Últimas Notícias
Economia nacional - Teto do seguro-desemprego sobe para R$ 2.518,65 após reajuste Moraes nega mais um recurso de Bolsonaro contra condenação por golpe TV Brasil exibe jogo entre Desportiva Ferroviária e Rio Branco Polícia de SP prende 3 envolvidos na morte do ex-delegado Ruy Ferraz General preso por golpe vai trabalhar no Comando Militar do Planalto Cidades - Vídeo: Com a Usina da Paz Icoaraci/Outeiro, já são 21 em funcionamento no Pará. Igor Normando teve grande participação na obra. Paisagismo - Novo bairro, parque urbano e polo de saúde vão transformar Val-de-Cans e comunidades do entorno do aeroporto Aviação Comercial - Brasil pode ganhar nova companhia aérea regional em breve; saiba mais Saúde Pública - A partir do dia 4 de fevereiro, o Brasil terá novas regras para o transporte de produtos agropecuários nas bagagens de passageiros que estejam fazendo viagens internacionais. A medida está prevista em portaria publicada em dezembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A meta é impedir a entrada de “agentes causadores de doenças e pragas que possam colocar em risco a saúde pública, o meio ambiente e o patrimônio agropecuário brasileiro”, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). A fiscalização será feita por meio do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), a quem caberá analisar os riscos que alguns itens podem implicar, caso entrem no país. Lista de produtos Entre os itens estão animais, vegetais, bebidas, fertilizantes, corretivos, agrotóxicos, alimentos, produtos de madeiras, estimulantes e biofertilizantes. Também integram a lista materiais genéticos para uso na reprodução animal e na propagação de vegetais; produtos de uso veterinário e destinados à alimentação animal; e inoculantes – produtos que contêm bactérias ou fungos destinados a favorecer o desenvolvimento das plantas. “A lista de produtos agropecuários estabelecida na portaria poderá ser atualizada a qualquer momento, em decorrência de eventos sanitários, da produção de conhecimento para a gestão do risco zoofitossanitário (relativo à segurança da saúde animal e vegetal), bem como de alterações nos procedimentos aduaneiros”, informou a Secom. Documentação Quem estiver transportando, durante a viagem, produtos desses tipos, que necessitem de autorização de importação, terá de preencher um documento emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária Mapa, “que será encaminhado eletronicamente pelo serviço técnico emissor às unidades do Vigiagro nos locais de ingresso”. A Secom explica que o documento deverá conter informações descrevendo os bens agropecuários a serem importados, incluindo quantidade, forma de acondicionamento, país de origem e de procedência; modal de transporte (que poderá ser aéreo, marítimo, fluvial, lacustre, rodoviário ou ferroviário); via de transporte autorizada; e local de ingresso no território nacional. Também será necessária a apresentação do prazo de validade da autorização de importação, além da dados do viajante que transportará os produtos. A declaração será por meio do documento e-DBV – Declaração Eletrônica de Bens do Viajante, a ser entregue na unidade do Vigiagro por meio do canal “Bens a Declarar”. Saúde Pública - Brasil terá novas regras para entrada de produtos agropecuários

Celular, pau de selfie e microfone: influencers de Cristo viajam para pescar likes no Vaticano

A cena se tornou comum nesses dias de sucessão na Igreja. Em meio à multidão de fiéis, alguém saca o celular e começa a gravar um vídeo de costas para a Basílica de São Pedro. A morte do Papa Francisco e a iminência do conclave aumentaram o interesse pelos ritos do catolicismo. Influenciadores com e sem batina se anteciparam à fumaça branca e viajaram para caçar likes no Vaticano.

— Estava em Ouro Preto para gravar um documentário sobre a Semana Santa quando soube que o Papa tinha morrido. Na mesma hora, conversei com minha equipe e compramos as passagens para Roma — conta o padre Fabio Marinho, que também se apresenta nas redes como psicanalista, teólogo, filósofo, professor e palestrante.

Considerado uma celebridade no meio católico, ele ostenta cerca de 4 milhões de seguidores, somando redes como TikTok, Instagram. No conclave, o mineiro de 44 anos tem produzido vídeos didáticos sobre o processo de escolha do novo pontífice.

— Estou passando para o povo tudo o que vejo por aqui. As pessoas têm muita curiosidade sobre os bastidores da Igreja. E adoram quando a gente desmistifica um pouco o que acontece lá dentro — diz, apontando para a Capela Sistina.

Ligado à Diocese de Uberlândia, o padre conta que não tem mais paróquia fixa. Trocou o altar pelas redes com a ajuda de uma equipe que inclui produtor de vídeo, editor, revisora e secretária.

Outros sacerdotes suam a batina para pescar cliques por conta própria. É o caso do padre Aylson Bessa, que circula pela Praça de São Pedro com uma mochila nas costas. Nela carrega seu kit youtuber: celular, bateria portátil, microfone de lapela e pau de selfie.

— Quando os cristãos foram proibidos de entrar nas sinagogas, Jesus disse para eles pregarem do telhado. Hoje o telhado são as redes sociais — filosofa Bessa, lembrando que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já convocou reuniões para treinar influenciadores católicos.

Para o cearense de 54 anos, o conclave foi uma bênção. Em 30 dias, superou a marca de 3 milhões de visualizações no Instagram.

— A receita é ter bom conteúdo e dar o recado de forma rápida. Se o vídeo tiver mais de três minutos, ninguém vê — ensina.

VIA-CRÚCIS

O padre começou a carreira digital quando foi estudar arqueologia bíblica em Jerusalém e notou a demanda por conteúdos sobre a Terra Santa. De tudo o que produziu lá, os vídeos que mais viralizaram foram os que retratavam a Via-Crúcis.

— Se eu posto um vídeo sobre o Santo Sepulcro, dá 20 mil visualizações. Se posto sobre o monte Calvário, onde Jesus foi crucificado, dá mais de 100 mil. Mexeu com o sofrimento de Cristo, aparece uma multidão para ver — conta o padre, que só grava vestido como sacerdote.

Influenciadores leigos também aproveitam o conclave para ganhar mais seguidores. De jeans e camiseta, Guto Azevedo passou a manhã de sábado gravando vídeos com um assistente. Aos 35 anos, o cearense comanda o Santo Flow, podcast com 550 mil ouvintes inscritos.

— O pessoal tá me reconhecendo na rua aqui no Vaticano — orgulha-se Azevedo. — Nossa intenção é mostrar tudo o que acontece aqui. Nos dias do conclave, fiz muitas transmissões ao vivo. Agora quero mostrar o clima em Roma depois da eleição do Papa — conta.

Azevedo trabalhava como radialista em Juazeiro do Norte quando teve a ideia de lançar um podcast religioso. Três anos depois, comanda uma equipe de dez funcionários e tem estúdio próprio em Alphaville, nos arredores de São Paulo.

— Havia uma demanda reprimida por um podcast católico. Quem chega primeiro ao rio bebe água limpa, né? — diz.

Seu recorde de audiência foi uma entrevista com o popular Frei Gilson, com quase cinco horas de duração. Agora ele quer gravar com outras celebridades católicas, como os padres Fábio de Melo e Marcelo Rossi.

Segundo Azevedo, a fórmula do sucesso é investir na linguagem coloquial e fatiar as entrevistas em cortes de poucos segundos. Ele publica cerca de 30 por dia, em diferentes plataformas.

— O corte é a mola que impulsiona um podcast — ensina.

Para bancar suas produções e viagens, Marinho investe no filão de palestras e livros religiosos. Nesta semana, aproveitou e lançou um novo e-book: “O Segredo do Conclave”, vendido a R$ 27 na internet.

PARCERIAS E HATERS

Com tanta audiência, os influencers de Cristo também são procurados por empresas interessadas em patrocínios e parcerias. Os dois padres dizem ter recusado propostas para fazer anúncios de bets. O dono do Santo Flow reclama que muitas marcas evitam patrocinar podcasts de temática religiosa.

— O católico come, vai ao banco, compra remédio na farmácia. Mas muitas empresas têm medo de se associar a nós — protesta.

Junto com os cliques, também aparecem os haters. Os dois padres influenciadores dizem bloquear quem faz comentários agressivos. Bessa afirma vigiar as próprias publicações para não pecar pela vaidade.

— Nas redes, existe a evangelização e existe a autopromoção. Eu me penitencio quando acho que estou me promovendo — confidencia.

Com crachás de imprensa fornecidos pela Santa Sé, os influencers de Cristo enfrentam as mesmas dificuldades dos jornalistas no Vaticano: longas filas, muitas barreiras de segurança e pouco sinal de internet.

— Ontem a minha internet caiu bem na hora em que ia sair a fumaça preta. Foi terrível! — queixou-se o padre Marinho na quinta-feira, minutos antes da escolha do Papa Leão XIV.

Do Extra/Globo