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O encantamento das viagens para Alter do Chão

Na imagem, cedida pelo Blog do Padre Sidney Canto, a Lancha Belterra com muitos casais a bordo, em Alter do Chão.
O encantamento das viagens para Alter do Chão

Até 1948, o deslocamento dos belterrenses à Vila de Alter do Chão se apresentava como inevitável, para dar solução as demandas indispensáveis à vida em sociedade e somente satisfeitas em cartório, como os registros aos casamentos, nascimentos e óbitos.

Além disso, a antiga “aldeia dos boraris” localizada bem mais perto de Belterra que Santarém, nessa época se apresentava ainda bem mais próximo, considerando ser as embarcações o principal meio de transporte à locomoção para quem desejasse deixar o seringal da “Companhia” e vice-versa.

Para a administração de Belterra, o período entre 1945 e 1948 se mostrava muito atípico, pelo fato do expressivo número de pessoas interessadas em unir-se pelo matrimônio na comunidade. Ocorrência que leva a direção da Plantações Ford (Manoel Garcia de Paiva), a reconhecer que não poderia ignorá-la.

Além de reconhecer tratar-se de uma incidência natural, decorrente da grande migração de gente jovem e solteira, vinda das mais diversas plagas do país, atraída pelas oportunidades de trabalho oferecidas pela Companhia Ford. O então diretor da Plantações Ford ainda se propôs a dar o suporte necessário aos nubentes, autorizando a embarcação para transportá-los.

Assim, organizados em grupos, periodicamente, a sofisticada lancha Belterra (herdada da Companhia Ford) era disponibilizada para a viagem dos sonhos desses casais. Os quais, invariavelmente se fazendo acompanhar por familiares e testemunhas, após o “sim” transformavam a estada em Alter do Chão num dia muito festivo.

PS: Mas, após a elevação de Belterra à categoria de distrito (Lei nº 62, de 31.12.1947, sancionada pelo governador Moura Carvalho), esse fluxo de pessoas para Alter do Chão praticamente cessou; pois, ainda no curso de 1948, por força do ato governamental, a Vila passou a dispor do Cartório Civil, assim como da Agência dos Correios; do comissariado de Polícia Civil e das suas primeiras seções eleitorais (sendo três no Grupo Henry Ford e uma em Aramanaí).


∴ É Jornalista (Fontes: Arquivo Pessoal e ICBS).

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