A Casa Branca afirmou na terça-feira (6) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está discutindo opções para adquirir a Groenlândia. Entre as hipóteses avaliadas está o uso das Forças Armadas. O tema tem gerado repercussão internacional, principalmente na Europa.
CONTEXTO
Em comunicado enviado à agência Reuters, a Casa Branca disse que a Groenlândia é estratégica para os Estados Unidos para conter adversários na região do Ártico. O governo disse que várias opções de política externa estão sendo analisadas.
- Segundo a Reuters, na mesa também estão opções para uma solução diplomática, como a compra da ilha ou a negociação de um acordo de livre associação.
- Os Estados Unidos já demonstraram interesse em adquirir a Groenlândia no passado, principalmente por razões de segurança. Os norte-americanos mantêm uma base militar na região.
- Trump começou a defender a anexação da Groenlândia ainda durante o primeiro mandato. Ele voltou a tratar do assunto ao retornar à Casa Branca, em janeiro do ano passado.
- “A Groenlândia é sobre a paz mundial. Precisamos da Groenlândia. É muito importante para a segurança internacional. Se você olhar para as hidrovias, verá que há navios chineses e russos por todo lugar… Não estamos contando com a Dinamarcaou qualquer outro país para cuidar dessa situação”, afirmou em março.
- Em dezembro, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar do território. À época, o presidente norte-americano voltou a afirmar que precisava da Groenlândia.
- O movimento gerou críticas da Dinamarca e da Groenlândia. À época, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague e classificou as declarações como inaceitáveis.
- O governo groenlandês afirmou que apenas a ilha pode decidir sobre o próprio futuro.
· Novas tensões e reação europeia
- O assunto voltou a ganhar força no sábado (3), após os Estados Unidos realizarem uma operação militar na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro.
- Poucas horas depois, Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicou em uma rede social um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira dos EUA, com a legenda “em breve”.
A publicação foi interpretada por autoridades europeias como uma ameaça e aumentou o temor de que a Groenlândia pudesse enfrentar uma situação semelhante à da Venezuela.
REAÇÃO
Nesta terça-feira, líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território.
- O texto afirma que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
- Tanto os Estados Unidos quanto a Dinamarca fazem parte da aliança militar.
- A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que um eventual ataque dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da Otan.
“Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse à, assegurando que está fazendo “tudo o que é possível” para evitar que isso aconteça.
Um dia antes, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, usou as redes sociais para reclamar das atitudes dos Estados Unidos.
“Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu.
A Dinamarca anunciou no ano passado um investimento de 42 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 35,4 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.
INTERESSES NA GROENLÂNDIA
A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa.
Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.
INTERESSES
Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico.
- A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural.
- No entanto, a extração mineral enfrenta oposição de povos indígenas e restrições do governo local.
- Já a exploração de petróleo e gás é proibida por razões ambientais.
A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa.
Do G1
