O Irã continua ameaçando desde o dia 11 passado retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters.
A declaração ocorre em meio a uma onda de protestos contra o regime do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e após o presente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir na crise se o regime matar manifestantes pacíficos.
Em junho de 2025, o Irã atacou a base militar norte-americana Al Udeid, no Catar, em retaliação a bombardeios dos EUA feitos dias antes contra suas instalações nucleares. A base é a maior dos EUA no Oriente Médio e abriga mais de 10 mil soldados.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também acusou neste domingo os EUA e Israel de “semear caos e desordem” no país ao fomentar confrontos nas ruas e pediu para que a população se distancie do que chamou de “badernistas e terroristas”. No sábado, Trump também disse que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”.
Ao mesmo tempo, Pezeshkian buscou uma conciliação com a população ao dizer que o governo está pronto para “ouvir seu povo” e está determinado a resolver as questões econômicas.
Enquanto isso, os protestos no Irã já deixaram ao menos 538 mortos, afirmou o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, às agências de notícias Reuters e Associated Press no domingo (11).
O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”. Em meio aos protestos, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.
Segundo o jornal norte-americano “The New York Times”, Trump foi informado nos últimos dias por membros de seu governo sobre opções disponíveis para ataque militar no Irã. O presidente, no entanto, ainda não se decidiu sobre o que fazer em relação ao país do Oriente Médio, de acordo com o jornal.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, discutiu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de uma intervenção no Irã durante uma conversa telefônica no sábado, segundo a agência de notícias Reuters.
Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento se expandiu em escala e violência.
Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.
Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.
O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos.
Os EUA chamaram as acusações de “delirantes” e disseram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.
A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP.
O Irã não enfrentava um movimento dessa magnitude desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais.
Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.
PRESENÇA MILITAR
Nos últimos dias de janeiro de 2026, a região do Oriente Médio tem registrado um aumento significativo da presença militar americana, conforme reportagens de veículos israelenses e internacionais. Um grupo de ataque de porta-aviões, aviões de caça, submarinos e sistemas de defesa aérea foram deslocados para áreas estratégicas, enquanto o planejamento operacional para um possível ataque ao Irã estaria avançado, segundo fontes citadas pela mídia. Israel, por sua vez, elevou o nível de alerta de suas Forças de Defesa (IDF), concluindo grande parte das preparações defensivas diante da possibilidade de retaliações iranianas contra o país ou bases americanas na região. A visita do chefe do CENTCOM a Israel reforça a percepção de que o comando militar americano acompanha de perto a situação, mantendo prontidão máxima.
Apesar da escalada militar e das declarações duras do presidente Trump, que mencionou uma “massive fleet” e ameaçou ações fortes contra o Irã, analistas alertam que ainda não há confirmação de um ataque iminente. A mídia destaca que, embora a movimentação americana seja expressiva, ela pode incluir opções variadas, como sanções, ciberataques ou demonstrações de força, sem necessariamente resultar em ofensiva direta. A situação segue tensa, e especialistas recomendam acompanhamento atento das fontes primárias, já que o tom alarmista das reportagens não se traduz em confirmação oficial de operação militar.
Do G1, Diário 360 e CNN
