Implanon estará disponível gratuitamente para 4 mil mulheres em Belém

IMPLANTE CONTRACEPTIVO COMEÇARÁ A SER APLICADO, NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE, A PARTIR DA SEGUNDA QUINZENA DE MARÇO. MÉTODO É CONSIDERADO VANTAJOSO POR SUA LONGA DURAÇÃO E ALTA EFICÁCIA. ALÉM DE PREVENIR GRAVIDEZ INDESEJADA, O ACESSO AO CONTRACEPTIVO IMPLANON TAMBÉM CONTRIBUI PARA A REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA

O método contraceptivo “Implanon” começou a ser aplicado em algumas mulheres em Belém durante ação alusiva ao “Março Lilás” realizada neste sábado (7), na Unidade Especializada em Saúde da Mulher (URE Mulher), bairro de Nazaré, em Belém (PA). A partir da segunda quinzena de março, serão disponibilizadas gratuitamente para o público feminino 4 mil unidades do implante pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na rede municipal.

A operadora de caixa Gabriele Souza, de 33 anos, foi uma das primeiras a receber o novo método contraceptivo. Mãe de dois filhos, Gabriele afirma que não pretende engravidar novamente e considera que o serviço chegou no momento certo.

“Fiquei sabendo pela televisão e procurei uma unidade de saúde para me informar sobre os detalhes. O processo foi bem rápido: participamos de uma palestra para entender tudo, depois fiz a triagem. Agora já estou mais aliviada, já que não tenho mais a intenção de ter filhos. Então, por três anos, até fazer a troca, fico mais tranquila”, conta.

Vantagens do Implanon

O implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel, conhecido como Implanon, é um método considerado vantajoso em relação aos já existentes por sua longa duração e alta eficácia, uma vez que age no organismo por até três anos.

A aplicação do Implanon, por meio da rede municipal de saúde, busca prevenir gestações não planejadas e contribuir para a redução da mortalidade materna, atendendo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).

A iniciativa chega como uma política pública que busca ampliar o acesso ao planejamento sexual e reprodutivo. Inicialmente, a rede municipal de saúde dará prioridade a alguns grupos:

  • mulheres em situação de rua;
  • adolescentes de 14 a 19 anos;
  • mulheres que vivem com HIV;
  • mulheres privadas de liberdade;
  • mulheres que tiveram pré-natal de alto risco;
  • mulheres com algum transtorno ou condição relacionada à saúde mental.

“Nesse primeiro momento estamos trabalhando com grupos prioritários, então estimamos que quatro mil mulheres serão atendidas com o Implanon na rede municipal de saúde de Belém. A previsão é iniciar a implantação na segunda quinzena de março”, explica Aline Gobbo, coordenadora da referência técnica em saúde da mulher da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).

Capacitação técnica
Equipes formadas por médicos e enfermeiros da rede municipal de saúde de Belém estão sendo capacitadas por profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA). O processo está nos ajustes finais para que os profissionais estejam habilitados para iniciar a implantação nas usuárias da rede.

A enfermeira obstetra e professora da UFPA, Elyade Nelly, explica como a universidade participa desse processo. “Estamos certificando a capacitação dos profissionais que vão fazer a inserção do Implanon. Inicialmente qualificamos cinco médicos e posteriormente vamos capacitar cinco enfermeiras aqui da URE Mulher. Depois, a formação deve alcançar outros municípios do Pará”, afirma.

Procedimento rápido e sem dor

O Implanon é um pequeno bastão de plástico flexível, com cerca de quatro centímetros de comprimento e dois milímetros de diâmetro. Sob a pele, ele libera etonogestrel, hormônio que ajuda a prevenir a gravidez ao inibir a ovulação.

Antes da implantação do Implanon, a usuária passa por uma triagem. São coletados dados pessoais (nome, data de nascimento e endereço de residência), além de informações sobre o ciclo menstrual, última relação sexual e possíveis alergias a medicamentos. Em seguida, é realizado um teste de gravidez. Se o resultado é negativo, a paciente é encaminhada ao consultório para a inserção do contraceptivo.

Esse procedimento é rápido e dura, em média, 10 minutos. Deitada na maca, a paciente dobra o braço menos utilizado. A equipe médica mede cerca de oito centímetros acima do cotovelo para identificar o local exato da inserção. Primeiro é aplicada uma anestesia local e, em seguida, o implante é inserido.

Ao final do procedimento, o braço da paciente é enfaixado e deve permanecer assim por 24 horas. Também é recomendado evitar esforço físico temporariamente com o braço manuseado.

A paciente toca o local para confirmar a implantação e recebe um comprovante do atendimento com dados clínicos, além da caixa do Implanon com a bula para consulta em casa.

Poliana Trindade, de 21 anos, também colocou o implante neste sábado. Ela soube da ação por meio de uma amiga: “Eu fiquei sabendo e aproveitei para trazer algumas amigas também. Tenho vontade de ter filhos, mas não agora, só quando estiver estruturada, com casa e formada. Então, por enquanto, me sinto mais tranquila com o implante. Achei o procedimento bem simples, sem dor. Recomendo para todas as mulheres que quiserem se prevenir também”, afirma.

Nos primeiros três meses, algumas usuárias podem apresentar efeitos colaterais como acne e alterações hormonais. Conforme o corpo se adapta, esses sintomas tendem a diminuir. O fluxo menstrual também pode sofrer alterações, com possibilidade de amenorreia ou pequenos sangramentos de escape.

Para Paula Nunes, gerente da URE Mulher, a iniciativa pode trazer impactos importantes na prevenção da gravidez precoce. “Essa é uma ação muito eficaz, especialmente para a nossa unidade, já que aqui atendemos muitas gestantes de alto risco, incluindo adolescentes de 13 a 16 anos. Conseguir prevenir a gravidez na adolescência e a gravidez não planejada já é um grande avanço, além de ampliar o acesso à informação”, afirma.

Como ter acesso ao Implanon

Para ter acesso ao Implanon, a usuária do SUS deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, passar por acolhimento e receber encaminhamento para uma das unidades de referência.

O serviço de aplicação do Implanon estará disponível em quatro unidades da rede municipal de saúde de Belém (PA), consideradas referências em planejamento reprodutivo:

  1. UBS Marambaia
  2. UBS Providência
  3. UBS Combu
  4. URE Mulher

“O município de Belém já oferece métodos LARC [contraceptivos reversíveis de longa duração, considerados mais eficazes no planejamento reprodutivo], por meio do DIU. Esses mesmos centros de referência que vão receber o Implanon também realizam a inserção do DIU, de acordo com a necessidade de cada mulher”, explica Aline Gobbo, coordenadora da referência técnica em saúde da mulher da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).

Benefícios e contraindicações do Implanon

Segundo Elyade Nelly, apesar de algumas restrições, o método é indicado para grande parte das mulheres. “O Implanon tem uma taxa de eficiência que chega a cerca de 99%, semelhante ao DIU. São os dois métodos mais eficazes. Eu costumo dizer que o Implanon pode ser ainda mais eficaz porque permanece fixo, enquanto o DIU pode se deslocar. Entre todos os métodos, é um dos mais seguros”, garante.

Benefícios:

  • Alta eficácia contraceptiva: é um dos métodos mais eficazes na prevenção da gravidez;
    • Longa duração: o implante atua no organismo por até três anos;
    • Praticidade: não exige uso diário ou mensal, nem intervenções durante o período de funcionamento;
    • Método reversível: após a retirada do implante, a fertilidade retorna rapidamente;
    • Substituição imediata: ao final dos três anos, o implante pode ser retirado e um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS, caso a usuária deseje continuar utilizando o método;
    • Mais autonomia para a usuária: por não depender do uso correto e contínuo, reduz o risco de falhas comuns em métodos como pílulas ou injetáveis;
    • Classificado como LARC: faz parte dos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC), considerados mais eficazes no planejamento reprodutivo.

Contraindicações:

De acordo com a bula, o Implanon é contraindicado para mulheres com:

  • sangramento vaginal não diagnosticado;
  • doença hepática grave ativa ou histórico recente;
  • presença ou histórico de tumor hepático;
  • distúrbio tromboembólico venoso ativo;
  • hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer componente do medicamento.

Demais métodos contraceptivos no SUS:

Antes de mais nada, é importante lembrar: somente os preservativos oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Em relação aos métodos contraceptivos disponíveis atualmente no SUS, o DIU de cobre é classificado como LARC (contraceptivos reversíveis de longa duração), junto com o mais recente Implanon.

Veja os métodos disponíveis no SUS:

  • Implanon
  • preservativo externo;
  • preservativo interno;
  • DIU de cobre;
  • anticoncepcional oral combinado;
  • pílula oral de progestagênio;
  • injetáveis hormonais mensal e trimestral;
  • laqueadura tubária bilateral;
  • vasectomia.

Da Agência Belém