Gol quer levar seus aviões para Orlando, Roma, Lisboa e Paris

A Gol Linhas Aéreas dá sinais de uma mudança estratégica relevante ao avançar em estudos para operar voos de longa distância e, de forma inédita em sua trajetória, avaliar a incorporação de aeronaves widebody à frota. Conhecida historicamente por um modelo de negócios focado em operações domésticas e regionais com aviões de corredor único, a companhia passa agora a considerar um novo posicionamento no mercado internacional.

Os indícios mais recentes dessa possível inflexão vieram à tona com pedidos de slots no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) para destinos na Europa e nos Estados Unidos. Embora a empresa ainda não tenha confirmado oficialmente as rotas, o movimento é interpretado por analistas do setor como um passo concreto rumo à ampliação de sua malha internacional, especialmente em voos de médio e longo alcance.

Outro fator que reforça essa leitura é a contratação de aeronaves Airbus A330 pelo grupo Abra, holding controladora da Gol e da colombiana Avianca. O A330 é um widebody amplamente utilizado em operações transcontinentais, com autonomia e capacidade compatíveis com rotas entre o Brasil, a América do Norte e a Europa. A eventual disponibilidade desse modelo dentro do grupo abre caminho para sinergias operacionais e para a entrada gradual da Gol em mercados hoje atendidos por poucas companhias nacionais.

Segundo fontes do setor aéreo, os estudos internos envolvem não apenas a viabilidade operacional das rotas, mas também análises de custos, demanda, acordos de compartilhamento de voos (codeshare) e integração com parceiros internacionais. A estratégia, se confirmada, deve ser implementada de forma progressiva a partir de 2026, evitando movimentos abruptos e preservando o equilíbrio financeiro da empresa.

A possível entrada da Gol no segmento de longa distância ocorre em um contexto de reorganização do mercado aéreo brasileiro, marcado pela retomada da demanda internacional no pós-pandemia e pela necessidade de diversificação de receitas. Atualmente, a presença do Brasil em voos diretos para destinos europeus e norte-americanos é concentrada em poucas companhias, o que abre espaço para novos competidores.

Especialistas avaliam que a iniciativa pode representar um reposicionamento estratégico da Gol, ampliando sua relevância no cenário internacional e fortalecendo o hub de Guarulhos como ponto de conexão. Ao mesmo tempo, o desafio será manter a eficiência operacional que sempre caracterizou a empresa, agora em um segmento mais complexo e intensivo em capital.

Embora ainda em fase de estudos, os movimentos recentes indicam que a Gol observa atentamente as oportunidades no mercado global e se prepara para um novo capítulo de sua história, que pode incluir, pela primeira vez, voos intercontinentais operados com aeronaves de grande porte.

Do Jornal PASSAPORTE/Foto: Reprodução