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domingo, 1 de maio de 2022

Funcionário da BBF é vítima de atentado a bala em Acará



A cada dia que se passa, mais um episódio é registrado pela Polícia Civil do Estado do Pará na novela real e perigosa que envolve a empresa Brasil Bio Fuels Reflorestamento, Indústria e Comércio S/A (BBF RIC) e as comunidades tradicionais formadas por indígenas da tribo Tembé liderados líder Paretê Tembé, quilombolas e ribeirinhos na região de Tomé Açu, também conhecida por Vale do Acará. Na última quinta-feira, 28, um funcionário da segurança da empresa foi vítima de um atentado a bala, do qual saiu ileso depois de se refugiar por trás de seu carro no meio da mata.
Francois de F. C., supervisor de segurança da BBF, morador da localidade - na Grande Belém, declarou, na Delegacia de Polícia de Acará, que, no final da manhã da última quinta-feira, dava apoio à equipe patrimonial da empresa na Fazenda Anastácio, quando sentiu a morte de perto. Ele deixava o local em seu carro, um Fiat Mob, quando foi surpreendido por motoqueiros que abriram fogo contra o veículo. Assustado, Francois desceu e se refugiu, não podendo ver quem eram os homens que tentavam acabar com sua vida.
Conforme o funcionário da BBF, os bandidos estavam com capacetes em uma motocicleta de placas JUR-2463, cuja procedência ainda é desconhecida das autoridades. Francois informou que essa mesma dupla, desde cedo, fazia ameaças aos funcionários da empresa que, sistematicamente, vem sendo invadida por grupos armados que furtam frutos de dendê, maquinários e equipamentos, bem como, já destruíram inúmeros veículos, equipamentos e até sedes de fazendas polos de produção de dendê, cujo fruto, furtado, é comercializado entre empresas da região que não exigem nota fiscal do produto e, assim, se tornam as grandes receptadoras dos furtos ocorridos nas terras da BBF.

FURTO FRUSTRADO
Nesse mesmo dia, antes do atentado contra Francois, um grupo de bandidos invadiu a fazenda Anastácio na tentativa de furtar sete toneladas de fruto de dendê. A equipe de segurança e uma guarnição da Polícia Militar, inclusive, foram recebidos a bala pelos bandidos que, no entanto, fugiram sem consumar o crime. A carga que seria furtada da fazenda da BBF foi recolhida e levada para os armazéns da empresa e o caso devidamente registrado na Delegacia de Polícia de Acará.

CONFLITO
Essa série de ocorrências acontece depois que o Ouvidor Agrário do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, desembargador Mairton Marques Carneiro, promoveu uma reunião envolvendo diretores e advogados da BBF Ric, comunidades tradicionais (indígenas Tembé, quilombolas e ribeirinhos), Ministério Público Federal e Estadual, Defensoria Pública do Estado do Pará, OAB-PA e outros na tentativa de costurar um acordo entre as partes.
O conflito tem de um lado a BBF Ric, que emprega cerca de cinco mil trabalhadores da região e produz frutos de dendê nos municípios de Moju, Acará, Tomé-Açu e Concórdia do Pará, que alega ter prejuízo superior a R$50 milhões com furto de frutos de dendê, que é vendido a empresas concorrentes por indígenas, quilombolas e ribeirinhos, e de outro lado, as comunidades tradicionais, que dizem estar a BBF operando na mais completa ilegalidade, promovendo danos ambientais e situada irregularmente em áreas pertencentes a essas comunidades que, também, negam a prática dos futos e dizem ser perseguidas pela segurança da empresa.

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