Sextou! E sextou com dinheiro no bolso, já que houve realização de lucros após duas sessões de recordes na véspera e na quarta-feira. Hoje, o Ibovespa terminou com menos 0,46%, aos 164.799,98 pontos, uma baixa de 768,34 pontos. Mesmo com a queda, o índice terminou a semana com 0,88% positivos. Janeiro e 2026 seguem com ganhos confortáveis: mais 2,16%.
O real perdeu pouca coisa, com o dólar comercial subindo 0,08%, a R$ 5,373. Os DIs (juros futuros) ficaram mais uma sessão com altas por toda a curva.
IBC-Br mais forte
Não foi só por conta da realização de lucros que o Ibovespa tropeçou. Hoje, a chamada “prévia do PIB” de mais um mês foi divulgada. O IBC-Br em novembro avançou mais do que o projetado pelos analistas e mostrou robustez inesperada da economia, após dois meses de recuos. Mas essa robustez esfriou as esperanças de um corte de juros pelo BC já em janeiro.
André Valério, economista-sênior do Inter, destacou que a média móvel trimestral em novembro indicou crescimento de 0,2%, mantendo uma trajetória de aceleração pelo quarto mês consecutivo. “O indicador saiu de um recuo de 1,05% em agosto para uma alta de 0,2% em novembro”, apontou. “Esse resultado, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro”, avaliou. Para ele, o corte deve vir em março.
Acordo Mercosul e UE
Quem comemorou nesta sexta-feira foi o presidente Lula. Ele recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, em cerimônia de comemoração da assinatura oficial do acordo entre Mercosul e União Europeia. Posaram para fotos, discursaram juntos e o presidente recebeu inflamados elogios da executiva. Lula ainda disse que o Mercosul quer parcerias também com Canadá, México, Vietnã, Japão e China, contornando a imprevisibilidade dos EUA.
Acontece que é no Paraguai, amanhã, que acontece a assinatura de fato e direito. E Lula não estará lá, mandou Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Soou como um ressentimento, já que o brasileiro presidia o bloco sul-americano até dezembro e ficaria agora como coadjuvante na festa. Assim, tratou de arrumar e antecipar protagonismo.
Até porque grupo de deputados europeus quer que o Tribunal da UE aprecie o pacto, o que poderá atrasar sua entrada em vigor. Decisão do Parlamento será tomada em 21 de janeiro.
Donald Trump
Preço mesmo fazem as palavras de Donald Trump, o imprevisível presidente dos EUA. Agora, disse que pode impor tarifas para quem não seguir seu plano de anexação da Groenlândia. “Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”, disse Trump.
Segurança nacional é a desculpa dele para colocar as mãos em um território cheio de riquezas naturais e caminho marítimo mais curto para a Europa e Rússia, dado o degelo crescente do Polo Norte – afinal, vale lembrar, a Terra é redonda e não plana como os mapas-mundi, e as mudanças climáticas, que o mandatário não dá a mínima, aceleram o processo de descongelamento da região.
Enquanto isso, o presidente dos EUA enfrenta um duro fato: 58% consideram um fracasso o primeiro ano do seu novo governo (sim, foi só o primeiro ano). Economia e custo de vida lideram críticas; maioria diz que o presidente errou prioridades, às vésperas das eleições de meio de mandato, que acontecem no segundo semestre deste ano.
Nesta frente, a econômica, Trump também sinalizou que pode manter o diretor do Conselho Econômico Nacional (NEC, na sigla em inglês) da Casa Branca, Kevin Hassett, no cargo atual.
Trump disse que “talvez queira manter o diretor do NEC onde ele está”, em meio às especulações sobre uma possível indicação ao cargo de presidente do Federal Reserve. Hassett é um dos nomes considerados para substituir Jerome Powell, que deixa o cargo em maio. Além de Hassett, estão na lista os atuais diretores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, o ex-diretor Kevin Warsh e Rick Rieder, executivo da gestora BlackRock. O mistério da escolha continua.
Vale ressaltar ainda que no campo dos dados, a economia norte-americana respira: a produção industrial subiu bem em dezembro e surpreendeu o mercado.
Wall Street acabou colocando na balança “o nada” e preferiu meio que ficar onde estava. Os principais índices andaram de lado. O mesmo aconteceu com as Bolsas europeias, como se todo mundo estivesse esperando até que ponto a corda geopolítica pode ser esticada.
Bancos caem, Vale vira e Petrobras sobe
No campo das ações, foi um dia de sobrevivente para a Vale (VALE3), que vinha com queda ampla e virou no final, para terminar com mais 0,04%, máxima do dia, que viu os futuros do minério de ferro em queda. Mesmo assim, a mineradora acumula mais de 9% de ganhos só em 2026.
Os bancos também tropeçaram. Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 0,83% e Santander caiu 0,12%. O Banco do Brasil (BBAS3) oscilou muito e terminou com menos 0,42%, enquanto o Bradesco teve a mesma trajetória instável durante a sessão e acabou com mais 0,05%. B3 (B3SA3), ao menos, manteve-se firma na alta e ganhou 0,79%.
Pouca gente se salvou. Petrobras (PETR4) foi uma delas, com alta de 0,79% amparada nos ganhos dos futuros do petróleo internacional. Mas esse mesmo petróleo não foi capaz de garantir ganhos da Brava Energia (BRAV3), que desceu amplos 5,05%, em dia que anunciou a aquisição de 50% da participação atualmente detidas pela Petronas no campo Tartaruga Verde e no campo Espadarte.
As construtoras e incorporadoras seguiram divulgando prévias operacionais do 4T25, e Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3), Even (EVEN3) e Lavvi (LAVV3) trouxeram leituras mistas para o setor imobiliário, com diferenças relevantes entre empresas e segmentos de atuação. Todas terminaram hoje no vermelho, com destaque para a queda de Direcional, com 5,70%, e Cyrela, com 1,00%.
Um nome que se salvou nesta sexta foi Cogna (COGN3), que subiu 0,55%, com analistas vendo o fim dos cursos de enfermagem a distância como algo positivo.
A próxima semana é esvaziada de indicadores no Brasil. Mas nos EUA, haverá do PIB do 3T25, em informação que estava represada pela paralisação do governo no ano passado, e a inflação PCE de novembro – o PCE é o índice de preços preferido do Federal Reserve para fins de política monetária. Esta semana acabou. Quem sobreviveu, merece sextar com gosto! Bora? (Fernando Augusto Lopes)
Do Infomoney/Foto: Freepik – Infomoney
