Vídeo: Fábrica de Maués produz guaraná de forma tradicional no modelo de mil anos

“O guaraná em Maués, no Estado do Amazonas, até hoje é produzido de forma tradicional, segundo o modelo dos indígenas, ou seja, o modelo de nais de mil anos e isso só acontece nesta cidade de Maués”, afirma o produtor italiano Lucas D’ambros, que há 23 anos reside e empreende na fábrica desse produto, de forma sustentavel em Maués.

Em 2002, Lucas chegou ao Brasil para trabalhar como voluntário da igreja católica e após terminar esse período, voltou para Itália e logo em seguida, em 2006, embarcou novamente e retornou ao solo brasileiro de Maués a fim de trabalhar na produção do guaraná. Empreendimento aquele que continua até hoje.

E acrescenta Lucas: “consumir o guaraná em pó, assim de cor clara, apesar de ser benéfico para saúde, pois possui elementos antioxidantes, a população em geral, ainda apresenta resistencias devido à lembranca de que o guaraná não é saboroso. Então, nós pensamos em misturar o guaraná com outras materias primas locais, como o cacau do chocolate, tucumã, castanha e muitos outros e continuamos pesquisando. Dessa forma, consomem chocolate energético, licor e cachaça com o aroma e ao mesmo tempo, consomem a energia natural da floresta”.

Ainda conforne Lucas, em outros regiões, a casca da semente do guaraná vai junto na produção do extrato e xarope do produto, ou seja, todos os biotipos presente no guaraná, assim o aroma e o sabor acabam ficando para o segundo plano. O guaraná de Maués, pelo contrário, preza pelo sabor e aroma e são estudados continuamente na busca de produtos de qualidade.

“A floresta tem vida, quando se tem o benefício para quem mora lá. Árvore em pé dá mais dinheiro aos ribeirinhos, com a produção, então é meu papel fazer conexão entre a matéria prima e o produtor, no caso o ribeirnho” finaliza o produtor Lucas sobre a preservação ambiental da floresta aliada à sobrevivência da população ribeirinha.

Maués, distante 267 km de Manaus e população estimada em 65 mil habitantes, é o municipio detentor do título de “Capital Nacional do Guaraná”, conforme Lei nº 15.216, sancionada e publicada no Diário Oficial da União de 23 de setembro de 2025. O município responde por grande parte da produção de guaraná no Brasil onde também é realizada a já tradicional Festa do Guaraná que celebra a sua safra e lendas.

Luiz Canindé também trabalha com o guaraná. Ele é agricultor e produtor há 28 anos, administrando a fazenda que existe há 107 anos e explica “o processo do   nosso beneficiamento é tradicional, pois aproveitamos apenas a amendoa do guaraná. O beneficiamento inicia com o despolpamento do produto, pisoteando como se faz com a uva ou passando pelo maquinário próprio, depois vai para lavagem e separação da casca e amendoa. Finalmente passa pela torrefação quando já é possível sentir o aroma e o sabor. Culturalmente em Maués, consumimos o guaraná em pó misturado apenas com a água, sem o açucar ou outros ingredientes”.

Luiz faz parte da terceira geração na administração da fazenda de guaraná fundada pelo seu avô, Francisco Canindé, em 1918. Seu avô partiu do estado do Ceará e não voltou mais ao nordeste, fixando em Maues onde adquiiriu o terreno para cultivar o guaraná. Na época a fazenda era localizada longe da cidade, na zona rural, entretanto, atualmente está englobado na zona urbana porque a cidade cresceu. Na fazenda além da cultura do guaraná há também o seu viveiro e o setor do beneficiamento.

Além da produção do guaraná, Maués também é conhecida pela produção de um importante óleo vegetal para a indústria da perfumaria, conhecido como Pau-Rosa, um importante fixador de perfumes. Um pouco desse processo pode ser conferido durante a rota da cachaça, realizada pela Experiência Mawé, que inclui a visita à única fábrica de cachaça na cidade, que fica em uma propriedade centenária onde funcionava uma usina de extração de pau-rosa.

Texto e foto: Divulgação