Escolas de samba de Mosqueiro trazem história e mitos para a avenida

TRADICIONAIS AGREMIAÇÕES DO PRINCIPAL BALNEÁRIO DE BELÉM ABORDAM TEMAS DA MEMÓRIA HISTÓRICA DA ILHA, EMPOLGANDO O PÚBLICO COM GARRA E ANIMAÇÃO NO CARNABELÉM 2026

O segundo dia do CarnaBelém em Mosqueiro foi de desfile das duas tradicionais escolas de samba da ilha, na noite deste domingo, 15. Um grande público prestigiou o evento, lotando as arquibancadas na praça da Vila e ao longo do corredor da folia na rua Nossa Senhora do Ó.

A primeira a desfilar foi a Escola de Samba Peles Vermelha. A agremiação, fundada em 1956, trouxe como enredo “Peles Vermelha – A Águia Guerreira de Mosqueiro, Setenta Anos de Amor e Tradição!”

A escola apostou no intérprete Paulinho Torres e nos cerca de 300 foliões para não deixar o samba enredo atravessar. Eles mantiveram a harmonia com a bateria “Guerreira da Ilha”, de 70 ritmistas, sob a batuta do mestre cultural Mauro Anderson Lima.

A carnavalesca Joanna Denholm criou fantasias traduzindo o divino e o popular na ancestralidade e resistência de um guerreiro celestial, que marcam a trajetória da escola nessas sete décadas de existência, guiada pelas Baianas, guardiãs da memória da ilha.

Contagiando o público, a Peles Vermelha evoluiu na passarela dentro dos 50 minutos previstos. Passaram as alas dos amigos, do aniversário dos 70 anos, a tradicional dos indígenas e uma especial, com os brincantes usando fantasias que lembram a origem da agremiação.

“É uma emoção muito grande desfilar na Peles Vermelha, pois é uma escola que tem a maior tradição em Mosqueiro, que vem contando um enredo muito bonito, trazendo a alegoria dos anos 70, que foi o grande auge da nossa escola”, disse Thales Dias, estudante de veterinária em uma universidade particular de Belém.

Já o porta-estandarte, Felipe Correa, empunhou o símbolo da agremiação com ginga e bailado, horando a função tradicionalmente ocupada por mulheres.

Outro destaque foi a Rainha de Bateria, Lívia Fonseca, de 20 anos. A estudante de Medicina Veterinária, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), mosqueirense do bairro Vila, chamou atenção pela beleza e interação com os ritmistas.

Abrindo o cortejo carnavalesco, a Comissão de Frente representou o encantamento das águas, encenando o nascimento do amor do pescador e da jovem cabocla na ilha dos Amores, sob o feitiço da Cobra Grande, simbolizando a fusão do amor humano com a natureza.

O porta-estandarte, Philipe Dias, vestiu-se de guardião das energias espirituais e cósmicas que protege os segredos e encantarias da Ilha dos Amores.

Os fundadores do Hotel Farol foram representados pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Augusto Borges e Isabele Furtado, simbolizando dois mundos (Portugal e Brasil), um só amor, a união de culturas, povos e afetos.

A escola, com 250 brincantes, manteve a harmonia, durante todo o desfile, na cadência da bateria Tsunami, comandada pelo mestre Carlos Cavalcante, simbolizando o divino som da natureza.

As batidas dos 75 ritmistas traduziram o balanço das marés da Baía do Marajó, guiados pelo samba-enredo interpretado por Mayara Mesquita, simbolizando as vozes que cantam o amor, a memória e o mistério da Ilha.

A frente da Tsunami, dois destaques: a rainha de bateria, Cristina Soeiro, personificando a Encantaria e o feitiço amazônico, e musa da bateria, Katarina Soares, traduzindo o misticismo das forças invisíveis e espirituais.

O Hotel Farol veio representado no carro alegórico em formato de navio-gaiola, simbolizando o refúgio da história e do amor

Já o antigo Farol de Mosqueiro, que orienta os navegantes e dá nome à praia, foi representado como luz-guia nos trajes das Baianas.

A escola trouxe também, bastante animadas, as alas do Firmamento estrelado, dos Enamorados da ilha do Amor e dos amigos de Adelaide e Zacharias.

O presidente da agremiação, Lauro Pantoja, avaliou o desfile como vibrante, alegre e carregado de identidade.

“A Universidade de Samba Piratas da Ilha construiu esse enredo de forma coletiva, com a participação ativa da comunidade piratiana ao longo de todo o ano, dedde a concepção do tema até os desenhos, alegorias e cada detalhe que ganharão vida na avenida. Foi um desfile emocionante, porque estamos exaltando a história e a cultura mosqueirense”, enfatizou Lauro Pantoja.

Por ter apenas duas agremiações carnavalescas desfilando, a Prefeitura de Belém não realiza concurso oficial. A secretária municipal de Cultura, Raphaela Segadilha, acompanhou o desfile das escolas e destacou a programação carnavalesca da Prefeitura de Belém.

“O prefeito Igor Normando organizou uma programação para todo o período de Carnaval, em Belém e nos distritos de Icoaraci, de Outeiro, e aqui em Mosqueiro não está sendo diferente. Apesar de não ter concurso, as escolas estão trabalhando o ano inteiro para realizar esse desfile maravilhoso para todo mundo que está aqui”, elogiou a secretária de Cultura.

O CarnaBelém tem eventos para todos os gostos e idade, onde as pessoas e suas famílias podem se divertir com tranquilidade e segurança.

“Sou de Belém e sempre curti o Carnaval em Mosqueiro. É um Carnaval maravilhoso, sem confusão, somente família, pessoas maravilhosas, que vêm pra brincar, pra curtir, aproveitar a vida e na maior paz, sem brigas, que é o que a gente quer: brincar e ser feliz”, elogiou a contadora Tatiana Monteiro.

“Nesse segundo dia de Carnaval, as escolas de samba trouxeram animação para o povo de Mosqueiro e visitantes que vieram aqui. A ilha está bem movimentada e a gente tem a expectativa para a segunda e terça-feira, quando os blocos vão passar no Corredor da Folia, os blocos que têm a maior interação com a comunidade”, afirmou o subprefeito do Distrito de Mosqueiro, Renato Brandão.

A segurança na ilha está garantida pelas operações da Polícia Militar; da Diretoria de Polícia Administrativa, da Polícia Civil, e agentes da Guarda Municipal de Belém.

Texto: Álvaro Vinente/Agência Belém