O Irã anunciou nesta quarta-feira (8) o novo fechamento do Estreito de Ormuz para navios comerciais, justificando a medida como resposta às ações israelenses. Autoridades iranianas também declararam que pretendem “punir” Israel e que já identificam possíveis alvos para retaliação.
Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo e afirmou que poderá retaliar caso os bombardeios continuem. O governo do Líbano denunciou que áreas densamente povoadas foram atingidas, deixando centenas de vítimas.
A escalada ocorre após Israel realizar o que foi descrito como o maior ataque recente contra o Líbano, intensificando a ofensiva contra o Hezbollah. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo não se aplica ao território libanês, contrariando o entendimento divulgado pelo Paquistão, mediador das negociações.
Países do Golfo relataram novos ataques atribuídos ao Irã, mesmo após o início da trégua. Catar, Kuwait e Arábia Saudita disseram ter sido atingidos por mísseis e drones, com registros de danos materiais e interceptações de projéteis.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo, citando a atuação do Hezbollah. Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, reforçou o apelo para que todas as partes respeitem o acordo, alertando que violações comprometem os esforços por uma solução definitiva para o conflito no Oriente Médio.
A ofensiva de Israel contra o Líbano pode atrapalhar as negociações entre Teerã e Washington, marcadas para começar na próxima sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão. Isso porque o Irã incluiu, entre os dez pontos para negociações, o fim da guerra em todas as frentes no Oriente Médio, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que foram realizados diversos ataques em várias partes do país, especialmente no Sul.
O Ministério da Saúde do Líbano calcula que a atual fase do conflito, iniciada no dia 2 de março, matou mais de 1,5 mil pessoas, ferindo mais 4,8 mil. Israel ainda bombardeou 93 unidades de saúde libanesas e 57 profissionais de saúde foram assassinados. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências no período.
O chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, comunicou que Israel continuará atacando o Hezbollah. “Aproveitaremos todas as oportunidades operacionais. Não comprometeremos a segurança dos moradores do norte de Israel. Continuaremos atacando com determinação”, disse.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o grupo libanês Hezbollah pediu que os habitantes das áreas despovoadas pela guerra não retornem imediatamente aos seus bairros e vilas antes do anúncio definitivo do cessar-fogo no Líbano.
“Este inimigo traiçoeiro e bárbaro, procurando escapar à imagem da sua derrota, poderá recorrer a tentativas traiçoeiras para criar a falsa impressão de ter alcançado uma vitória que não conseguiu obter no campo de batalha”, diz o comunicado. O Hezbollah não tem reivindicado mais ataques contra as forças israelenses desde o anúncio do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos.
Do ICL Notícias
