderiram ao movimento e alunos não serão prejudicados.
A Prefeitura de Belém iniciou o ano letivo de 2026, nesta segunda-feira (2), com marcos na educação municipal: aumento de 1.000% nas vagas de ensino integral, além de investimentos 50% maiores na merenda escolar. As escolas da rede municipal de ensino também funcionaram normalmente neste início de ano letivo.
A situação vivenciada por Saulo, no entanto, não reflete a realidade da maioria das escolas municipais de Belém, que iniciaram o ano letivo de forma regular. Dos 3.981 professores da rede municipal, apenas 126 faltaram, número que representa menos de 5% do total, não havendo, portanto, greve dos professores municipais.
Além disso, a gestão municipal tem registrado avanços significativos na área da educação. Até 2025, apenas duas escolas de ensino fundamental ofereciam vagas em tempo integral. Em 2026, esse número saltou para dez unidades, representando um aumento de 1.000%.
Crédito: Jader Paes

Os estudantes da rede municipal também passaram a receber uniforme completo, kit escolar com mochila, materiais e livros didáticos, ampliando o suporte às famílias no início do ano letivo.
As melhorias alcançam tanto a infraestrutura quanto o trabalho pedagógico. Para o ano letivo de 2026, foram investidos mais de R$ 40 milhões em obras de reforma e ampliação de unidades escolares.
Na educação infantil, ajustes e reorganizações elevaram o número de vagas ofertadas de 20 mil para 24 mil, um recorde na rede municipal.

Já na alimentação escolar, a Prefeitura de Belém aumentou em 50% os investimentos, garantindo o cumprimento integral das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O cardápio também passou por reformulações, com ampliação da per capita de proteína e acompanhamentos conforme a faixa etária, além da inclusão de frutas em 90% das preparações, assegurando uma alimentação mais saudável, nutritiva e balanceada em todas as unidades de ensino.
Da Agência Belém
