Uma série de acidentes e intercorrências envolvendo ônibus da empresa Viação Boa Esperança, registrados nos últimos dias em diferentes rodovias paraenses, tem gerado preocupação crescente entre passageiros, autoridades e moradores das regiões afetadas. Os episódios, alguns com vítimas fatais, levantam questionamentos sobre as condições da frota, a segurança nas estradas e a fiscalização do transporte intermunicipal no Estado. Por exemplo: um veículo que sairia de Marabá para Belém às 9h50, saiu com 40 minutos de atraso, ou seja, às 10h30 de ontem (07).
Um dos casos mais recentes ocorreu na Rodovia PA-150, no trecho entre Jacundá e Goianésia do Pará, onde um ônibus da empresa colidiu com uma vaca que atravessava a pista. Apesar do susto, o acidente expôs novamente a vulnerabilidade das estradas da região, frequentemente marcadas pela presença de animais soltos e baixa iluminação em trechos críticos.
Já em Eldorado dos Carajás, um acidente de maior gravidade resultou na morte de um jovem, ampliando a lista de ocorrências fatais envolvendo veículos da companhia. Pouco tempo depois, outro episódio trágico foi registrado em Goianésia do Pará, quando um ônibus saiu da pista, causando a morte de Fábio Marcelo Barata, conhecido por seu trabalho na formação de atletas da Tuna Luso Brasileira.
Os acidentes recentes não são casos isolados. Passageiros relatam que, ainda em dezembro do ano passado, um grave sinistro envolvendo um ônibus da empresa já havia deixado vítimas, reforçando um histórico preocupante que vem se repetindo nas estradas do Estado.

Além das ocorrências, denúncias sobre as condições dos veículos aumentam o clima de insegurança. Relatos apontam falhas na infraestrutura interna dos ônibus, como portas com defeito na área de leito — inclusive a mesma que dá acesso ao banheiro —, obrigando passageiros a forçarem o fechamento devido a trincos quebrados. A situação levanta dúvidas sobre a manutenção preventiva da frota e o cumprimento de normas básicas de segurança.
O impacto já é sentido diretamente na demanda. Usuários afirmam estar evitando viajar com a empresa, optando por alternativas consideradas mais seguras, mesmo que com menor oferta de horários ou preços mais elevados. A perda de confiança pode representar um duro golpe para a imagem da companhia, tradicional no transporte rodoviário da região.

Especialistas apontam que o problema vai além da empresa. A precariedade de trechos rodoviários, a falta de fiscalização quanto à presença de animais nas pistas e a necessidade de maior rigor na inspeção de veículos de transporte coletivo formam um cenário que contribui para o aumento dos riscos.
Diante da sequência de acidentes e das denúncias, cresce a pressão para que órgãos competentes intensifiquem a fiscalização e que a empresa apresente medidas concretas para garantir a segurança dos passageiros. Enquanto isso, quem depende do transporte rodoviário no Pará segue apreensivo, convivendo com a incerteza a cada viagem.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE/Fotos e vídeos: Cleiton Palmeira
