O Ibovespa recuou 0,17%, aos 185.929,33 pontos, baixa de 311,82 pontos e uma pequena correção após o novo recorde batido na véspera – e já são 10 recordes só em 2026. Foi um dia em que nada ajudou e o sentimento foi mais de cautela do que de ânimo.
O dólar comercial reverteu as recentes baixas e subiu 0,16%, a R$ 5,196, após chegar ontem ao menor valor desde o meio de 2024. Os DIs (juros futuros) acabaram subindo por toda a curva.
IPCA DENTRO DO ESPERADO
A terça-feira começou com a divulgação do IPCA de janeiro, que veio na mesma magnitude do IPCA de dezembro. Igualzinho, mas em linha com o esperado pelo mercado.
Para os analistas, o dado não configura uma volta descontrolada da inflação. “Não estamos vendo um ‘repique’, que seria uma reversão clara da tendência de queda com altas generalizadas, mas sim uma resistência técnica”, avaliou o especialista em investimentos Lucas Ghilardi. Ele ponderou que o processo de desinflação se tornou “mais lento e difícil”, mas não acabou.
Análise do Bradesco, inclusive, entende que, ao longo de 2026, a inflação deve atingir um nível mínimo de 3,4%, chegando a 3,5% em março. “Esse timing será importante para a condução do ciclo de corte de juros pelo Banco Central”, diz.
HADDAD EM TOM DE DESPEDIDA
Se o IPCA não ajudou, nem atrapalhou, e também não motivou, o clima de fim de festa também foi percebido em falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento durante a manhã, quando praticamente se despediu de compromissos com agentes de mercado. Ele falou mais do que considera realizações do que sobre o futuro.
Entre os destaques estão a Selic e a questão fiscal. “Gostaria de ter ido além. Agora, você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar o aumento de despesas. O Fundeb foi contratado até este ano, a escadinha de capitalização do Fundeb, as regras de flexibilização de elegibilidade do BPC foram contratadas em 2021, então, como é que você equaciona tudo isso com o clamor, que eu entendo da Faria Lima, mas assim, como dizem os baianos, eu só sou um só”, brincou, ao citar as dificuldades sobre o fiscal brasileiro.
Sobre a Selic, disse que não há razão para o atual juro real, mas alertou que é importante “cuidar” do Banco Central.
Ainda teve tempo de acenar com o que chamou de “uma nova arquitetura para acomodar as despesas assistenciais“, unificando programas e se aproximando do projeto de renda básica universal. Nada que animasse, nem desanimasse os ouvintes.
No mesmo evento, foi possível ouvir o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, lamentar a não candidatura nacional de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo; e ouvir o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falar sobre a América do Sul. Também nada que tenha empolgado demais.
Apesar de todos os recordes alcançados pela Bolsa nacional, a visão de gestoras locais é de que não há ainda um céu de brigadeiro para os ativos brasileiros – principalmente considerando a redução dos prêmios, ou seja, a elevação dos preços após o forte fluxo estrangeiro neste começo de ano.
DOW JONES: NOVO RECORDE
De lá do exterior também não houve muita ajuda. Em Wall Street, o Dow Jones até ampliou um pouco mais os recordes seguidos alcançados nas duas últimas sessões, mas o S&P 500 e o Nasdaq não tiveram forças para ganhos.
Isso porque os investidores aguardam os dados do payroll, o principal relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA, que sai amanhã, após ter sido adiado por conta da mini paralisação do governo federal na semana passada. Na quinta-feira (12), ainda por cima, tem a divulgação do CPI, o índice de preços ao consumidor. Hoje, as vendas no varejo de dezembro mostraram estabilidade, mesmo em um período de festas, que deveria impulsionar o consumo – nada que fosse muito emocionante tampouco.
Na Europa, também não se viu muita empolgação, com as Bolsas fechando predominantemente em queda, de olho nos balanços nos EUA. O ouro recuou, também em movimento de correção.
Petrobras e Vale viram no final, mas em rumos opostos
Nos negócios, também não houve muita animação. Petrobras (PETR4) passou o dia em queda, mas sem muita força, até virar na reta final e terminar com mais 0,08%, pouco impactada pela queda curta dos futuros do petróleo. Os investidores estão de olho mesmo é nos dados de produção e vendas de petróleo e combustíveis no 4T25 da empresa, que sai hoje, já com o mercado fechado.
Vale (VALE3) foi outra que ficou trocando de sinal durante toda a sessão, para fechar com baixa de 0,30%, nada tão empolgante.
Os bancos foram na mesma toada: Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) passaram o dia no chove-não-molha, mas acabaram positivos, com mais 0,05% e 0,23%; BB (BBAS3) terminou com menos 0,08% e Santander (SANB11) ficöu o dia no azul e fechou com mais 1,53%.
A B3 (B3SA3) terminou com baixa de 0,96%, em dia que analistas divergiram: um banco elevou recomendação e outro rebaixou. Os números não mentem: a ação subiu em torno de 30% só em 2026.
No campo dos balanços, BB Seguridade (BBSE3) subiu 2,30%, com os números do 4T25. A empresa mostrou cautela em previsão para 2026, apesar de otimismo sobre prêmios. Motiva (MOTV3) deu marcha-à-ré com 1,11%, mesmo com um trimestre positivo.
Hoje, é a vez de TIM (TIMS3) soltar seus números – a ação recuou 0,65%; e de Suzano (SUZB3), cujos papéis desvalorizaram 0,43%, na expectativa, mesmo com otimismo da XP.
A grande decepção do dia foi Eneva (ENEV3): as ações despencaram 9,66%, com preço-teto de leilão da Aneel muito abaixo do previsto.
A quarta-feira pode ter ânimos melhores. Ou não. É que além do payroll nos EUA, teremos a inflação na China (ao produtor e ao consumidor) e no Brasil (ao produtor). É muito dado para cravar um sentimento dos investidores. Melhor esperar para ver. (Fernando Augusto Lopes)
Do Infomoney/Arte: Freepik/Infomoney
