Neste último final de semana de novembro, o Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia, abre as portas sem cobrança de ingresso neste sábado (29) e amanhã domingo (30). Uma das principais atrações é o quati ruivo Nando, que recebeu o nome para homenagear o cantor Nando Reis e acabou apadrinhado pelo músico. O novo morador se tornou o xodó do público.
O quati, resgatado no início do ano pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), passou por meses de reabilitação após ser encontrado ainda filhote, com fraturas nos dois membros posteriores, e hoje vive saudável ao lado de outros quatis no espaço.
HOMENAGEM CARINHOSA
A diretora do Departamento de Gestão de Áreas Especiais (DGAE) do Bosque, Ellen Eguchi, explica que o nome do quati foi escolhido pela equipe, motivada pela admiração que tem pelo cantor Nando Reis.
“Todo mundo aqui é muito teu fã, e por isso colocou esse nome nesse rapaz. Estamos muito felizes que tu aceitaste ser padrinho aqui do Bosque Rodrigues Alves, na Amazônia, desse cara. Ele está famoso no mundo inteiro, mas o padrinho que a gente queria era você mesmo. Muito obrigada pela tua sensibilidade”, disse Ellen, em um vídeo gravado em resposta ao cantor que comentou a homenagem nas redes sociais.
REAÇÃO DO CANTOR
Ex-integrante dos Titãs, Nando Reis mantém uma sólida carreira solo há mais de duas décadas com Belém na agenda de shows. Ele compartilhou nas redes sociais a surpresa e alegria de ser homenageado como nome do quati.
“Eu nunca recebi uma homenagem que me engrandecesse tanto como ser de um quati ruivo batizado com o meu nome. E mais, ainda, ter o convite de apadrinhá-lo. Já sou padrinho, quero conhecer o meu afilhado. Eu amo o Bosque Rodrigues Alves, vou a Belém desde os anos 80. Agora, eu quero ir conhecer o meu afilhado e vocês, que quero conhecer pessoalmente. Me manda um beijo… o meu afilhado”, disse o cantos em um vídeo que viralizou nas redes sociais.
A HISTÓRIA DO PEQUENO NANDO
O filhote quati chegou ao Bosque no início do ano, resgatado pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA). Quando foi acolhido, apresentava comportamento muito quieto e discreto, o que chamou a atenção da equipe veterinária.
De acordo com a veterinária Amanda Simões, um check-up revelou que ele tinha fratura nos dois membros, o que explicava a dificuldade de locomoção.
“No check-up, descobrimos que ele tinha fratura nos dois membros. Ele meio que se arrastava. Entramos com protocolo, fizemos medicação e fisioterapia. Foi uma reabilitação longa, de meses. Agora ele já anda direitinho, consegue escalar, está ótimo de saúde”, assegura Amanda.
Acostumado à presença humana, Nando não pode ser reintroduzido na natureza, permanecendo no Bosque ao lado de outros dois quatis resgatados, Duque e Artemis.
O quati é um mamífero selvagem, parente próximo do guaxinim, reconhecido pelo focinho longo e cauda anelada. É encontrado em quase todo o território nacional, com exceção de algumas regiões do Rio Grande do Sul, onde já está ameaçado de extinção. São animais sociáveis, curiosos e diurnos, vivendo em grupos e interagindo constantemente com o ambiente. O corpo mede entre 40 e 65 cm, com cauda que pode chegar a 69 cm, e pesam de 3 a 10 kg. Alimentam-se de frutas, flores, ovos, insetos e pequenos vertebrados, desempenhando um papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração das florestas.
Agora com saúde recuperada, nome famoso e padrinho ilustre, Nando inicia um novo capítulo no Bosque — o de encantar visitantes, ampliar diálogos sobre conservação e fortalecer ainda mais o vínculo afetivo do público com a natureza amazônica.
BOSQUE EM NOVO MOMENTO
A chegada do quati Nando ocorre em um período emblemático para o Bosque Rodrigues Alves, que passa por uma revitalização extensa e cuidadosa. O espaço, de 142 anos, é considerado um dos maiores refúgios verdes de Belém, abriga mais de 10 mil árvores de 300 espécies nativas, distribuídas em 15 hectares, dos quais mais de 80% são áreas verdes.
Cerca de 430 animais resgatados vivem no Bosque — muitos vindos de apreensões realizadas por Ibama, BPA, Semma e Semas. Por não terem mais condições de sobrevivência na natureza, encontram ali, um lar definitivo, seguro e monitorado.
Além do papel de conservação, o Bosque tem forte atuação como espaço de educação ambiental, recebendo escolas, pesquisadores e cerca de 20 mil visitantes por mês, que têm a rara oportunidade de vivenciar a floresta amazônica no coração da cidade.
VISITAÇÃO
O Bosque Rodrigues Alves abre de quinta a domingo, das 8h às 16h. A entrada custa R$ 2,00, com gratuidade para crianças até 6 anos, idosos e pessoas com deficiência. Crianças de 7 a 12 anos pagam meia-entrada. No último domingo de cada mês, a visita é gratuita para todos.
Da Agência Belém

