𝗔 𝗟𝘂𝘇 𝗲 𝗼 𝗖𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗱𝗮 𝗩𝗲𝗹𝗮 - 𝗡𝗮𝘁𝗮𝗹 𝗲 𝗖𝗵𝗮𝗻𝘂𝗸á - JORNAL PASSAPORTE

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

𝗔 𝗟𝘂𝘇 𝗲 𝗼 𝗖𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗱𝗮 𝗩𝗲𝗹𝗮 - 𝗡𝗮𝘁𝗮𝗹 𝗲 𝗖𝗵𝗮𝗻𝘂𝗸á



Você já se perguntou o motivo pelo qual tanto o Natal Cristão como o Chanuká Judaico, ambos comemorados em Dezembro, são cheios de luz?

O fim do ano se aproxima e o hemisfério Sul vive o pleno verão. Na antiguidade o hemisfério sul era praticamente desconhecido. A América e a Austrália só foram descobertas a partir do Século XV e a África, apesar de conhecida, só se tornou realmente parceira da Europa também no Século XV. Toda a história multimilenar conhecida ocorreu no hemisfério norte até cerca de 500 anos atrás. E no fim do ano, Dezembro, no hemisfério norte, ocorre o Solstício de Inverno com dias muito curtos, frios, escuros. Apenas para exemplificar, estou em Israel onde hoje, às 17 hs, já brilhavam as estrelas.

É neste mês frio, escuro e de dias curtos que mais precisamos de luz e de calor. É também nesta época de ano que Cristãos e Judeus foram agraciados com espiritualidade, que é a luz da alma.

Comecemos com o Chanuká Judaico, que se iniciou na noite desta 5a, Feira e dura 8 dias. Esta festa alegre e cheia de luz tem origem numa guerra. Os Selêucidas, povo que abraçava a cultura Helênica (Grega), dominavam Israel. O Rei Antioco IV, que se auto-denominava Epifanes (o “magnífico” ou o “esplendoroso”) resolveu proibir a religião Judaica e obrigou o povo a adorar estátuas e deuses pagãos bem como proibiu a circuncisão, forçou alimentação com carne de porco e o culto pagão. Os Judeus que sempre acreditaram num único D'us, sem forma e invisível aos olhos, se revoltaram. Mudaram a letra “F” por “M” no nome dele: o chamavam de Antioco Epimanes (o “Louco”). Comandados por Judá Macabeu enfrentaram os Selêucidas muito mais numerosos e bem armados durante sete anos - de 167 a 160 AEC (Antes da Época Comum). Para enfrentar o exército poderoso e numeroso, Judá Macabeu recorreu à luta de guerrilha. Suas táticas ainda são estudadas nas escolas militares até hoje. Finalmente os Macabeus conseguem reconquistar Jerusalém e adentrar o Templo, que os Selêucidas haviam profanado. Encontram somente um frasco com óleo sagrado para acender a Menorá, o candelabro de sagrado de sete braços. A produção de novo óleo demoraria outros sete dias e ocorre então o milagre pois o óleo de um dia ardeu 8 dias, até que o novo óleo estivesse disponível. 

E aqui vem a grande surpresa. Os Judeus não comemoram a fenomenal vitória militar. Comemoram a reconquista de sua liberdade religiosa e o milagre da luz emanada do óleo que durou oito dias. Acendem a cada noite mais uma vela, iniciando com uma até completar oito. O candelabro de Chanuká tem 9 braços. A vela acesa traz luz e calor na escuridão do paganismo e na frieza da falta de fé.

É neste mesmo período o Natal Cristão, também ele iluminado. O costume remonta à época em que as árvores de Natal eram decoradas com velas, que simbolizavam Jesus como a luz do mundo. O Natal no Hemisfério Norte é comemorado apenas 4 dias após o solstício (o dia mais curto do ano) e a luz da vela traz - de novo - o calor e a luz necessárias para a vida nesta época escura. Para os Cristãos a vela era acesa para representar a estrela de Belém, guiando os Reis Magos ao estábulo onde Jesus nasceu.
As árvores de Natal trocam as velas por luzes elétricas só no início do século 20. 

A vela traz significados espirituais muito fortes, representando a luz emanada da Divindade. Representa o ardente desejo do Homem se aproximar de D’us. No Judaísmo a luz da vela simboliza a alma e tanto Judeus como Cristãos consideram a luz como símbolo de júbilo, enquanto a escuridão simboliza a tristeza e o afastamento espiritual.

Notemos que num ambiente escuro, independente de seu tamanho, o simples iluminar de uma vela acaba com a escuridão e uma única vela pode acender muitas outras. 

Por outro lado, a vela e a luz nos trazem a importante reflexão que a escuridão não se extingue a si mesma, mas a luz pode apagar-se. A vela pode terminar e cabe a cada um de nós cuidar para que a luz não acabe. Olhar a vela, cuidar da reposição quando ela está no fim exemplifica que é necessário cuidar de nossa espiritualidade, de nossa relação com o Poder Superior e com nossos semelhantes. Se não cuidarmos, infelizmente voltará a escuridão ao nosso redor e em nossas vidas.

Nós somos podemos ser velas no mundo e, como a vela, podemos trazer luz. E precisamos acender uma outra vela, iluminar outro Ser Humano para que a escuridão não volte.

Esta talvez seja a força da mensagem trazidas pela luz e calor das velas de Chanuká e a luz do Natal!
P𝘰𝘳: 𝘔𝘢𝘳𝘤𝘰𝘴 𝘓 𝘚𝘶𝘴𝘴𝘬𝘪𝘯𝘥

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