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Círio de Nazaré: não tem como descrever!

É preciso vivenciar essa experiência única para compreender a fé que move cerca de dois milhões de romeiros pelas ruas de Belém

 Por:Cleiton Palmeira

Ser convidado para prestigiar o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, é uma das experiências mais agradáveis que se pode vivenciar, sejamos turistas ou filhos da terra. Uma, duas, três, quatro, infinitas vezes, é sempre como estar lá pela primeira vez, porque a emoção e as histórias que testemunhamos é sempre uma nova experiência, que marca, emociona e nos surpreende.
No último mês de outubro, à convite da Secretaria de Estado de Turismo do Pará, retornei à minha terra com esse objetivo, revisitar Belém em plena quadra nazarena. Dessa experiência, o que posso relatar é que o Pará, portão de entrada da Amazônia, se torna cada dia mais fascinante por muitas razões, entre elas o privilégio de ser guardião de cerca de 50% de todos os atrativos turístico naturais dessa região, o que o torna um dos destinos turísticos mais desejados do mundo.
Considerado a obra-prima da Amazônia, o Pará encanta pelas ricas manifestações culturais, gastronomia exótica e belezas naturais, espalhadas nas seis regiões turísticas que formam o estado: Belém, Marajó, Tapajós, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins e Xingu, onde você encontra produtos dos segmentos de natureza, cultura, sol e praia, eventos e negócios. Rios, praias, mangues, florestas, campos alagados, vastíssimos elementos de fauna e flora estão presentes em cada uma dessas regiões. 

A cultura, por exemplo é refletida em inúmeros eventos nos 144 municípios do estado. Carimbó, siriá, lundu, retumbão, calypso, tecnobrega e tantos outros ritmos fazem do povo um dos mais festivos do Brasil. A gastronomia é original, criativa, autêntica e marcada por grande diversidade. É mais que uma prática alimentar, é um ritual que mistura as heranças indígenas, africanas e europeias que marcam a origem histórica e étnica dos habitantes locais. Tacacá, maniçoba, pato no tucupi e uma variedade de frutos, entre os quais açaí, bacuri e cupuaçu merecem referência, considerando que essa gastronomia é exótica, rica em cores, aromas e sabores únicos, só encontrados na obra-prima da Amazônia.

O CÍRIO DE NAZARÉ - É neste cenário exuberante que a religiosidade e a criatividade do nosso povo te chama para o que já foi consagrado como o segundo natal dos paraenses: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Não estranhe, é nosso Natal mesmo, com direito a convidados de todo o Brasil e de outras nações, para confraternizar conosco cercado de bênçãos, orações, passeios turísticos, rodas de conversas, exposições culturais diversas e claro, como em todo Natal, a ceia do domingo do Círio, que você pode experimentar em casa ou nos melhores restaurantes de Belém. No cardápio, pato no tucupi, maniçoba, arroz de Belém, tacacá, e muito mais.

Considerado o maior evento turístico religioso católico do Brasil, o evento acontece anualmente no mês de outubro, com diversas romarias quatro grandes procissões: Traslado Rodoviário, Romaria Fluvial, Trasladação e Círio de Nazaré, sendo que esta é a maior de todas as procissões e acontece no segundo domingo de outubro, quando reúne mais de dois milhões de romeiros, entre eles cerca de 80 mil turistas, em volta da berlinda que transporta a Imagem Peregrina pelas primeiras ruas de Belém.
Enquanto maior manifestação de fé católica do Brasil, o Círio tem simbolismos e peculiaridades únicas e é uma combinação de manifestação cultural, tradições históricas e demonstração de religiosidade do povo do Pará, que reconhece como padroeira Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira dos pescadores, dos paraenses, da Amazônia.

O evento mais significativo em termos de turismo no Pará acontece em Belém, capital do estado, que praticamente vive e respira o Círio o ano inteiro. Quando a festa se aproxima, em meados do dia 15 de setembro, se percebe o quanto ela é importante para a cidade e para a Amazônia como um todo, em diversos sentidos, dentre eles o econômico, já que a movimentação no comércio chega a ser até maior do que o Natal. É por isso que para muitos, o Círio é considerado o “Natal dos paraenses”, não no sentido propriamente religioso, mas por tudo o que a festa proporciona, especialmente quanto ao encontro e confraternização das famílias.

Belém, como principal porta de entrada da Amazônia, é o centro de convergência cultural da região, contendo mostras de tudo o que é vivido por quem habita a região mais rica do planeta. A história do Círio se confunde com a própria história da região. 

ROMARIAS - A programação oficial do Círio dura cerca de quarenta dias e é preparada o ano todo, por isso chamamos o período mais festivo de “Quadra Nazarena”. Essa programação envolve 11 romarias com mais de 100km de percurso, se somadas, e uma grande maratona de visitas da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré em Belém e a outros estados que também realizam o Círio, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, Amazonas e Amapá.

A inauguração da decoração da Praça Santuário, da iluminação dos arcos e da Basílica Santuário de Nazaré, abertura da feira de artesanato e do tradicional Arraial de Nazaré, são eventos que antecedem o domingo do Círio.Depois acontec
e o lançamento do Manto que adorna a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, uma verdadeira joia que ano após ano ganha uma nova versão, sempre fruto de doação de promesseiros. É considerado um dos ícones da festa.

Entre quinta-feira e sexta-feira, de dia, de noite e até nas madrugadas, começam a chegar, a pé, de bicicleta ou de carro, os romeiros de diversos municípios, são promesseiros que percorrem centenas de quilômetros até Belém. 

Romaria Rodoviária - Na sexta-feira, em frente à Basílica Santuário, tradicionalmente começa a primeira das 11 romarias, o traslado para Marituba e Ananindeua, municípios na região metropolitana de Belém. É a mais extensa romaria, chegando a percorrer cerca de 110 km com diversas paradas para receber homenagens. A imagem segue em um carro da Polícia Rodoviária Federal cercada por outros carros, motocicletas e bicicletas e emociona os fiéis que aguardam a passagem da imagem em calçadas e passarelas, especialmente na principal via de acesso a Belém, a Rodovia BR316.
Romaria Fluvial - Depois de uma noite de vigília, na Igreja Nossa Senhora das Graças, a imagem segue nas primeiras horas da manhã de Ananindeua para Icoaraci, distrito de Belém, na Romaria Rodoviária. Na orla do distrito, depois de uma missa campal, tem início a Romaria Fluvial, pelas águas da baía do Guajará, seguida por centenas de embarcações de diversos tamanhos, todas enfeitadas. 

Romaria Fluvial - A Romaria Fluvial é um espelho da curiosa relação que o homem da Amazônia mantém com as águas, seja em busca da sua sobrevivência na pesca, seja no ir e vir diário, que faz dos rios a sua rua e das embarcações seu principal meio de transporte. Essa vida em função dos elementos da natureza é um dos fatos que mais atrai visitantes que desejam conviver com a cultura essencialmente amazônica presente no Pará. Seja na pesca esportiva, turismo ecológico e de aventura ou na vivência de experiências, os fatores naturais atraem a atenção dos visitantes que desejam desfrutar do turismo no estado.

As águas paraenses são sinônimos também dessa devoção Mariana, afinal, em Portugal, a Imagem de Nazaré foi encontrada também nas águas portuguesas, por pescadores, assim como a Imagem Peregrina de Nazaré, que em Belém, foi encontrada às margens do Igarapé Murucutu, pelo caboclo Plácido. 

O colorido das mais de 500 embarcações tomam conta da baia do Guajará, em frente à Belém e um inacreditável mosaico se forma seguindo em direção à orla da Estação das Docas, onde harmonia, solidariedade, adorações, agradecimentos e confraternizações enfeitam e sonorizam o percurso da Romaria Fluvial.

Esta romaria é uma das mais novas do calendário, criada na década de 1990 pelo então presidente da extinta Companhia Paraense de Turismo (Paratur), jornalista Carlos Rocque. Já na orla de Belém, a imagem é recebida com honras de Chefe de Estado. Tem início então outra romaria, a dos motociclistas, que conduz a imagem até o Colégio Gentil Bittencourt, onde pela parte da tarde uma missa dá início à Trasladação.

Trasladação -
Com percurso inverso ao do Círio, a Trasladação possui praticamente os mesmos elementos da grande romaria, sendo que à noite, quando a temperatura é mais amena e também conta com as luzes das velas carregadas pelos fieis até a Catedral Metropolitana. A Trasladação é sonorizada por cantos marianos, seu trajeto marcado por apresentações de corais e de artistas renomados e suas “Estações” dividem aqueles que expressam a fé na procissão daqueles que prestigiam o evento às margens desse iluminado rio de cores e luzes, que fazem da noite de sábado uma noite única na rotina de Belém.

O CÍRIO - Na manhã do segundo domingo de outubro um verdadeiro mar de gente toma conta das ruas de Belém para a passagem da berlinda enfeitada que conduz a Imagem Peregrina. Mães que percorrem a procissão descalço, de joelhos, com filhos no colo vestidos de anjo agradecem uma benção ou clamam milagres para si e seus familiares. Homens carregam tijolos, miniaturas de casas, barcos ou até próteses em gratidão por sonhos realizados ou tratamentos médicos bem sucedidos. Jovens se enroscam banhados de suor e lágrimas em uma corrente humana segura por uma gigantesca corda, que atrelada à Berlinda arrasta ao longo dos caminhos da procissão a esperança de um futuro melhor, um emprego, uma aprovação no vestibular ou simplesmente a certeza de que na fé há sempre uma nova esperança.

O tempo da procissão do Círio nunca é preciso, apesar das tentativas de previsão nesse sentido. Quatro, cinco, seis horas, já forram muitas as durações e tudo depende “da maré de gente” que se envolve na procissão, cujas narrativas de sua jornada de agradecimento e devoção, como dissemos, é sempre uma nova história.

A programação dura ainda mais duas semanas, com a realização das demais romarias e também de diversos eventos ligados à festa, encerrando com um espetáculo com fogos de artifício à noite e na manhã seguinte a realização da última e mais curta romaria, o Recírio.
Como convidados do Governo do Pará, nós jornalistas e também os turistas atraídos ao Pará, sempre somos envolvidos emocionalmente para histórias que começam ou encontram desfecho no Círio. E acredite, quem vai ao Pará para durante o Círio precisa mesmo conhecer o que o estado tem mais para oferecer e desfrutar das maravilhas dessa verdadeira obra prima da Amazônia.
Conheça o Pará - Montamos aqui, com base no Programa de Press Trip da SETUR, um roteiro para que você conheça melhor o Pará: a obra-prima da Amazônia. Comece por Belém, a síntese da Amazônia brasileira, fundada em 1616. A capital paraense simboliza a integração da Amazônia ao território brasileiro e é a cidade que melhor reflete a identidade amazônica em sua paisagem e em sua cultura. Seu conjunto histórico e arquitetônico guarda os registros de outros tempos e é palco de tradições da cultura viva, mas também um centro de produção do conhecimento e de novas formas de expressão cultural e linguagens artísticas.
Theatro da Paz

1ª dia
Ao chegar a Belém, o Pará te convida logo pela manhã, a visitar o Mangal das Garças - parque ecológico onde são reproduzidos os diferentes ambientes da flora amazônica e que integra o Borboletário, o Farol de Belém, o Mirante do Rio e o Museu Amazônico de embarcações típicas.
No almoço, a cidade oferece excelentes e inúmeros restaurantes com destaque para gastronomia paraense que é reconhecida pelo exotismo dos sabores e a sofisticação dos ingredientes típicos da Amazônia.   Já no final da tarde, sugerimos um passeio fluvial pela baía do Guajará e rio Guamá, para ter uma vista panorâmica da cidade de Belém, com as ilhas, e as diferentes embarcações. A cidade possui muitas janelas para o rio, como a Estação das Docas, Complexo Feliz Lusitânia, Mangal das Garças e Portal Amazônia. 

2ª dia
No segundo dia, levante bem cedo, e após tomar café no hotel siga rumo ao Complexo Ver-o-Peso que tem sua origem no período colonial e é considerado um dos mais antigos mercados em funcionamento no Brasil, e o primeiro da Amazônia. Na feira, localizada no Centro Histórico, é possível conhecer e comprar os mais diferentes produtos extraídos da floresta e dos rios amazônicos. Depois você pode percorrer as ruas onde Belém nasceu e por onde se expandiu, para identificar os diferentes momentos que ela vivenciou e que são revelados por espaços como Forte do Presépio



e o Museu do Encontro, Catedral da Sé, Teatro da Paz, Parque da Residência entre outros.
À tarde, visite o Museu Paraense Emílio Goeldi, a mais antiga e mais conceituada
instituição dedicada à pesquisa da Amazônia e de seus povos, onde exposições temporárias apresentam as muitas faces do seu acerco (etnografia, botânica, fauna, entre outros).
Jante no hotel desfrutando da música paraense, para ouvir e dançar alguns dos muitos ritmos criados e reinventados em Belém. Pela manhã, ás 6h30, a viagem pelo Pará segue para a ilha do Marajó, maior arquipélago fluvial e marítimo do mundo, localizado na confluência do oceano Atlântico e a foz do rio Amazonas. Possui um complexo hidrográfico formado por inúmeros canais, furos, igarapés e lagos, onde a variação de maré superior a 3 metros é um elemento determinante de sua paisagem singular. O patrimônio cultural do Marajó remonta aos seus habitantes originais, os marajoaras, considerados como um dos grupos humanos mais antigos da Amazônia com registros que datam do século V, e reconhecidos pela extraordinária produção ceramista.
O percurso cruza as baías do Guajará e do Marajó e dura aproximadamente 3 horas nas embarcações tradicionais da região. 

3ª dia
No terceiro dia no Pará, passeie pelos principais municípios marajoaras, Soure e Salvaterra, conhecendo o centro das cidades, as maravilhas dessa ilha. Em Salvaterra, visite a histórica vila de Joanes, sítio arqueológico do período colonial, e pela Praia Grande, para observar o dia-a-dia da comunidade, com tempo para banho e almoço nos restaurantes da ilha. À tarde, descubra os encantos de Soure, observando o centro da cidade, os casarios antigos que ainda sobrevivem ao tempo. Depois desse maravilhoso passeio, retorne ao hotel no final da tarde. Observe a singularidade do lugar: búfalos caminham tranquilamente pela cidade, servem de meio de transporte e até como montaria para garantir o policiamento dos municípios. Á noite, se delicie nos banquetes marajoaras nos restaurantes da ilha. Não deixe de experimentar os pratos típicos: frito do vaqueiro, filé marajoara, feitos com carne, queijo e outros derivados de búfalo. Peixes e frutos da região também são muito saborosos.

4ª dia
No quarto dia de viagem pelo Pará conheça a comunidade e a praia do Pesqueiro, onde você pode relaxar, tomar banho e almoçar. Reserve a tarde para visitar uma típica fazenda marajoara, todas muito bem localizadas. A São Jerônimo, por exemplo, já foi cenário de reality show, ensaios fotográficos, documentários, reportagens diversas e oferece de tudo um pouco: trilhas na floresta e nos mangues, canoagem pelo rio, cavalgada, passeio de búfalos, com uma paisagem rica em flora e fauna, igarapés, mangues e exóticas praias desertas. Tome uma água de côco gelada oferecida pelos fazendeiros e deleite-se com as águas mornas da praia, com o privilégio de estar à beira do rio, mas na esquina do oceano.

5ª dia
Aproveite seu ultimo dia no Marajó e faça visitas em ateliê de cerâmica e ao Centro de Processamento do Artesanato do Couro de Búfalo. Depois, retorne ao Porto do Camará e embarque de volta para Belém. 

6ª dia
Em seu sexto dia no Pará, pegue um avião em Belém e siga para a região do Tapajós, onde a dica é conhecer o município de Santarém. Sua primeira parada é na bucólica vila de Alter-do-Chão, considerada uma das mais lindas paisagens da Amazônia. No verão amazônico, julho a janeiro, quando chove menos na região, as águas do Tapajós baixam, revelando praias de areias brancas e condições excepcionais para o banho de rio. Na vila é realizada uma das mais antigas e tradicionais festas amazônicas, o Sairé, cuja origem remete ao período colonial e ao sincretismo entre rituais indígenas e o credo católico. Você encontra no local confortáveis hotéis que oferecem estrutura e conforto associados ao clima agradável de quem está à beira do rio, em plena floresta amazônica, mas com toda a tecnologia necessária. Deixe sua tarde livre para descanso, banho de rio ou passeio na praça da vila, onde há lojas que comercializam artesanato produzido por várias comunidades ribeirinhas e tribos indígenas da região. Os municípios de Belterra, guardião da história do ciclo da Borracha e Oriximiná, com diversas etnias indígenas, são fonte dessa produção, que também é oriunda de Santarém. Um exemplo são as cuias pintadas de Aritapera, candidatas à patrimônio cultural do Brasil.
No jantar, sugerimos peixes da região, especialmente o tucunaré, costelas de tambaqui, bolinhos de piracuí, omelete de aviú, dentre outros sabores. Na recepção dos hotéis você encontra bons guias com os melhores restaurantes. 

7ª dia
Na manhã do sétimo dia, atravesse o Lago Verde em catraia (canoa tradicional da região) em direção a Serra da Piraoca. Neste lago os antigos habitantes da região, os índios Borari, retiravam a pedra para a produção do muiraquitã, um amuleto verde em forma de sapo, que hoje é um dos símbolos da cultura amazônica. Caminhe por aproximadamente 1 hora até o topo da serra, de onde é possível ter uma espetacular visão do rio Tapajós. De lá, siga até a Floresta Encantada, onde rio e floresta se misturam de forma incrível. A variedade de espécies nativas é espetacular, crescendo e se desenvolvendo mesmo com as raízes submersas. Aprecie o silêncio do lugar, cortado apenas pela sonoridade do encontro do rio com a floresta, o canto das aves e a brisa suave. Se estiver chovendo, proteja-se, mas não deixe de apreciar esse espetáculo à parte, que também é encantador.
Recomendamos almoçar na praia do Amor, onde turistas do mundo todo apreciam a água esverdeada e fria, o sol brilhante e ainda um delicioso cardápio regado a diversos tipos de peixes.
Ao fim do passeio, retorne à Vila de Alter do Chão e se ainda tiver pique, após o descanso, aprecie a noite, embalada a muitos ritmos e sons paraenses, nos restaurantes, praças e lanches da orla. Os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, personagens do Sairé, inspiram a musicalidade do lugar.

8ª dia
No oitavo e último dia em terras paraenses, o destino agora é Belterra, uma vila operária do começo do século XX construída pela empresa americana Ford, para sediar a experiência do plantio de seringueiras para a produção de látex. O projeto foi desativado logo após a 2ª Guerra, mas a arquitetura e o urbanismo da cidade sobreviveram, hoje reconhecidos pelo (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio nacional. Estenda a viagem até a comunidade de seringueiros do Maguari na Floresta Nacional do Tapajós (Flona) e volte a Santarém para o almoço. Você pode fazer ainda um city tour pela parte histórica da cidade de Santarém, para conhecer o seu casario, praças e lojas de artesanato onde se encontram as cestarias das tribos indígenas da região, as cuias pintadas de Aritapera e outras regiões, além da cerâmica tapajônica e biojóias.
A região do Tapajós guarda importantes unidades de conservação, que garantem a preservação da floresta densa de terra firme e sítios arqueológicos com registros de antigas civilizações que habitaram a região antes da chegada dos portugueses, com destaque para a cultura tapajônica, com sua sofisticada cerâmica. Aprecie também a paisagem da orla da cidade, com centenas de barcos coloridos aguardando os passageiros que passam por Santarém com destino a vários lugares do mundo. Mas, vale alertar: você vai ficar encantado com a região do Tapajós, rica em paisagens. Por falar nisso, é inesquecível ver, em frente à cidade de Santarém, o encontro das águas escuras e barrentas do rio Amazonas com as águas esverdeadas do Tapajós. Espetacular é o fato de que esses rios se encontram, seguem lado a lado por muitos quilômetros mas suas águas nunca se misturam. Esse espetáculo pode ser visto no Mirante do rio Tapajós.
À noite, faça seu deslocamento para o aeroporto de Santarém, em seguida para Belém, de onde você retorna ao seu destino levando inesquecíveis imagens, lembranças de que o Pará, é a obra-prima da Amazônia.

PARQUE DO UTINGA - Ao chegar a Belém, enquanto aguarda seu voo de volta para casa, dedique um tempo especial para conhecer o mais novo atrativo turístico do Pará, o Parque Ambiental do Utinga. Aqui, a natureza amazônica se revela de todas as formas para você e a infraestrutura do lugar vai do requinte ao conforto, oferecendo lazer, esportes de aventura, boa gastronomia e muito mais. Com uma área de 5,378 nil metros quadrados, o Parque Estadual do Utinga é uma unidade de conservação de Proteção Integral brasileira criado em 1993, situada nos municípios de Belém e Ananindeua, no Estado do Pará. Localiza-se na Avebida João Paulo II, S/N, em Belém.
É claro que você pode ir além das regiões turísticas de Belém, Marajó e Tapajós. Mas, é como alertamos, por lá é possível vivenciar muitas histórias e, tenha certeza, a cada nova viagem você vai voltar para seu destino com aquela incontrolável vontade de retornar ao Pará: a obra-prima da Amazônia. Então, deixe sempre as malas prontas e faça uma boa viagem!


* Viajamos a Belém à convite do Governo do Pará e nossa matéria foi produzida com apoio da Setur.
Reportagem: Cleiton Palmeira
Edição: Benigna Soares (Abrajet Pará)
Fotos: Jornal Passaporte Pará, Agência Pará, Diretoria do Círio 

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