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terça-feira, 3 de maio de 2022

Guerra entre empresa e comunidades tradicionais continua na região do Vale do Acará

Pintados como indígenas, quilombolas e ribeirinhos são denunciados quase todos os dias nas delegacias do Acará, Tomé-Açu e Quatro Bocas por crimes de furtos e roubos de frutos de dendê de fazendas pertencentes à empresa Brasil Bio Fuels Reflorestamento, Indústria e Comércio S/A (BBF RIC). As denúncias são do conhecimento dos ministérios públicos Federal e Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará - OAB-PA, Defensoria Pública do Estado do Pará e Polícia Federal, bem como, do Ouvidor Agrário do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, desembargador Mairton Marques Carneiro.
Nos três primeiros dias deste mês de maio, outras ocorrências de furtos foram registradas, uma delas envolvendo o caminhoneiro João Gomes de Castro, flagrado quando transportava, em seu caminhão, sete toneladas de dendê furtadas da fazenda Marrocos e que seriam levadas para a empresa Vila Nova. O contratante do frete se chama Jonas, velho conhecido dos funcionários da fazenda pela prática do crime de furto de dendê.
A história foi levada para a Delegacia de Polícia Civil do distrito de Quatro Bocas, onde se achava de plantão o delegado Bernardo Araújo Diniz, pelo técnico de segurança patrimonial da BBF, Raimundo Brito Pires.
O próprio condutor do caminhão, João Castro, confessou que levava a carga furtada para a empresa Vila Nova e que não sabia se tratar de produto de furto. Ele admitiu, entretanto, que receberia cerca de 200 reais por tonelada transportada e que não cobrou de Jonas, seu contratante, nota de frete nem nota fiscal da mercadoria transportada.
Segundo a segurança da BBF, João Castro só foi flagrado porque seu caminhão atolou no ramal da fazenda Marrocos, onde foi visto por funcionários da fazenda, que pertence ao grupo BBF. A carga foi removida para uma caçamba da empresa e o caminhão permanece na sede da fazenda.

PERIGO IMINENTE
Representantes da empresa BBF questionam que empregados já foram ameaçados de morte por grupos armados, já foram feitos reféns; que a empresa já teve sede de fazendas invadidas e destruídas, equipamentos furtados ou queimados pelos vândalos e que, apesar de pedirem providências, até o momento, a empresa vem tendo apenas prejuízos. Deste modo, dizem os representantes da empresa, "ser possível que um dia aconteça algo mais grave, como morte de um dos lados e, nesse caso, quem será responsabilizado, haja vista os constantes pedidos de providências às autoridades".

COMITÊ DE CRISE
No começo do mês passado, o Ouvidor Agrário, desembargador Mairton Marques Carneiro, promoveu uma reunião no fórum de Tomé-Açu, na tentativa de mediar um acordo entre as partes envolvidas. Todos foram ouvidos, advogados da BBF expuseram os fatos, assim como os representantes dos indígenas da Tribo Tembé, MPF, MPPA, OAB-PA e Defensoria Pública do Estado do Pará - DPEP, mas não houve acordo. Deste modo, o desembargador formou um comitê com a finalidade de arrumar uma solução de causa para a situação e deu prazo de 30 dias para que essa solução seja apresentada. Proibiu intentos de todos os lados e foi desobedecido, tanto que os furtos de dendê continuaram, assim como, as invasões às fazendas da empresa.

CRIME APÓS-REUNIÃO
Na tarde do dia 07/04/2022, por volta das 15h, a segurança patrimonial da BBF, polo Tomé-Açu, foi informada pelo coordenador agrícola Alvinho que supostos indígenas teriam invadido a fazenda Shynomia. De imediato a segurança, em conjunto com os coordenadores da agrícola, se deslocaram para o local e, lá chegando, havia um grupo de aproximadamente dez pessoas, os quais pintados, se identificavam como indígenas. A segurança tentou diálogo, porém sem êxitos, pois os mesmos alegavam que a BBF não havia cumprido um acordo com eles, e que em razão disso eles não deixariam os colaboradores da empresa fazerem a recolha dos contêineres cheios em campo.
Dessa forma, a Polícia Militar foi acionada e, após algumas horas, chegou ao local e tentou dialogar, sem êxito. Por volta das 19h, a segurança e os coordenadores deram início à operação para recolher os contêineres, mas, ao chegar ao local,  o grupo havia colocado mourão no meio do ramal, onde também estavam três vereadores que disseram que estavam só de passagem, pois voltavam de uma comunidade.
De acordo com as denúncias da BBF, os invasores do local eram pessoas ligadas ao Jonas, já conhecido por ocorrências como porte de arma ilegal e de abrigar um contêiner em sua residência de uma empresa concorrente, sendo que o mesmo não é produtor rural, sendo conhecido na área pela prática de furto de furtos, e Alex, Geovane e José, que se intitulavam indígenas, onde o primeiro já esteve em ocorrência similar na Fazenda Rio Negro. Na ocasião, foram recuperadas três caixas cheias e a via foi desobstruída.
Imagens: Reprodução/Ronabar

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