Caiado, Daniella Marques e Pedro Lupion aparecem nas conversas; partidos e setores do centro-direita já discutem espaço em um eventual governo
As articulações políticas para um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) começaram a ganhar força antes mesmo da definição do segundo turno da eleição presidencial. Depois de terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato do PL passou a receber o apoio de partidos e lideranças de diferentes setores da centro-direita e do chamado Centrão.
Nos bastidores, as conversas já envolvem possíveis nomes para o primeiro escalão, embora a campanha de Flávio afirme publicamente que nenhuma escolha foi feita e que as negociações, neste momento, são de natureza programática.
Entre os nomes que passaram a aparecer nas discussões estão a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, o deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. As informações foram divulgadas pelo Poder360, que ressalta que nenhuma dessas possibilidades está definida.
Caiado aparece nas especulações, mas nega possível ministério
Ronaldo Caiado, que disputou a Presidência no primeiro turno pelo PSD e posteriormente declarou apoio a Flávio Bolsonaro, é citado nas articulações para Agricultura ou Segurança Pública.
O próprio Caiado, entretanto, afirmou que não está entre os nomes cotados. Em declaração ao SBT News, disse que não teria “credencial” para integrar o primeiro escalão de um eventual governo porque foi adversário de Flávio na primeira etapa da eleição.
A possibilidade de Caiado assumir uma pasta já havia sido levantada durante as negociações para o segundo turno. A Segurança Pública chegou a ser mencionada como uma área que poderia ser oferecida ao ex-governador goiano.
Daniella Marques é lembrada para áreas estratégicas
Outro nome que ganhou espaço nas conversas é o de Daniella Marques, que comandou a Caixa durante o governo Jair Bolsonaro.
Ela é mencionada para diferentes funções em uma eventual administração Flávio, entre elas Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento Social e Casa Civil. A amplitude das possibilidades mostra que o nome é considerado para áreas de grande peso político e econômico.
Na área econômica, também aparecem nomes como Adolfo Sachsida, Marcelo Kayath, além de outros economistas ligados ao mercado e ao governo Jair Bolsonaro. Entre as possibilidades discutidas estão mudanças na estrutura ministerial e uma eventual redução do número de pastas.
Agro quer participação na escolha do Itamaraty
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que declarou apoio à candidatura de Flávio, também já participa das conversas sobre a composição de um eventual governo.
Segundo as informações divulgadas, o setor do agronegócio pretende ter influência na escolha do próximo ministro das Relações Exteriores. Nesse desenho, a senadora eleita Tereza Cristina (PP-MS) aparece como uma das figuras que poderiam participar da avaliação do nome.
Um dos nomes considerados para o Itamaraty é Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Pedro Lupion entre Agricultura e articulação no Congresso
O deputado federal Pedro Lupion, ligado à bancada do agronegócio e ao Republicanos, também aparece nas discussões para o Ministério da Agricultura.
A movimentação envolvendo Lupion, porém, não se limita ao Executivo. As articulações no Congresso também colocam seu nome no radar para uma eventual presidência da Câmara dos Deputados, dependendo da composição política que se formar após a eleição.
Isso mostra que a disputa por espaço em um eventual governo não está restrita aos ministérios. A composição da Câmara e do Senado será fundamental para determinar a relação do próximo presidente com o Congresso.
Centrão já olha para o Palácio do Planalto
O PL saiu das urnas de 2026 com a maior bancada da Câmara, chegando a 121 deputados, enquanto partidos de direita e centro-direita ampliaram sua presença no Legislativo. Apesar disso, a aprovação de propostas importantes continuará dependendo de acordos com outras legendas, especialmente as que compõem o Centrão.
Nesse cenário, a montagem de um eventual governo Flávio poderá envolver não apenas critérios técnicos, mas também a necessidade de construir uma base parlamentar capaz de sustentar projetos no Congresso.
A campanha, entretanto, mantém a cautela. Flávio Bolsonaro tem afirmado que é necessário primeiro vencer o segundo turno antes de discutir efetivamente a formação de seu governo.
SAÚDE JÁ TEM NOME ANUNCIADO
Enquanto boa parte das especulações permanece aberta, Cláudio Lottenberg é apontado como o único nome já confirmado publicamente por Flávio para um ministério: o da Saúde. A informação foi divulgada em reportagem sobre as negociações envolvendo a futura composição do governo.
Assim, a fotografia atual mostra um cenário ainda em construção: nomes circulam, partidos apresentam demandas e setores organizados buscam espaço, mas a composição definitiva de um eventual governo somente poderá ser conhecida depois do resultado do segundo turno e das negociações que vierem posteriormente.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.
Do Jornal PASSAPORTE com agências de notícias e portais
