Efeitos no corpo a médio e longo prazo com bebida em excesso neste fim de ano

EFEITOS DE PICOS FESTIVOS PODEM PERMANECEM NO CORPO MUITO DEPOIS DA CELEBRAÇÃO TERMINAR

As festas de fim de ano costumam ser de encontros e reencontros, mesas fartas e brindes que se acumulam sem que a gente perceba. Entre espumante, vinho e drinks, muitos ultrapassam o limite sem notar — e, embora a ressaca seja o efeito mais lembrado, o corpo começa a sofrer muito antes dos sintomas clássicos.

A gastroenterologista e endoscopista Fabrícia Dias Maciel explica que “o fígado começa a sofrer muito antes de dar sinais clássicos de doença”. Por ser um órgão silencioso, os primeiros alertas são discretos: cansaço desproporcional, sono não reparador, estufamento, piora do refluxo, náuseas e intolerância a alimentos gordurosos. Isso ocorre porque o álcool é metabolizado como toxina, gerando acetaldeído — substância inflamatória que provoca estresse oxidativo e pode causar acúmulo transitório de gordura no fígado. “Os exames podem estar normais ou apenas discretamente alterados, o que dá uma falsa sensação de segurança”, reforça.

O equívoco mais comum é acreditar que beber apenas no Natal e Réveillon não faz mal. Segundo a especialista, o organismo reage intensamente aos picos de consumo, conhecidos como binge drinking, padrão muito frequente nas celebrações. Para mulheres, são quatro ou mais doses em duas horas; para homens, cinco ou mais. Cada pico deixa uma “marca inflamatória” e, ao longo dos anos, reduz a reserva funcional do fígado.

O álcool não afeta só o fígado. Ele também bagunça o funcionamento do intestino, deixando a digestão mais lenta e a barriga mais sensível. Depois de exageros, é comum que o intestino fique “solto demais” ou “preso demais”, com gases, desconforto e dor abdominal. Isso acontece porque o álcool desorganiza o equilíbrio natural das bactérias intestinais e deixa o organismo mais vulnerável à inflamação.

A longo prazo, episódios repetidos de excesso, somados a fatores como ganho de peso, resistência à insulina, sedentarismo e sono ruim, podem transformar inflamações transitórias em quadros persistentes, evoluindo para fibrose e até cirrose. Nessa fase, mesmo reduzindo o consumo, a recuperação não é completa. Além disso, o álcool acumulado ao longo da vida aumenta o risco de câncer, doenças cardiovasculares, pancreatite e distúrbios cognitivos — motivo pelo qual a OMS tem reduzido as recomendações de “dose segura”.

“Embora não exista estratégia capaz de anular os efeitos do excesso, algumas medidas reduzem o impacto: fazer dias “off”, que já diminuem marcadores inflamatórios após 48 horas, comer antes de beber, intercalar álcool com água e evitar ingerir bebida nas três horas que antecedem o sono, já que o álcool fragmenta o descanso e aumenta a ansiedade no dia seguinte”, finaliza a médica.

No fim, não se trata de tirar o prazer das festas, mas de evitar que o exagero transforme janeiro em uma “UPA metabólica”, como brinca a especialista. O equilíbrio está nas pequenas decisões tomadas antes da primeira taça.

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A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.653 vagas de Medicina aprovadas e 3.543 vagas de medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br

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