Moraes se declara impedido e Gilmar vai julgar habeas corpus de Bolsonaro

Em um movimento que chamou atenção no meio jurídico e político na madrugada deste sábado (17), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou impedido de analisar um habeas corpus apresentado em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com isso, ele remeteu o caso ao ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, que ficará responsável pela análise do pedido.

A decisão está sendo tomada no contexto do recesso do Judiciário, que começou em 12 de janeiro e vai até 31 de janeiro. Moraes exerce interinamente a Presidência do STF e responde pelas urgências nesse período, o que, segundo ele, o impede de decidir sobre um caso em que é apontado como autoridade coatora — ou seja, seria parte indireta da situação jurídica questionada.

Segundo o despacho, Moraes afirmou que não poderia julgar um pedido no qual ele próprio figura no centro da controvérsia processual, remetendo o habeas corpus a Gilmar Mendes justamente para evitar qualquer conflito ou questionamento sobre a imparcialidade da decisão.

O que o habeas corpus pede

O pedido de habeas corpus foi impetrado por um advogado que não integra oficialmente a defesa de Bolsonaro. Ele solicita duas principais providências:

  • Avaliação médica das condições de custódia: que o Conselho Federal de Medicina (CFM) verifique se o local onde Bolsonaro está custodiado tem estrutura adequada para o atendimento de sua saúde.

  • Prisão domiciliar: a possibilidade de que, caso haja comprovação de graves problemas de saúde ou risco à vida, Bolsonaro cumpra eventual pena em regime domiciliar em vez de permanecer na prisão convencional.

Até o momento, não houve decisão final sobre a concessão dessas medidas por parte de Gilmar Mendes.

Contexto da prisão de Bolsonaro e situação atual

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso em 22 de novembro de 2025 por decisão de Alexandre de Moraes em um processo que envolve acusações ligadas à tentativa de golpe e outras infrações graves.

Nos últimos dias, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a “Papudinha”, um anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda — considerado um local com condições de custódia um pouco melhores do que as instalações anteriores.

A remessa do habeas corpus e a declaração de impedimento de Moraes ocorrem neste cenário de judicialização intensa, com debates sobre o regime de cumprimento de pena e a condição de saúde do ex-mandatário em meio a um processo que tem enorme repercussão política e jurídica no Brasil.

O papel de Gilmar Mendes no caso

Com a transferência do processo, Gilmar Mendes assume a responsabilidade de analisar o habeas corpus durante o recesso do STF. Mendes é um dos ministros mais antigos da Corte e já desempenhou papel relevante em outros casos envolvendo a situação jurídica de Bolsonaro e questões de liberdade individual e de prisão preventiva no país.

A decisão de Moraes de se declarar impedido é vista como um cumprimento estrito das regras de distribuição e impedimento no STF, que preveem que ministros não devem julgar pedidos em que possam estar diretamente envolvidos enquanto autoridade coatora.

O que vem a seguir

O próximo passo é que Gilmar Mendes analise o mérito do Habeas Corpus, com atenção voltada principalmente para:

  • eventuais condições de saúde de Bolsonaro e se justifica a prisão domiciliar;

  • eventual parecer do CFM sobre atendimento médico adequado;

  • possíveis implicações políticas e jurídicas da decisão, num momento de forte polarização no país.

A decisão deve ser acompanhada de perto por advogados, políticos e pela opinião pública nos próximos dias.

Da Redação com informações da Agência Ronabar