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domingo, 10 de julho de 2022

Pará tem as cidades menos sustentáveis do Brasil, e SP, as mais; veja ranking


Ferramenta monitora todos os 5.570 municípios; todas as dez melhores estão no estado de São Paul

Das 10 cidades com o pior desempenho sustentável do Brasil, 8 estão na região da Amazônia —mais precisamente nos estados do Pará e do Amazonas.

É o que mostra o IDSC (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades), ferramenta lançada nesta sexta-feira (8) para monitorar o engajamento regional com o tema.

A iniciativa foi criada pelo ICS (Instituto Cidades Sustentáveis) e avalia a performance de todos os 5.570 municípios. Com isso, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a fazer esse acompanhamento, segundo o instituto.

O ranking utiliza como critério os ODS, que são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável elaborados pela ONU em 2015. Trata-se de um chamamento global para enfrentar os principais desafios da humanidade, como redução da desigualdade, proteção do planeta e promoção da paz e da prosperidade.

Cidades menos sustentáveis Nota
1º Santana do Araguaia (PA) 30,10
2º Lábrea (AM) 30,15
3º Boca do Acre (AM) 30,71
4º Acará (PA) 30,88
5º Cachoeira do Piriá (PA) 30,95
6º Floresta do Araguaia (PA) 30,98
7º Nova Esperança do Piriá (PA) 31,04
8º Amarante do Maranhão (MA) 31,10
9º Placas (PA) 31,23
10º Bom Jesus das Selvas (MA) 31,36

A partir de metodologia criada pelas Nações Unidas, o IDSC atribui uma pontuação para cada município, calculada com base em dados públicos. Entre os cem indicadores observados estão emissões de carbono, famílias inscritas em programas sociais, mortalidade infantil, acesso à internet nas escolas, e desigualdade salarial por gênero.

Cada variável é transformada em uma nota, que é usada para calcular a pontuação final, numa escala de 0 a 100. Quanto maior o valor, melhor o desempenho.

Santana do Araguaia, no Pará, é a cidade com os piores indicadores do país (30,10). Um dos fatores que mais pesaram na nota foi a escolarização. Apenas 8,8% dos jovens até 19 anos completaram o ensino médio. Além disso, o município tem uma taxa de feminicídio de 17,5 por 100 mil habitantes, sendo que o valor de referência é de 1 para cada 100 mil.

Os resultados apontam para disparidades regionais já conhecidas da realidade brasileira. Todos os cem municípios com o pior desempenho, por exemplo, estão nas regiões Norte e Nordeste do país. Além disso, as três capitais com menor nota estão na Amazônia Legal.

Macapá é a última capital no ranking (40,17). Só 37% da população recebe abastecimento de água potável, e a proporção de analfabetos com 15 anos ou mais é de 6,17%, o dobro da meta (3%).

Apesar dos números, a desigualdade de renda em Macapá consegue ser melhor do que a verificada em São Paulo, que teve a melhor performance entre as capitais (62,06).

Os destaques foram para os indicadores de abastecimento de água potável (99,3% da população é atendida) e de coleta seletiva (79%), além do orçamento com saúde.

SÃO CAETANO DO SUL FICA EM 1º LUGAR

Enquanto 43 das 100 piores cidades ranqueadas ficam no estado do Pará, as dez melhores concentram-se no estado de São Paulo.

São Caetano do Sul foi a cidade que apresentou os melhores indicadores de ODS, com 100% da população atendida com abastecimento de água potável e coleta seletiva.

São Paulo não tem nenhum município com nível muito baixo de desenvolvimento. Apenas cinco estão abaixo da média nacional.

10 cidades mais sustentáveis Nota
1º São Caetano do Sul (SP) 65,62
2º Jundiaí (SP) 65,44
3º Valinhos (SP) 65,16
4º Saltinho (SP) 64,51
5º Taguaí (SP) 64,35
6º Vinhedo (SP) 63,78
7º Cerquilho (SP) 63,76
8º Sertãozinho (SP) 63,64
9º Limeira (SP) 63,53
10º Borá (SP) 63,45

BOA NOTA PODE ESCONDER PROBLEMAS

Estar no topo do ranking não é necessariamente um atestado de excelência. O índice também permite ver o desempenho dos municípios em cada ODS, jogando luz para problemas que podem ficar escondidos pela boa nota.

Analisando o ODS 10, por exemplo, que diz respeito à redução das desigualdades, há fragilidades até mesmo entre os melhores colocados da lista.

A primeira colocada do ranking, São Caetano do Sul, tem um coeficiente de Gini (indicador que mede a desigualdade na distribuição da renda) de 0,54, o que indica maior assimetria —a meta da ONU para o indicador é, no máximo, é 0,3. Na capital paulista o valor é ainda maior: 0,62.

A pior classificação entre as cidades brasileiras nesse índice é São Gabriel da Cachoeira (AM), com 0,8. A título de comparação, a Namíbia é o país com pior nota do mundo (0,7), ainda assim melhor do que a cidade amazonense.

No site do IDSC, é possível pesquisar o desempenho de todos os 5.570 municípios brasileiros.

De acordo com o Instituto Cidades Sustentáveis, a ferramenta pretende gerar um movimento de transformação na gestão pública municipal.

A intenção é orientar a ação de prefeitos e prefeitas no sentido de definir metas com base em indicadores e facilitar o monitoramento dos ODS em nível local.

Capitais mais sustentáveis Nota
1º São Paulo 62,06
2º Florianópolis 60,37
3º Curitiba 60,12
4º Belo Horizonte 59,22
5º Goiânia 58,32
6º Vitória 58,18
7º Brasília 57,52
8º Campo Grande 56,6
9º Rio de Janeiro 56,42
10º Porto Alegre 55,53
11º Palmas 55,09
12º João Pessoa 54,53
13º Salvador 54,52
14º Cuiabá 52,41
15º Recife 50,89
16º Fortaleza 50,23
17º Manaus 49,98
18º Aracaju 49,59
19º Rio Branco 48,85
20º Natal 48,03
21º Teresina 47,29
22º Maceió 47,23
23º Boa Vista 47,13
24º São Luís 45,23
25º Belém 42,58
26º Porto Velho 40,92
27º Macapá 40,17

Fonte: Folha de São Paulo 

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