Os Correios atravessam, em 2025, um dos períodos mais críticos de sua história recente. A estatal, que já vinha acumulando resultados negativos ao longo dos últimos anos, deve responder por mais da metade do prejuízo total previsto para todas as estatais federais — um indicador que acendeu alertas no governo e reacendeu debates sobre o futuro da empresa.
Segundo projeções atualizadas do Ministério da Fazenda, o resultado da companhia tende a aprofundar um rombo que já se arrasta há pelo menos uma década. Nos últimos dez anos, os Correios registraram prejuízo em cinco, demonstrando dificuldade em equilibrar receitas, modernizar operações e lidar com a transformação do mercado de logística e encomendas.
Causas estruturais e desafios tecnológicos
A queda no volume de cartas — base histórica de arrecadação da estatal — se tornou irreversível com o avanço dos serviços digitais. Ao mesmo tempo, apesar do crescimento do e-commerce, os Correios enfrentam concorrência acirrada de transportadoras privadas, que investiram agressivamente em tecnologia, rastreamento e centros de distribuição automatizados.
Enquanto isso, parte da infraestrutura dos Correios segue defasada, com centros de triagem que ainda operam com equipamentos antigos e baixa digitalização de processos. A modernização avança, mas em ritmo considerado insuficiente por especialistas.
Impacto fiscal e discussões sobre o futuro
A tendência de aumento do déficit preocupa o governo, que já admite a necessidade de reestruturar o modelo de negócios da estatal. Entre as alternativas discutidas estão novas parcerias com o setor privado, revisão da política tarifária e aceleração de investimentos em automação logística.
O cenário reacende, inclusive, debates sobre projetos de desestatização que circularam no Congresso em anos anteriores — embora o governo atual não trate essa opção como prioridade, o tema volta a ganhar força entre economistas e parlamentares da ala liberal.
Correios defendem plano de recuperação
A direção da empresa afirma que já está implementando seu plano de reequilíbrio financeiro, com foco em:
- revisão de contratos e despesas operacionais;
- modernização de centros de triagem;
- expansão da atuação no comércio eletrônico;
- novos serviços digitais para pessoas físicas e empresas.
Mesmo assim, técnicos apontam que o resultado de curto prazo continuará pressionado, e que 2025 tende a ser o ano mais difícil da estatal desde a crise de 2016–2017.
Do Jornal PASSAPORTE/Foto: Reprodução
