Surto de doença de Chagas açaí em Belém, registrado em janeiro de 2026, mostra que a falta de cuidado no preparo da fruta pode ser fatal. Com quatro mortes confirmadas em poucos dias, a situação reforça que métodos simples de limpeza são necessários para garantir a segurança de quem não abre mão dessa iguaria.
O problema começou em Ananindeua, onde 14 casos foram confirmados e dezenas de pessoas entraram em monitoramento rigoroso. O motivo foi o consumo de polpa contaminada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que acaba sendo moído com o fruto quando a higienização é feita de qualquer jeito.
Diferente do que muita gente pensa por aí, o congelamento não mata o parasita, o que torna a fiscalização nos pontos de venda ainda mais necessária. As vítimas, incluindo jovens e crianças, tiveram uma evolução rápida para a fase aguda, apresentando problemas graves no coração em pouquíssimo tempo após o consumo.
Como a doença de Chagas age no organismo?
A doença é silenciosa e pode morar no corpo por décadas sem dar um único sinal de vida. Na fase inicial, ela parece uma gripe comum com febre e mal-estar, mas o perigo real aparece quando o parasita se aloja nos tecidos do coração e do sistema digestivo, causando danos que nem sempre podem ser revertidos.
O barbeiro, aquele inseto que carrega o parasita, adora viver nos cachos da palmeira do açaí. Se o batedor não faz a limpeza correta antes de processar o fruto, o bicho vai para a máquina com a fruta e contamina toda a polpa que será vendida para as famílias da região.
O açaí continua sendo um alimento saudável?
Com certeza, o açaí é um superalimento e o “vilão” da história não é o fruto, mas o desleixo no preparo. Ele é riquíssimo em antocianinas, que protegem o coração, além de ter fibras e vitaminas que dão aquele gás no dia a dia. É uma das melhores fontes de energia que temos na nossa biodiversidade.
O cuidado deve ser com o local onde você compra o seu “litro”, priorizando estabelecimentos que tenham o selo de qualidade da vigilância sanitária. O açaí puro tem baixo índice glicêmico, mas o perigo mora no excesso de xaropes e açúcares que muitas lanchonetes colocam na mistura para baratear o produto.
Do Portal Em Foco, texto e fotos

