Muito além de matar a fome, a merenda escolar desempenha um papel fundamental na construção de uma educação de qualidade. Em Belém, investimentos crescentes melhoram, de fora significativa, a alimentação oferecida aos estudantes da rede municipal.
Em 2024, o investimento era de R$ 17 milhões. Em 2025, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), ampliou o investimento para R$ 30 milhões e, em 2026, deve dobrar o valor em relação ao ano anterior.
Outro destaque na alimentação escolar é a valorização da agricultura familiar. Mais de 50% do investimento é destinado à compra de alimentos produzidos por agricultores locais — um percentual que coloca Belém à frente das exigências nacionais do Programa Nacional de Alimentação Escolar, que passou a exigir o mínimo de 45% apenas recentemente (até 2025 era de 30%).
Em 2026, a Semec vai intensificar ainda mais a regionalização dos cardápios escolares, com a aquisição direta de produtos da agricultura familiar. Entre os alimentos que passarão a compor, de forma mais ampla, as refeições estão o açaí, farinha de tapioca, farinha de mandioca, polpa de cupuaçu, coentro, chicória, banana-prata, jambu, maxixe, mcaxeira, manga regional, mamão, além de polpas de goiaba e de manga, garantindo refeições mais saudáveis, diversificadas e que valorizam a cultura local.
Com a adoção dessa política, a inclusão de alimentos regionais no cardápio, como o açaí, beneficia diretamente mais de 70 mil estudantes da rede municipal de ensino.
Para os alunos, a diferença já é sentida no dia a dia. O estudante Joelson dos Santos, de 14 anos, da Escola Helder Fialho, do distrito de Outeiro, relata a expectativa pelo momento da merenda. “Quando toca a campainha, eu já saio correndo, porque a comida é boa e eu gosto muito, principalmente quando tem açaí. Mas hoje foi carne com feijão, vou tentar repetir”, contou.
A alimentação escolar passou a incluir regularmente itens como carne, feijão, arroz, frutas, verduras, leite e o próprio açaí, no período de safra, garantindo refeições mais completas e nutritivas. A iniciativa beneficia não apenas os alunos, mas também toda a cadeia produtiva, especialmente os agricultores familiares e trabalhadores do extrativismo do açaí, gerando emprego e renda.
De acordo com Ana Clara Miranda, da coordenação de alimentação escolar da Semec, houve uma mudança significativa na qualidade das refeições. “Há um grande avanço na qualidade da alimentação escolar a partir de 2025. Hoje, as escolas servem refeições completas, compostas por proteína (carne bovina, frango ou ovo), arroz ou macarrão, feijão, legumes e frutas. O feijão, por exemplo, está presente em cerca de 80% das preparações salgadas, reforçando o valor nutricional das refeições”.
As frutas também ganharam mais espaço no cardápio — banana, laranja, melancia, tangerina, manga, maçã e mamão são distribuídas. Ao todo, cerca de 40 toneladas são entregues a cada 15 dias letivos, promovendo alimentação saudável”, concluiu.
Na rotina das escolas, quem prepara as refeições percebe o impacto dessas mudanças. Na Escola Helder Fialho, no Outeiro, a manipuladora de alimentos Cláudia Cunha destaca a evolução na qualidade dos produtos.
“A merenda melhorou muito. A carne que recebemos é alcatra, de primeira. O feijão e o arroz também são de qualidade. São mais de mil refeições por dia preparadas com todo carinho. Fico emocionada quando os alunos dizem que estão de barriga cheia. A merenda é deles e feita para eles”, afirmou.
