O Brasil perdeu neste fim de semana uma de suas mais importantes vozes na defesa dos direitos humanos. Faleceu no sábado (10), aos 64 anos, Irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, conhecida nacionalmente como Irmã Henriqueta, após um grave acidente de trânsito na BR-230 (Transamazônica), no estado da Paraíba.
A religiosa viajava de Campina Grande para João Pessoa quando o veículo em que estava capotou. Ela morreu ainda no local. Outras três pessoas ficaram feridas e foram socorridas para unidades de saúde da região. As circunstâncias do acidente estão sendo apuradas pela Polícia Rodoviária Federal.
Com atuação histórica no arquipélago do Marajó, Irmã Henriqueta construiu uma trajetória marcada pelo enfrentamento direto a redes de exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas, trabalho escravo e violência contra mulheres. Seu trabalho ganhou repercussão nacional e internacional, tornando-a uma das principais referências na proteção de populações vulneráveis da Amazônia.
À frente do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luiz Azcona, ela atuou por décadas em comunidades ribeirinhas e periferias urbanas, promovendo ações de acolhimento, denúncias e fortalecimento de políticas públicas. Por conta das ameaças sofridas ao longo da missão, esteve por anos sob proteção federal.
A morte da religiosa gerou forte comoção. O Governo do Pará decretou luto oficial de três dias, e diversas instituições civis, religiosas e de defesa dos direitos humanos emitiram notas de pesar. O corpo será trasladado para Belém, onde ocorrerá o velório, e posteriormente levado para Soure, no Marajó, onde será sepultado.
Mais do que uma líder religiosa, Irmã Henriqueta deixa um legado de coragem, compromisso social e defesa incondicional da dignidade humana.
Do Jornal PASSAPORTE/Foto: Reprodução
