Bolsonaro fala de perseguição política, nega golpe e faz discurso de conciliação

Em um grande ato público marcado para a tarde deste domingo, 25, na Avenida Paulista, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, do PL, negou qualquer plano para um golpe no final de seu governo no Brasil. Ele rechaçou as acusações, pediu anistia aos presos pelos atos do dia 8 de janeiro do ano passado e disse estar disposto a esquecer o passado e reconstruir o país pela reconciliação. O ex-presidente, que havia recomendado aos manifestantes apenas a se apresentarem de verde e amarelo, não fez citações ao STF, mas diz ser vítima de perseguição política sem trégua.

“O que eu busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar uma maneira de continuarmos em paz. Não continuarmos sobressaltados”, disse, também lamentando o que classificou como “abusos por parte de alguns”.

Em um trio elétrico, ao lado de autoridades, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do pastor Silas Malafaia, Bolsonaro pontuou que está sendo perseguido e negou que houve tentativa de golpe.

“Saí do Brasil e essa perseguição não terminou. É joia, é questão de importunação da baleia, dinheiro que teria mandado para fora, é tanta coisa que eles até mesmo acabam trabalhando contra si”, listou.

“O que é golpe? É arma, tanque na rua, conspiração, trazer classe política para seu lado, empresariais. Nada disso foi feito no Brasil. Agora, o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de Estado de Defesa. Golpe? Usando a constituição? Tenham santa paciência”, adicionou.

Ele também pediu ao Congresso que faça um projeto de anistia para os “pobres coitados do 8 de janeiro”, avaliando que as penas contra aqueles que invadiram as sedes dos Três Poderes “fogem ao mínimo da razoabilidade”.

Jair Bolsonaro também destacou que o ato deste domingo foi convocado para haver a “fotografia para o Brasil e mundo do que é a garra e determinação do povo brasileiro”.

“Com essa fotografia, mostramos que podemos até ver um time de futebol sem torcida ser campeão, mas não conseguimos entender como existe um presidente sem povo ao teu lado”, afirmou, sem citar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ELEIÇÕES

No fim do discurso, o ex-presidente também abordou as eleições municipais de 2024, pedindo aos apoiadores que “caprichem no voto”.

Ele também falou para “nos prepararmos para 2026”, pois “o futuro a Deus pertence”. O ex-presidente não poderá disputar o pleito presidencial neste ano, pois foi julgado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por oito anos, com início nas eleições de 2022.

Sobre isso, ele destacou: “Não podemos concordar que um Poder tire do palco político quem quer que seja, a não ser por um motivo extremamente justo. Não podemos pensar em ganhar as eleições afastando os opositores do cenário político”.

TARCÍCIO AGRADECE

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também discursou no ato na Avenida Paulista, relembrando o governo Bolsonaro e dizendo que não era ninguém e o ex-presidente apostou em pessoas como ele.

Tarcísio foi ministro da Infraestrutura entre 2019 e 2022. Posteriormente, deixou o cargo para concorrer ao Executivo paulista.

“Minha gente, quem eu era? Eu não era ninguém, e o presidente apostou em pessoas como eu. Como tantos outros que surgiram, que tiveram posição de destaque, que ele acreditou”, disse o governador.

Antes do ato se iniciar, compareceu o presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, que está proibido de se aproximar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ex-primeira dama, Dona Michelle Bolsonaro, fez uma oração antes do começo da manifestação.

 

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