Ibovespa fecha dia em alta, com bancos e Vale; Petrobras cai com petróleo

Dia 2, primeira sessão de fevereiro, o mês mais curto e animado do ano, dia de Iemanjá, a Rainha do Mar, dia de abertura dos trabalhos no STF e dia de abertura do ano Legislativo. Dia, ufa, de ganhos no Ibovespa, com mais 0,79%, aos 182.793,40 pontos, uma alta de 1.429,50 pontos.

A maré de todos os santos até ajudou as ações, mas não o real, que perdeu na segunda-feira: o dólar comercial subiu 0,19%, a R$ 5,258. E os juros futuros (DIs) terminaram a sessão de forma mista, com investidores de olho nas indicações do presidente Lula às diretorias do BC.

Wall Street e Europa sobem

Uma maré que começou baixa em Wall Street, com os investidores de olho nas quedas do ouro, da prata e do Bitcoin, que persistem depois da forte liquidação de sexta-feira (30), e que se seguiu da elevada valorização dos metais. “A desdolarização está se expressando por meio do ouro, não do Bitcoin, porque o choque dominante agora é geopolítico e fiscal, e não puramente monetário”, avaliou o analista Karim Abdelmawla, da gestora suíça 21Shares. “Em ambientes assim, o capital historicamente migra primeiro para ativos com um papel de proteção já estabelecido”.

Só que a maré logo virou e os principais índices em Nova York passaram a subir até de modo confortável, para assim ficar e fechar o dia. “Acreditamos que as tendências mais amplas, em sua maioria positivas, ainda se mantêm”, disse à CNBC Tim Holland, diretor de investimentos da Orion. “O que importa agora ainda são os resultados financeiros, o cenário da política fiscal – que continua construtivo mesmo com a paralisação temporária – e a sazonalidade”.

Mas a semana ainda segura atenção aos balanços de big techs, como Amazon e Alphabet, após o azedume de Microsoft semana passada. A Disney começou a semana com números que bateram as expectativas e aliviariam o mercado, não fosse um chamado “vento contrário” que deve afetar os visitantes dos parques.

A citada “paralisação temporária” já fez pelo menos um estrago: o payroll, principal relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA, que seria divulgado esta semana, foi adiado.

Na Europa, altas também, com decisões de taxas de juros do Banco Central Europeu e do Bank Of England saindo esta semana.

Cenário doméstico

A maré parece boa e, para os supersticiosos e religiosos, tem dedo da Rainha do Mar nisso. Ou pode ser só mesmo fatores de otimismo navegando juntos. No caso do Brasil, o Boletim Focus apontou inflação abaixo de 4% em 2026 e manteve Selic em 12,25%.

Por outro lado, a indústria viu a retração se ampliar neste início de ano, segundo o PMI (índice gerente de compras, na siglas em inglês).

TRIMESTRE DOS BANCOS

O Ibovespa foi inundado de certo otimismo neste primeiro pregão do ano por conta da alta do exterior e por conta dos bancos. Três deles soltam balanços do 4T25 esta semana: Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 0,87%, com números sendo divulgados quarta-feira (4), após fechamento dos negócios; Santander (SANB11) sai antes da abertura, no mesmo dia, e ganhou hoje 1,38%; Bradesco (BBDC4) avançou 1,27%, com resultado trimestral saindo dia 5, quinta-feira, após fechamento.

Em 2026, as ações do setor financeiro no Brasil subiram junto com o mercado, beneficiado pela forte entrada de fluxo estrangeiro na Bolsa, conforme apontam os dados da B3. Na visão dos analistas do Itaú BBA, houve uma reprecificação generalizada, sem mudanças significativas nas projeções de lucros ou no cenário de juros e, embora essa tendência possa continuar, os níveis de valuation não são óbvios.

Mesmo com essa visão construtiva, o caso Master continua resultando em naufrágios para o setor: hoje, foi a vez do Fictor pedir recuperação judicial.

Um salve para Vale (VALE3) que brilhou engalanada com mais 0,59%, mas não foi um dia exatamente bom para as commoditiesespecialmente o petróleo, que despencou lá fora, após as tensões entre Irã e EUA desescalonarem. Assim, a Petrobras (PETR4) naufragou junto, com menos 1,38%.

Nem mesmo Eneva (ENEV3) conseguiu ficar com água abaixo do nariz: queda de 0,57%, apesar de analistas reiterarem a compra das ações, com empresa bem posicionada para leilão de reserva de capacidade.

Raízen (RAIZ4) afundou novamente, agora com 8,74%, após trégua no primeiro mês de 2026, que ocorreu após tombo de 62,5% em 2025, quando a ação da empresa teve performance positiva em apenas dois meses.

Maré boa teve a Lojas Renner (LREN3), com alta de 0,80%, com a XP colocando o nome entre suas favoritas no varejo.

Toda essa onda pode melhorar amanhã, ou fazer água, com a ata da reunião da semana passada do Copom, aquela que indicou explicitamente um corte da Selic em março. Os detalhes acontecem nesta terça.

E assim começa o mês mais alegre do ano: festa para Iemanjá no começo, Carnaval no final. A torcida é que os investidores terminem sambando seus ganhos na cara do pessimismo. (Fernando Augusto Lopes)

Do Infomoney/Arte: Freepik/Infomoney