Acolhimento com identidade: arte transforma espaços públicos em Belém

Iniciativa da Prefeitura de Belém leva murais amazônicos ao Espaço Acolher e ao Novo Restaurante Popular, promovendo pertencimento e humanização

Em Belém, onde a cultura pulsa nas ruas e nos traços da identidade amazônica, a arte tem ultrapassado os limites das galerias para ocupar espaços públicos com um propósito que vai além da estética. Cada vez mais, iniciativas que unem expressão artística e políticas sociais vêm transformando ambientes urbanos em lugares de acolhimento, pertencimento e dignidade — especialmente para quem mais precisa desses serviços no dia a dia.

Esse movimento já pode ser visto, na prática, em equipamentos da rede socioassistencial do município. A arte como instrumento de acolhimento, identidade e transformação social ganhou novos contornos com a iniciativa da Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa). A artista visual amazônida Isabela Quilla, conhecida como Mama Quilla, levou cores, símbolos e referências da cultura regional para dois importantes equipamentos públicos: o Espaço Acolher – Serviço de Acolhimento Noturno Desembargador Paulo Frota, localizado na rua Aristides Lobo, 290, e o novo Restaurante Popular Dr. Oswaldo Coelho, no centro da cidade, em frente à Praça Dom Pedro II, no bairro da Campina.

Arte que acolhe e transforma

Com oito anos de trajetória, Mama Quilla construiu sua carreira em diálogo com comunidades ribeirinhas e projetos inclusivos, nos quais a arte se consolida como ferramenta de conexão e valorização cultural. Nos murais desenvolvidos para os espaços, a artista incorporou elementos da fauna e da flora amazônica, criando uma ambientação que dialoga diretamente com o público atendido. “Pintar no Espaço Acolher e no Restaurante Popular foi uma experiência muito significativa. São locais com um papel social essencial, e levar minha arte para esses ambientes foi uma forma de contribuir com esse trabalho e fortalecer o sentimento de pertencimento”, afirma a artista.

A iniciativa também reforça o compromisso da gestão municipal em humanizar os serviços socioassistenciais. Segundo a gestora do Trabalho e Educação Permanente (GTEP) da Funpapa, Anabela Tupiassu, a proposta vai além da estética. “A presença da arte nesses espaços contribui diretamente para o bem-estar dos usuários. Ela humaniza, acolhe e cria uma ambiência mais digna para quem utiliza os serviços. A ideia é que esse trabalho avance e alcance outros prédios da Prefeitura, ampliando essa experiência para mais espaços públicos da cidade”, destaca.

Em outro momento, Anabela reforça o caráter estratégico da ação. “Valorizar artistas locais, especialmente mulheres, também é uma forma de fortalecer redes de trabalho e reconhecer a potência cultural que temos no nosso território”, afirma.

Valorização cultural e trabalho coletivo

O projeto também se destaca pelo caráter coletivo. A equipe envolvida reúne diferentes artistas e profissionais, em sua maioria mulheres, como Klara Keller e Ada Cllima, além da participação de nomes de outros municípios paraenses, como o artista Zack Art, de Parauapebas. A diversidade de trajetórias fortalece o resultado final e evidencia a riqueza cultural do estado.

Além dos murais, Mama Quilla também tem se destacado em iniciativas como a Jaguar Parade Belém, especialmente no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30). Em sua obra “Arandu”, a artista retrata a onça como guardiã da floresta, cercada por flores e grafismos que evocam ancestralidade, memória e resistência. A criação simboliza a sabedoria dos povos originários e reforça a conexão entre passado, presente e futuro da Amazônia.

Para a artista, o convite da Funpapa representa mais do que uma oportunidade profissional. “Entendi que existe um cuidado real em humanizar esses espaços por meio da arte, e isso é muito importante. Também vejo como um avanço na valorização de projetos liderados por mulheres locais, fortalecendo toda uma rede de profissionais do nosso território”, ressalta.

 

 

Fonte: Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho