Sextou! O Ibovespa fechou esta sexta quase como começou, mas engrenou no finalzinho e conseguiu uma alta de 0,45%, aos 182.949,78 pontos, ganho de 822,53 pontos. O índice variou muito durante a sessão, trocando de sinal, como oscilação constante. Na semana, alta de 0,87%, marcando a quinta seguida no positivo, graças ao forte fluxo de capital estrangeiro, que já incita preocupações.
O real se posicionou bem na sessão e viu o dólar comercial perder 0,64%, a R$ 5,220. E os juros futuros (DIs) seguiram a toada da semana, sem direção definida.
DOW JONES NOS 50 MIL
Em Nova York, o sextou vai ser animado! Os principais índices sacudiram a poeira e deram a volta por cima. Todos subiram próximos dos 2%, após dias de muita instabilidade por conta do ouro, da prata e das ações de tecnologia, que conseguiram certa recuperação. O Dow Jones chegou aso 50 mil pontos pela primeira vez na história.
“Estamos vivendo uma verdadeira corrida do ouro com a IA”, disse à CNBC Gabriel Shahin, fundador da Falcon Wealth Planning. “Há investimentos que o Google, a Nvidia, a Meta e a Amazon estão fazendo. Há muito dinheiro sendo investido. É só que essa volatilidade do fluxo de dinheiro às vezes assusta as pessoas”, ponderou.
A inteligência artificial não é uma bolha, e o crescimento de encomendas relacionadas à IA em 2026 será maior do que no ano passado, afirmou Simon Lin, presidente da fabricante taiwanesa de eletrônicos Wistron.
BITCOIN E EUROPA
O Bitcoin também mostrou uma recuperação de mais de metade das perdas registradas durante o colapso do mercado de criptomoedas na quinta-feira (5), o maior desde que o colapso da exchange FTX de Sam Bankman-Fried abalou o setor de ativos digitais há mais de três anos. As coisas estão entrando nos eixos? Essa é uma questão que vai ficar ainda sem resposta.
Um dado contribuiu para o bom sentimento – e quem não gosta de bons sentimentos numa sexta-feira? A confiança dos consumidores dos EUA teve uma leve melhora em fevereiro.
Na Europa, onde o mundo virou os olhos para assistir a abertura das Olimpíadas da Inverno, em Milão, Itália, as Bolsas fecharam em alta e tiveram um sextou olímpico, no embalo dos fortes ganhos de Wall Street.
CENÁRIO DOMÉSTICO
No cenário doméstico, que era para estar no verão, bar lotado comemorando os recordes seguidos da Bolsa, cerveja estalando de gelada, parece mais um longo inverno fora de época, um ambiente de desconfiança rondando Brasília e São Paulo. O novo baque, que ajudou a impedir o Brasil de embalar ainda mais com o embalo de hoje de Nova York, é um velho baque, o fiscal.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a solução para os chamados supersalários no serviço público passa pela aprovação de uma lei que regulamenta as verbas indenizatórias, a nova frente fria a esfriar os ânimos dos investidores locais.
“Estou há três anos defendendo que possamos apreciar uma lei adequada para regular verba indenizatória. Não pode ficar sem regra, porque a verba indenizatória, como o próprio nome diz, é um ressarcimento”, disse, em meio à polêmica dos aumentos fura-teto salarial e fiscal aprovados pelo Congresso esta semana. Para ele, as regras fiscais precisam ser abraçadas pelos três Poderes.
Enquanto isso, a turma do Haddad segue tentando fechar brechas de sonegação. E tem a questão ainda não resolvida do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, que foi indicado por Haddad para assumir uma cadeira no Banco Central. Ele afirmou que não recebeu nenhum convite para o cargo ainda, mas aceitaria se este viesse. O mercado torce o nariz.
Só Itaú se salva entre os bancos
Acontece que é semana de balanço de bancos. Uma semana sensível. Ontem, após o fechamento do mercado, foi a vez do Bradesco (BBDC4) mostrar seus números do 4T25 e o mercado não os recebeu muito bem: banco teve bom trimestre, mas projeção conservadora levantou questão e ação ficou com menos 2,55%.
O Banco do Brasil (BBAS3) terminou de novo no vermelho, com menos 0,45%, e Santander (SANB11) caiu 1,74%, o primeiro a divulgar seu trimestre. Só o Itaú Unibanco (ITUB4) teve balanço bem recebido e suas ações subiram de novo, agora com mais 2,70%, ajudando a colocar o Ibovespa no alto.
Quem levantou o IBOV mesmo foi B3 (B3SA3), com amplos ganhos de 4,80%, após banco elevar recomendação das ações para compra.
Os varejistas também contribuíram para o índice ficar positivo, apesar da alta do endividamento das famílias. Vale destacar o avanço de C&A (CEAB3), com mais 3,00%, a ação mais negociada do setor hoje.
Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) cada uma 0,95%. A petroleira não conseguiu nem mesmo pegar impulso com a alta dos futuros do petróleo.
Semana que vem é a última antes do Carnaval. O ziriguidum vai ter que esperar, porque antes temos IPCA de janeiro na terça-feira, além de dados de serviços na quinta e de varejo na sexta. Nos EUA, a inflação ao consumidor (CPI) sai na quarta. Todo mundo torce por dados que abram um belo céu azul para os foliões e os negócios.
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