Vídeos – Inauguração da Ponte de São Geraldo do Araguaia: Um Símbolo de Conquista, Continuidade e Disputa Política

Em uma manhã marcada por emoção, discursos e olhares para o futuro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Pará fizeram a entrega oficial da ponte sobre o Rio Araguaia, conectando São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO) pela rodovia BR-153. A cerimônia consolida um sonho antigo da população local — e revela uma trama política de continuidade entre governos, marcada por quem começou, quem concluiu — e quem reivindica o crédito. Quem iniciou a obra foi o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Com 2.010 metros de extensão (1.724 metros de vão principal), a nova ponte substitui a travessia por balsas, que era lenta, incerta e, para muitos, onerosa. Segundo dados do Ministério dos Transportes, a travessia em balsa chegava a custar mais de R$ 300 por viagem para alguns veículos.

Lula, durante seu discurso, destacou que a obra simboliza bem mais do que concreto e aço: “Não importa quem começou. Se a obra for importante, o povo precisa dela”, afirmou, ressaltando que gestores devem assumir a responsabilidade pelos projetos, independentemente de disputas políticas.

Para Helder Barbalho, a ponte representa “um avanço histórico para a população”, integrando regiões e impulsionando o escoamento da produção agrícola e industrial paraense e tocantinense.

MAIS DO QUE A INAUGURAÇÃO

Embora a inauguração ocorra agora, a ponte traz consigo um legado de gestões anteriores:

  1. Origem do projeto
    • O contrato foi assinado em 2017, durante o governo de Michel Temer.
    • Foram várias fases de disputa judicial até o arranque efetivo da construção.
  2. Início sob Bolsonaro
    • A ordem de serviço para retomar a obra foi assinada em abril de 2020, durante a presidência de Jair Bolsonaro.
    • Em março de 2022, Bolsonaro e o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, visitaram o canteiro de obras.
    • À época, o DNIT reportava 70% de execução em parte das estruturas.
  3. Continuidade e conclusão no governo Lula
    • Conforme o DNIT, a estrutura principal da ponte já estava praticamente concluída há meses: 99,16% da estrutura física concluída e ainda faltavam os acessos, especialmente no lado paraense.
    • Investimentos para essa fase foram incluídos no Novo PAC, reforçando a aposta do governo atual na entrega do projeto.
    • A cerimônia de inauguração contou com previsão de iluminação pública futura, cuja licitação está prevista para 2026.

DISPUTA POLÍTICA

A inauguração também revela tensões simbólicas e políticas:

  • Para Lula e Helder, a entrega da ponte é um exemplo de gestão pública responsável — um projeto iniciado antes de seu mandato, mas assumido, finalizado e entregue com a participação de seu governo.
  • A narrativa local: Nas redes sociais, circulou com força uma música viral intitulada “Foi Bolsonaro quem fez”, reforçando a percepção, entre parte da população, de que a obra é herança do governo anterior.
  • Controvérsia sobre atrasos: A obra já teve prazos adiados no governo Lula, com estimativas anteriores apontando para conclusão em 2024, mas só agora sendo formalmente entregue.
  • Desinformação e correções: Há checagens de desinformação sobre paralisação da obra ou embargos. O DNIT negou que o governo Lula tenha interrompido os trabalhos — e destacou repasses orçamentários contínuos.

IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS

A nova ponte tem potencial para transformar profundamente a região:

  • Integração logística: Faz parte da BR-153, uma das rotas mais estratégicas para escoamento de produção agrícola, especialmente da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
  • Ganho de tempo e redução de custos: A travessia de balsa, que podia levar até 20 minutos, era substituída por um tempo estimado de 2 minutos na ponte.
  • Segurança: A ponte oferece uma travessia mais segura e confiável, reduzindo riscos para pedestres, veículos leves e pesados.
  • Desenvolvimento local: Além de beneficiar diretamente cerca de 35 mil moradores de Xambioá e São Geraldo do Araguaia, a obra tende a impulsionar o comércio, o transporte e a conexão entre o Norte do país e outras regiões.

OLHANDO PARA O FUTURO

Com a entrega oficial, o desafio agora é garantir que a ponte não seja apenas símbolo, mas motor de desenvolvimento. Alguns pontos que merecem atenção:

  • Concluir os acessos finais, especialmente do lado paraense, para permitir a plena circulação.
  • Implementar a iluminação pública, prevista para a segunda fase, garantindo segurança e uso noturno.
  • Monitorar o impacto real no escoamento de cargas agrícolas e industriais, especialmente se os preços dos transportes caírem com a redução do uso de balsas.
  • Avaliar políticas complementares de infraestrutura (como estradas de acesso) para potencializar o uso da ponte como rota estratégica.

LEGADO E FATO POLÍTICO

A inauguração da ponte de São Geraldo do Araguaia é muito mais do que um evento para cortar fita: é a convergência de promessas de gerações, a validação de um projeto regional de desenvolvimento e uma peça no tabuleiro político entre passado e presente.

Lula leva para seu discurso a mensagem de que obras públicas são para servir ao povo, não para disputas partidárias — mas, no chão da ponte, até a canção que viralizou dá voz a uma narrativa contrária: a de que Bolsonaro merece crédito pela execução.

No fim, para os moradores de São Geraldo do Araguaia e Xambioá, o mais importante pode ser algo mais simples, porém profundo: agora, a travessia é segura, rápida e livre de balsas. E o Rio Araguaia, por muito tempo barreira, passa a ser via de futuro.

Veja os vídeos:

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https://www.instagram.com/reel/DRLGbACAW2y/?igsh=dm41dGZtYXY5Y216

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