Porto de Belém realiza o primeiro embarque do Brasil de toras de madeira certificadas em navio 'break bulk' - JORNAL PASSAPORTE

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sábado, 6 de agosto de 2022

Porto de Belém realiza o primeiro embarque do Brasil de toras de madeira certificadas em navio 'break bulk'


Navio M/V Liberator no Porto de Belém para o inédito embarque de madeira teca certificada. Carga tem a Índia como destino final — Foto: Divulgação/Grupo Atlântica Matapi
Navio M/V Liberator no Porto de Belém para o inédito embarque de madeira teca certificada. Carga tem a Índia como destino final — Foto: Divulgação/Grupo Atlântica Matapi

Navio M/V Liberator no Porto de Belém para o inédito embarque de madeira teca certificada. Carga tem a Índia como destino final — Foto: Divulgação/Grupo Atlântica Matapi

Porto de Belém entra para a história ao realizar o primeiro embarque de toras de teca certificadas em navio "break bulk" do Brasil. No dia 9 de julho, o navio M/V Liberator deixou a capital paraense carregado com 15.200 toneladas de madeira com destino o porto de Kandla, na Índia, com chegada prevista nesta terça-feira (9).

Para regiões onde o calado dos rios não são tão profundos, dificultando a entrada dos grandes navios cargueiros, e a crise dos contêineres acentuada pela pandemia, o modelo "break bulk" (carga fracionada) foi a melhor alternativa para recolocar o porto histórico de Belém, construído em 1909, na rota do comércio internacional. Nesta primeira viagem, 40 mil toras certificadas, que encheriam 580 contêineres, devem ser descarregadas na Índia.

"A gente conseguiu, de forma pioneira, efetivar isso dentro do nosso estado, dentro da nossa cidade, onde o porto não estava mais sendo trabalhado, é realmente um projeto que abre portas e mostra que o Porto de Belém ainda tem condições de trabalhar e de abrigar muito o movimento de carga", contou Tiago Pinto, vice-presidente do Grupo Atlântica Matapi.

O desafio foi muito grande. Diante das adversidades do mercado mundial em relação ao contêiner, do que aconteceu na pandemia e a guerra (na Ucrânia), foi uma operação muito especial porque foi uma solução logística feita com o cliente e a Companhia Docas do Pará (CDP) no embarque a granel da teca. A gente recebeu com muita satisfação esse efeito histórico a nível Brasil", comemorou.

O navio tipo "break bulk" costuma ser utilizado no transporte de cargas em sacos, caixas, engradados, tambores, barris, e pouco perecíveis. Além disso, atende a demanda de transporte de vários clientes com o objetivo de dividir o frete. A solução para receber toras de madeira vem justamente no momento em que o setor logístico enfrenta os desafios impostos pela pandemia, que resultaram em escassez de contêineres com o reaquecimento da economia global. Antes, cargas de madeira eram exportadas em contêineres por Vila do Conde, em Barcarena, no nordeste do estado.


Navio Liberator sendo carregado com toras de madeira teca certificada no porto de Belém, no Pará — Foto: Divulgação/Grupo Matapi

Ao todo, o embarque das toras de madeiras teca certificadas no Porto de Belém durou sete dias. Por ser uma operação pioneira no país, todo o processo de carga nos porões do M/V Libarator foi constantemente avaliado e ajustado durante o serviço.

"Eu acho que o foco daqui para frente é pegar tudo que aconteceu, colocar no papel, melhorar e ficar muito mais competitivo lá fora. Isso vai trazer mais receita para nossa empresa, paro nosso Estado, para comunidade como um todo. É mais trabalho, mais fluxo, mais economia entrando, mais renda sendo gerada. Não é só a gente exportando, mas toda a cadeia, a logística, por trás disso. É fantástico", destacou Sylvio Coutinho, diretor executivo da TRC.

Logística além mar

Para que as 40 mil de toras de madeira certificada fossem embarcadas no M/V Liberator, o serviço iniciou em Santa Maria das Barreiras, sudeste do Pará.

Da fazenda do Grupo TRC até o Porto de Belém, 32 caminhões bitrem da G M C Transportes Coletivos LTDA, pertencente ao Grupo Galiassi, percorreram 1.100 quilômetros. Ao todo, 38 motoristas realizaram 310 viagens, de 15 de maio até 5 de julho. Foi um desafio do tamanho da operação inédita.

"Foi um trabalho domingo a domingo, com nossos caminhões trafegando por trechos precários de rodovias federais, pontes de madeiras, buracos e estradas com cascalho. Ao final de tudo veio o sentimento de satisfação de ter completado com êxito nossa tarefa, que foi de transportar a carga para o inédito embarca em Belém", contou Pamela Galiassi, proprietária da G M C Transportes Coletivos LTDA.

Caminhão da G M C Transportes Coletivos LTDA deixando a carga para o embarque no M/V Liberator — Foto: Divulgação/ Grupo Matapi

Porto de Belém

O Porto de Belém foi inaugurado em 1909, com 120 metros de cais e um armazém com dimensões 20x100 metros, para atender as atividades voltadas ao descarregamento de mercadorias ao mercado consumidor da região.

Em 1915, o porto da capital paraense se tornou um dos mais importantes do Brasil com a exportação da borracha. Na época, Belém vivia o período da "Belle Époque Amazônica", tornando-se uma das capitais brasileiras mais desenvolvidas com eletricidade, sistema de água encanada, esgotos, museus e cinemas. Tudo fruto da exportação do látex.

A partir de 1970, o porto passou a predominar a carga geral conteinerizada e granel sólido, como o trigo.

De acordo com a Companhia Docas do Pará (CDP), em 2011 o Porto de Belém movimentou 113.286 toneladas de mercadorias, sendo o trigo em grãos a principal carga, correspondendo a 85% desse volume.

De janeiro a maio de 2022, o Porto de Belém movimentou 63,4 mil toneladas de carga, número ligeiramente maior em relação ao ano de 2021 como um todo, 61,5 mil toneladas. Com o primeiro embarque "break bulk" de madeira teca, o porto teve aumento de 34,5% de toneladas de madeiras certificadas exportadas.

Movimento Porto de Belém
Últimos 3 anos

Principais cargas movimentadas no Porto de Belém no 1º semestre (toneladas)

2021Mercadoria2022
53.725Trigo35.032
0Madeira22.042
1.793Óleo diesel3.928
Fonte: Companhia Docas do Pará

Ainda segundo a CDP, para 2022 o Porto de Belém terá o incremento de movimentação de madeira serrada e madeira em tora, como carga solta, além de ser ponto de apoio à exploração de petróleo na foz do Amazonas; a movimentação de gás natural liquefeito proveniente da usina de Vila do Conde.

No Pará há outros dois portos com grande movimentação. Os portos de Vila do Conde e de Santarém movimentaram, no mesmo período, de 3,3 e 5,1 milhões de toneladas, respectivamente. Alumina, bauxita e soja são as commodities que mais contribuíram para os resultados.

 g1 Pará 

Fonte: Companhia Docas do Pará





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