Briga entre Keniston Braga e Aurélio Goiano se acirra por causa do abandono da FAP em Parauapebas

Deputado reage à ausência da Prefeitura na feira e acusa Aurélio de prejudicar a economia de Parauapebas enquanto três processos político-administrativos encurralam o prefeito na Câmara

A 20ª Feira de Agronegócios de Parauapebas (FAP) começou ontem, quarta-feira, 23, com negócios, produtores e atrações, mas também virou palco de mais um capítulo da guerra política entre o deputado federal Keniston Braga (MDB) e o prefeito Aurélio Goiano (Avante). Em vídeo publicado nesta quinta-feira, 24, Keniston elevou o tom contra o prefeito ao comentar a ausência da Prefeitura na realização da feira. Chamou Goiano de “burro”, classificou seu comportamento como “arrogante” e “prepotente” e afirmou que o gestor estaria “atrapalhando a vida de quem mais precisa”.

“Pare de nos atrapalhar”, disse o deputado, acusando a administração municipal de enfraquecer tradições culturais e a economia local. Na avaliação de Keniston, a FAP representa um “sopro de vida” para uma economia que, segundo ele, estaria sofrendo com o desempenho da atual gestão.

A reação ocorre depois de o Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (Siproduz) informar que a Prefeitura não apoiou a edição deste ano. Gabinete do Prefeito e Secretaria de Desenvolvimento também não participam institucionalmente da feira.

A própria administração municipal já reconheceu, em documentos oficiais, a FAP como iniciativa relacionada ao agronegócio, à agricultura familiar, ao empreendedorismo e à geração de empregos.

Outro episódio que acrescentou tensão à abertura foi a presença do Procon no evento. Comerciantes e integrantes ligados à organização demonstraram incômodo com a fiscalização e passaram a relacioná-la, politicamente, à disputa entre os grupos. A fiscalização, entretanto, está entre as atribuições legais do órgão.

O novo embate acontece em um momento especialmente sensível para Aurélio Goiano. Três processos político-administrativos contra o prefeito avançaram na Câmara Municipal e estão na fase de instrução, com produção de provas, diligências e oitivas. As denúncias envolvem suposta intolerância religiosa, possível omissão no atendimento a requerimentos do Legislativo e supostas irregularidades relacionadas a decretos, registros contábeis e movimentações orçamentárias.

As três comissões têm prazo para concluir os trabalhos até 10 de novembro.  A disputa entre Keniston e Aurélio, portanto, ganhou mais um cenário. A FAP, que deveria concentrar sua agenda em negócios, produção e oportunidades, acabou incorporada à longa batalha política de Parauapebas.

Da Assessoria Parlamentar, texto e foto