Prefeito de Tucuruí cobra agilidade na apuração de assassinato e de corrupção - JORNAL PASSAPORTE

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sábado, 5 de outubro de 2019

Prefeito de Tucuruí cobra agilidade na apuração de assassinato e de corrupção

ARTUR BRITO: Quem não deve não teme
No Ministério Público do Pará, o prefeito reitera, nesta segunda-feira, acusações de estelionato contra o empresário Alexandre Siqueira.
O prefeito de Tucuruí visita nesta segunda-feira (7) o Ministério Público do Estado do Pará. Ele vai reiterar a notícia-crime protocolada no MPE, em março, pela Procuradoria do Município. O documento, fundamentado no relatório de perícia contábil da prefeitura, denunciou a existência de uma organização criminosa formada por agiotas, que teriam extorquido prefeitos paraenses. O relatório é uma das peças de investigação da Operação Redoma do Lago, desencadeada pela Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE), que investiga o desvio de R$ 180 milhões da prefeitura de Tucuruí e outra fortuna em recursos públicos de mais dez prefeituras.

A perícia indica o empresário Alexandre Siqueira como mentor do esquema, enumerando crimes de estelionato qualificado, improbidade administrativa, crime contra a ordem tributária, peculato, corrupção ativa e passiva e desvio de verbas públicas.

Durante toda esta semana, Artur Brito cumpriu uma agenda positiva em Brasília, com o objetivo de desemperrar o crescimento de Tucuruí, cuja economia vive uma instabilidade desde o assassinato do ex-prefeito Jones William da Silva Galvão, em julho de 2017. Artur, que era vice-prefeito de Jones, aproveitou a viagem para visitar o Conselho Nacional de Justiça, onde cobrou agilidade no processo sobre o homicídio, em que ele próprio, seu irmão e sua mãe figuram como réus.

“Tenho total interesse de mostrar à população de Tucuruí que sou inocente”, afirma Artur Brito, nesta entrevista concedida à jornalista Benigna Soares.

O senhor cumpriu uma extensa agenda esta semana em Brasília. Qual a prioridade dessa agenda?
ARTUR BRITO: Sim, fui em busca de apoio financeiro para investimentos diversos, entre eles a implantação do curso de Medicina em faculdades aqui do município, que beneficia nossa população e toda a região. Saúde e educação são áreas essenciais para o desenvolvimento da sociedade e com esse pensamento defendemos a formação de mais médicos em nossas faculdades, que podem dar mais qualidade aos serviços prestados na área da saúde. Fui recebido pelo ministro da Educação Abraham Weintraub, para quem defendi a necessidade e urgência do destravamento da instalação do curso de medicina em Tucuruí. Afinal, é uma luta encampada por toda a população e, desde o ano de 2015, já está autorizado, mas foi suspenso em 2018, por força de decisão liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região à universidade que ficou em segundo lugar na disputa pela concessão do curso.

O senhor também participou da reunião da bancada parlamentar do Pará. Qual era a pauta desse encontro?
ARTUR BRITO: Foi uma reunião muito proveitosa, que fortaleceu parcerias para o Estado do Pará. Nossa participação no encontro foi para defendermos a ampliação de recursos para as obras de drenagem e derrocamento da Via Navegável do Rio Tocantins, conhecida como Pedral do Lourenço, que passa por Tucuruí, na região sudeste do Pará. Ela é de fundamental importância não só para Tucuruí, mas para o Brasil de forma geral. Afinal, melhorar a trafegabilidade no rio Tocantins vai trazer benefícios a todos os municípios que dependem desse rio. Não devemos esquecer que Tucuruí abriga a segunda maior hidrelétrica 100% brasileira, geradora de energia elétrica para boa parte do Brasil.

Por que o senhor incluiu em sua agenda uma visita ao CNJ?
ARTUR BRITO: Fomos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) formalizar nosso pedido de agilidade no andamento do processo judicial que apura o assassinato, em julho de 2017, do então prefeito Jones William da Silva Galvão. Quanto Jones foi assassinado eu era o vice-prefeito de Tucuruí e fui acusado injustamente desse crime. Tive que assumir o mandato e por consequência desse infortúnio eu e toda a minha família fomos caluniados, injuriados e difamados. Ainda hoje respondo processo juntamente com meu irmão e minha mãe, que nada têm a ver com a gestão do município, mas ainda assim teve prisão temporária decretada e por 45 dias, ficou em uma prisão feminina, sem nada dever a ninguém.

Na semana que vem, o senhor pretende ir ao Ministério Público do Estado do Pará (MPE). Com que objetivo?
ARTUR BRITO: Vamos procurar o Ministério Público para reiterar as denúncias constantes em uma auditoria feita nas contas da Prefeitura. Quando assumimos, havia várias irregularidades, desde cheques com assinaturas falsificadas do prefeito Jones, entre os quais cheques pagos à empresa de limpeza pública do empresário Alexandre Siqueira. Detectamos desvios de algo em torno de R$ 180 milhões dos cofres da Prefeitura Municipal, inclusive feitos no dia do velório do prefeito Jones.

Como aconteceram essas fraudes?
ARTUR BRITO: Esses desvios aconteceram na gestão de Jones William, através de fraudes em licitações e emissão de notas frias, patrocinadas por uma quadrilha que atuava nos bastidores da administração. Há casos em que só eram prestados 50% dos serviços licitados. Há outros em que 100% dos recursos eram desviados sem a prestação do serviço, em um amplo esquema de corrupção que predominava dentro da prefeitura.

O senhor e o prefeito Jones tinham uma relação amigável?
ARTUR BRITO: Após o resultado das eleições, em nossa gestão, percebi que o Jones tinha acordos com Alexandre Siqueira, resultante de dívidas assumidas por ele para financiar a campanha. Eu não tinha conhecimento desses acordos. Mas percebi que o Alexandre já tinha todo um esquema de corrupção e pressionava o Jones para ter contratos ilícitos com a prefeitura. Todos em volta de Jones percebiam que ele era pressionado pelo Alexandre, que já respondia processos por irregularidades em acordos com várias prefeituras, fato que o Ministério Público já tinha conhecimento.

Quem é Alexandre Siqueira?
ARTUR BRITO: É um agente da corrupção, um agiota que se aproveita de processos eleitorais para se colocar como um financiador dessas campanhas em troca de benefícios na gestão. O currículo dele envolve, em 2009, golpes aplicados em Tomé Açu e Castanhal, onde praticou estelionato e recepção de mercadorias roubadas, conforme o Processo 0000527-87.2009.8.14.0060. Já em 2011, em Jacundá, praticou roubo e recepção de veículos, como consta no Processo Nº 0001280-78.2011.8.14.0026. Outros processos contra ele correm com investigação sigilosa, mas há informações de que resultam de crimes praticados, em 2017, aqui em Tucuruí, pelo desvio de R$ 21 milhões em licitações fraudulentas na gestão do prefeito Jones William. Aqui também responde processo aberto em 2017 por receptação de R$ 2 milhões sacados da conta da prefeitura no dia do velório do prefeito  Jones William. O saque foi realizado usando a senha pessoal do prefeito enquanto seu corpo ainda estava sendo velado. Outro é por receptação de R$ 6 milhões, oriundos de saques de cheques com assinatura falsificada do prefeito Jones Willian. Em 2018 foi aberto processo contra Alexandre Siqueira pela receptação de R$ 5 milhões, supostamente desviados pelo então Secretário de Saúde, o vereador Weber Galvão, em conluio com Siqueira. Por fim, este ano, em Tucuruí, Breu Branco, Jacundá, Goianésia, Novo Repartimento também foram alvos do esquema fraudulento de Alexandre Siqueira, que praticou lavagem e desvio de R$ 180 milhões de reais em contratos fraudulentos.

O senhor fazia parte da gestão do prefeito Jones. Não tinha conhecimento desse esquema?
ARTUR BRITO: Como eu era só o vice-prefeito ficava afastado desses bastidores e Jones me deixou como secretário de obras e sem ingerência sobre o mandato de forma geral. Mas eu não tinha conhecimento desses acordos do Jones. Foi então que houve a morte do prefeito, eu por força da lei tive que assumir e acabei ficando no centro das atenções por causa da morte dele.

E o que o senhor fez quando assumiu?
ARTUR BRITO: Quando eu identifiquei esses crimes, acabei com o esquema, tirei quem tinha que tirar e encerrei os contratos fraudulentos. Mas com essa atitude, uma série de represálias contra mim foram arquitetadas pelos envolvidos. De lá para cá, várias acusações falsas foram criadas, inclusive as que nos colocam como responsáveis pela morte de Jones, com quem eu sempre tive uma boa relação de trabalho e de amizade. Encaramos de cabeça erguida essas acusações, essas armadilhas e hoje vamos vendo que as máscaras foram caindo e a verdade vai aparecendo para a população. Agora, a Prefeitura Municipal de Tucuruí precisa ter sua gestão  passada a limpo, com seriedade e transparência, da forma que a população merece. Nós queremos que a justiça seja feita e os verdadeiros culpados não devem ficar impunes. Quem não deve não teme.
Por: Benigna Soares - Jornalista

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