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Produtores de Gurupá abandonam exploração ilegal de madeira e passam a lucrar 100% com piscicultura

Os irmãos, Onésimo e Onelson de Jesus, produzem juntos, semanalmente, em torno de 1 tonelada e 600 quilos de pescado produzido em cativeiro. A produção resulta em R$ 12 mil em valor bruto, sem os descontos de custos com manutenção da estrutura, ração e gerenciamento do negócio. O produto é vendido vivo ou fresco no município de Gurupá, no pólo Breves e para Macapá, capital do estado do Amapá.

O negócio lucrativo se tornou realidade com o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Gurupá, no arquipélago do Marajó.  Os irmãos produtores migraram da exploração ilegal de madeira para a piscicultura e hoje lucram cerca de R$ 6 mil por semana no período de auge da despesca, de janeiro a abril.

Os produtores fazem parte de um dos 12 grupos da Comunidade Santa Luzia do Rio Moju, que desde 2012 substituiu a devastação das florestas pelo cultivo de tambatinga em tanque escavado. Cada família trabalha sobre 4 a 5 tanques, com cerca de 1 peixe e meio por metro quadrado, com financiamento individual de R$ 40 mil pela linha Mais Alimentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pelo Banco do Brasil (BB).

De acordo com o chefe do escritório local em Gurupá, o engenheiro florestal Ted Quemel da Fonseca, a transição da exploração ilegal de madeira para a piscicultura sustentável é um esforço próspero da Emater no sentido de preservação ambiental, acesso a tecnologia e crédito e divulgação sociocientífica. “Hoje temos experiências exemplares, como a dos irmãos De Jesus, e um projeto-piloto na comunidade Santa Luzia, que mostra o potencial de sucesso da atividade e inspira outros agricultores familiares do município. No caso da família De Jesus, iniciativas como alevinos e ração de mais qualidade e sistematização da produção, pelo controle de quantidade de peixes por espaço, resultaram muito bem: a unidade de pescado, por exemplo, em alguns anos mais do que dobrou de tamanho – de peixes de 1 quilo, no início do projeto, para peixes de 2 quilos e meio, que é o padrão de agora”, conta.

O auge da despesca

É o período programado para coincidir com o período do defeso da espécie e com a alta do rio, condições que diminuem a oferta para a pesca artesanal. Essa estratégia aumenta a perspectiva de faturamento. No resto do ano, a produção se mantém em média em 150 kg por semana. Para complementar a renda e com fins de segurança alimentar, as famílias também extraem açaí nativo, plantam banana e maracujá e criam gado.

Texto: 
Aline Miranda

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