Pressão: Países da América do Sul procuraram Lula para resposta à prisão de Maduro

Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, no sábado, que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro, países vizinhos recorreram ao Brasil para entender qual seria a posição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva diante da ofensiva militar. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Segundo a apuração, ao menos um chanceler sul-americano entrou em contato direto com a embaixada brasileira para saber como o Itamaraty se manifestaria oficialmente sobre a operação americana. O movimento revela que o Brasil passou a ser visto, naquele momento, como referência diplomática regional para balizar reações à ação dos EUA.

Após as consultas, o presidente Lula adotou um discurso duro e público. Ele afirmou que a ofensiva americana ultrapassou uma “linha inaceitável” e classificou o episódio como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, além de um “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.

A posição brasileira foi acompanhada por outros países da região. Chile, Colômbia e México também procuraram se alinhar a uma condenação formal do ataque, defendendo o respeito ao direito internacional e à não intervenção militar.

Em sentido oposto, governos como o da Argentina celebraram a captura de Maduro, enquanto a Bolívia declarou apoio ao povo venezuelano na “recuperação de sua democracia”, classificando o regime deposto como um “narcoestado”.

A procura de chanceleres pelo Brasil evidencia o peso político e diplomático do país no tabuleiro regional em meio à crise venezuelana e expõe a fragmentação da América Latina diante da intervenção dos Estados Unidos.

Da Hora Brasília