Ministério da Previdência Social aponta que, só no ano passado, 546 mil licenças foram concedidas devido a problemas como ansiedade, depressão e outros transtornos mentais
Mais de 546 mil trabalhadores brasileiros ficaram afastados do trabalho em 2025 por transtornos mentais como ansiedade, depressão e burnout. A informação é do Ministério da Previdência Social e foi divulgada recentemente pelo portal G1.
O número, por si só, já chama atenção. Mas ganha outra dimensão quando traduzido em escala humana: equivale a mais de seis estádios do Maracanã completamente lotados de pessoas temporariamente fora de suas atividades profissionais, superando marcas históricas na última década.
A analogia parte da capacidade oficial do estádio, que comporta cerca de 78 mil torcedores. Ao dividir o total de afastamentos por esse número, chega-se à imagem de um fluxo contínuo de trabalhadores deixando o mercado de trabalho ao longo do ano, não por acidentes físicos, mas por sofrimento psíquico.
O dado ajuda a dimensionar um fenômeno que, embora crescente, ainda é tratado de forma reativa por grande parte das organizações. Em muitos casos, os sinais de esgotamento só ganham atenção quando o afastamento já ocorreu.
O cenário da crise sanitária mental ocorre no momento em que o setor produtivo enfrenta o desafio de se adequar às novas exigências da Norma Regulamentadora 1 (NR-1).
De acordo com os especialistas da Contato Seguro, a existência de um Canal de Acolhimento tem sido um instrumento-chave para identificar situações de risco antes que evoluam para licenças médicas.
A proposta desses canais, como os que a Contato Seguro oferece, é registrar relatos, mapear padrões e oferecer às áreas de Recursos Humanos informações estruturadas para uma atuação mais estratégica.
A estatística reflete uma dificuldade estrutural das organizações em converter políticas de bem-estar em prática cotidiana. Embora o país esteja atravessando um período de transição regulatória, o volume de licenças concedidas indica que o cuidado com a saúde mental ainda não atingiu a maturidade necessária para frear o desgaste emocional no ambiente corporativo.
Riscos psicossociais passarão a ser monitorados
A urgência do debate é acentuada pelo cronograma do Ministério do Trabalho e Emprego. As empresas brasileiras têm até 26 de maio para se adequarem às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o olhar sobre os riscos ocupacionais e passa a incluir fatores psicossociais no ambiente de trabalho.
Na prática, a norma obriga as organizações a identificar e documentar fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, pressão excessiva por metas, falta de apoio das lideranças e ambientes de trabalho tóxicos.
A negligência nesses pontos é destacada pelos especialistas como a causa primária do desgaste que resulta nos atuais indicadores de afastamento.
Embora o prazo ainda esteja em curso, a proximidade da data tem levado organizações a revisar práticas internas que podem ser convertidas em multas que podem variar conforme a gravidade da infração e o porte da empresa, além de outras sanções administrativas.
CANAL DE ACOLHIMENTO
Neste contexto de conformidade legal, o Canal de Acolhimento deixa de ser uma iniciativa opcional de Recursos Humanos para se tornar uma solução técnica estratégica. A ferramenta da Contato Seguro está diretamente vinculada às exigências da NR1, pois atua como mecanismo de monitoramento e documentação contínua solicitado pela legislação. Ao oferecer um meio seguro para o relato de situações de desgaste, a empresa passa a deter dados auditáveis sobre o clima organizacional e a eficácia de suas medidas preventivas.
Diferentemente de ações pontuais, o canal estruturado permite a geração de indicadores que conectam diretamente o comportamento interno à redução de custos. O acompanhamento estatístico dos relatos possibilita intervenções preventivas, combatendo a raiz do absenteísmo e a alta incidência de atestados médicos antes que o quadro evolua para uma licença previdenciária de longo prazo.
IMPLEMENTAÇÃO NA PRÁTICA
O recorde de 546 mil licenças evidencia que a saúde mental migrou da periferia das discussões para o centro da gestão de riscos e sustentabilidade dos negócios. O desafio atual das companhias brasileiras é superar a barreira da implementação teórica.
A transição exige que o gerenciamento de riscos psicossociais seja integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Para o mercado, o volume alarmante de trabalhadores afastados serve como um alerta de que a conformidade com a NR1 não é apenas uma obrigação burocrática, mas uma necessidade sustentável e econômica para estancar a perda de produtividade e os impactos jurídicos e financeiros decorrentes do adoecimento ocupacional.
O desafio agora é transformar dados alarmantes em políticas preventivas, capazes de reduzir impactos humanos gerados até aqui.
SOBRE A CONTATO SEGURO
A Contato Seguro é pioneira e líder no mercado brasileiro de Canais de Denúncia e Canais de Acolhimento externos e independentes, oferecendo soluções de escuta que apoiam as empresas na construção de ambientes corporativos mais íntegros e seguros. Com presença em mais de 50 países e atuação junto a mais de 3 mil clientes, transforma a forma como organizações e pessoas se conectam ao integrar tecnologia de ponta, inteligência artificial aplicada à otimização da gestão das plataformas e atendimento humanizado conduzido por psicólogos-ouvidores preparados para uma escuta ativa e segura.
Texto: Francielle Mesquita/Foto: Divulgação
