Corda do Círio 2026 chega a Belém e anuncia a reta final da maior festa religiosa do Pará

Produzida em Castanhal pelo quarto ano consecutivo, peça de 800 metros será usada na Trasladação e na Grande Procissão de Nossa Senhora de Nazaré

A corda que será utilizada nas duas principais procissões do Círio de Nazaré 2026 já está em Belém. Um dos símbolos mais conhecidos da maior manifestação religiosa do Pará chegou à capital na manhã de ontem (23), depois de ser entregue oficialmente à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), em Castanhal.

A cerimônia de entrega começou por volta das 9h, na sede da Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), responsável pela fabricação do material. Após a bênção e a solenidade, a corda seguiu para Belém em uma operação acompanhada pela Guarda de Nazaré e pelo Corpo de Bombeiros. A chegada ocorreu por volta das 11h20, pouco antes da previsão inicial de 11h30.

Pelo quarto ano consecutivo, a corda é produzida integralmente no Pará. A parceria entre a DFN e a CTC foi renovada em março deste ano e mantém a fabricação com fibra de malva amazônica, matéria-prima cultivada no Estado. A produção local começou em 2023, quando a fabricação deixou de ser realizada fora do Pará.

800 METROS PARA DUAS GRANDES PROCISSÕES

A corda de 2026 tem 800 metros de comprimento, divididos em dois trechos de 400 metros: um será utilizado na Trasladação, no sábado (10 de outubro), e o outro na Grande Procissão do Círio, no domingo (11).

A estrutura possui aproximadamente 60 milímetros de diâmetro e conta com nós, argolas e pontos de conexão com as estações metálicas utilizadas durante o percurso. Para este ano, os pontos submetidos a maior pressão receberam reforços e passaram por testes de resistência e tração.

A fabricação exigiu cerca de sete meses de trabalho, sendo aproximadamente três meses de planejamento e quatro meses de produção. Mais de 480 trabalhadores participaram das diferentes etapas do processo industrial. A cadeia da malva utilizada na produção também envolve agricultores familiares de mais de 20 municípios paraenses.

AGORA VEM A VISTORIA

Depois de chegar a Belém, a corda ficará inicialmente armazenada na Estação Padre Luciano Brambilla, no estacionamento da Basílica Santuário de Nazaré.

A próxima etapa será a vistoria marcada para sábado (26), a partir das 15h, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré. A DFN e a Guarda de Nazaré vão verificar as condições dos nós, argolas e estações metálicas, além de conferir novamente os 800 metros de extensão.

Depois da vistoria, o material será dividido em duas partes. O trecho destinado à Trasladação permanecerá na Estação Padre Luciano Brambilla, enquanto a parte que será utilizada na Grande Procissão do Círio será levada para a Estação das Docas.

Os dois trechos ficarão disponíveis para visitação pública durante o período que antecede as procissões.

DA MALVA PARAENSE ÀS MÃOS DOS DEVOTOS

A escolha da malva como matéria-prima também dá à corda de 2026 uma dimensão econômica regional. A fibra utilizada na produção é cultivada no próprio Pará e integra uma cadeia que envolve mais de mil famílias da agricultura familiar, distribuídas por mais de 20 municípios.

Assim, antes mesmo de chegar às mãos dos milhares de devotos que participarão das procissões, a corda percorre uma cadeia que começa no campo, passa pela indústria em Castanhal e termina nas ruas de Belém, durante as romarias.

UM SÍMBOLO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

A corda acompanha o Círio há mais de um século. A história do objeto remonta a 1855, quando uma corda foi utilizada para ajudar a movimentar a berlinda de Nossa Senhora de Nazaré depois que uma enchente deixou o trajeto tomado por lama.

O uso acabou se consolidando e, em 1885, a corda foi incorporada oficialmente à procissão. Depois de mudanças ao longo das décadas, o modelo atual passou a utilizar uma estrutura linear dividida em estações metálicas, buscando proporcionar maior segurança aos participantes.

Para os devotos, entretanto, a importância da corda vai muito além da estrutura física. É nela que milhares de pessoas colocam as mãos durante a caminhada, transformando o objeto em uma espécie de elo entre a multidão e a berlinda que conduz a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré.

CÍRIO SE APROXIMA

A chegada da corda reforça a sensação de que o Círio está entrando em sua fase decisiva. O coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa, destacou que o recebimento do material representa um momento simbólico da preparação para as procissões e da aproximação da grande festa.

A Trasladação será realizada na noite de sábado, 10 de outubro, enquanto a Grande Procissão do Círio de Nazaré ocorrerá no domingo, 11 de outubro, em Belém.

Até lá, a corda ainda passará por vistoria, será dividida entre as duas procissões e ficará exposta para que moradores e visitantes possam acompanhar de perto um dos elementos mais tradicionais da festividade.

Quando finalmente for estendida pelas ruas de Belém, a corda deixará de ser apenas uma peça produzida em Castanhal e voltará a cumprir o papel que exerce há décadas: reunir milhares de mãos em torno da fé em Nossa Senhora de Nazaré.

Do PASSAPORTE/Foto: DFN