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Projeto valoriza e dá destaque ao artesanato de Icoaraci

Projeto valoriza e dá destaque ao artesanato de Icoaraci
Quando o assunto é encontrar o maior acervo e fabricação de peças em cerâmica, em Belém, o primeiro local que vem à mente é o distrito de Icoaraci. Considerado um dos principais pontos turísticos da capital paraense, o distrito reúne artesãos de variados tipo de peças de barro, que vão desde vasos, panelas, artigos de decoração até jóias.
Imaginar que da matéria-prima "bruta", que é o barro, podem surgir inúmeros modelos de ecojoias, foi o que deu incentivo à artesã Val Ganu e à designer de interiores, Milene Guedes, para criar o projeto "Lamugem, memórias vividas na palma da mão", que iniciou no último sábado, 14, e segue até o dia 26 de agosto, na Olaria do Espanhol, em Icoaraci.

Mas, por que um evento como este dentro de uma olaria? Val conta que foi justamente este o local que a inspirou para criar as peças de ecojoias. "Há muito tempo eu trabalho com a criação de jóias, mas, há exatamente um ano eu me redescobri aqui, nesse lugar, que trouxe um novo sentido para aquilo que faço [artesanato]. É esse cuidado de todo o processo com o barro que deu sentido ao nosso projeto", enfatiza.

O chamado “barro limpo” ou ainda “lama limpa”, oriunda da limpeza do excesso de barro nas mãos dos oleiros que trabalham com cerâmica, é o que se chama de lamugem. O material, carregado de significados, deu origem ao projeto que pretende produzir, expor e difundir as memórias e vivências do cotidiano da cultura ceramista de Icoaraci.

O projeto, contemplado pelo programa SEIVA – Edital de Produção e Difusão da Fundação Cultural do Pará, vai contar com a Olaria como sede para as rodas de conversa, oficinas e exposição que serão realizadas ao longo dos meses de julho e agosto.

“Pretendemos estimular a participação e reflexão desse público em conservar e preservar hábitos, costumes e tradições da cultura ceramista de Icoaraci. As rodas de conversas e oficinas são ferramentas de interação com o público alvo do entorno da Olaria do Espanhol, e difusão das vivências e dos saberes desta cultura ceramista, que pretende estimular a participação e reflexão desse público em conservar e preservar hábitos, costumes e tradições da cultura ceramista de Icoaraci”, explica Milene Guedes.

É justamente esta troca de energia e saberes que se unem ao trabalho cotidiano do artesão João Carlos Delgado, o Bardal, que dos seus 53 anos, 20 são dedicados à criação de peças na olaria. "Meu primeiro contato com o barro foi no meio do mato, com oito anos de idade, nem imaginava que ali seria o ponta-pé pro que hoje é meu ganha-pão", contou ele, que faz cerca de 150 peças diariamente. "Saber que ajudo a valorizar a cultura da nossa região por meio do meu trabalho é uma satisfação muito grande".

Vivência na Olaria do Espanhol

A Olaria do Espanhol foi escolhida como sede do Lamugem, por se tratar de um espaço simbólico, um empreendimento familiar que teve início com a chegada de Antônio Croelhas e João Croelhas, vindos da Espanha para Belém, em 1903. Os dois são respectivamente, bisavô e avô de Ciro Croelhas, 53 anos, que hoje administra a olaria.

“Eles deram início à Olaria do Espanhol, trazendo na bagagem muitos conhecimentos e técnicas europeias, tais como o torno de bancada e o forno caieira, conhecimentos estes que contribuíram para a melhoria dos processos de produção existentes em Icoaraci”, conta Ciro, que ministrará a oficina “Vivência e os processos da produção ceramista”, no dia 11 de agosto.

Ciro certamente vai compartilhar, além de muito conhecimento, a bela história que ainda segue viva por meio da sua dedicação ao espaço, que ele se orgulha em dizer que não abre mão. Já vi muita coisa acontecer nesse ‘ramo’ da olaria. Aqui mesmo, nessa rua, gente abriu e fechou negócio, e eu sigo amando muito o que faço desde a minha juventude. Agora mesmo, depois que a Prefeitura de Belém melhorou o acesso das ruas [serviços de asfaltamento], fiquei em uma área privilegiada, que dá pro meu cliente chegar a qualquer momento”, contou ele.

Serviço: A exposição segue até o dia 26 de agosto, na Rua Sta. Isabel n° 2010 (entre Andradas e Soledade), Bairro: Paracuri – Icoaraci.

Por Karla Pereira
Fonte:Ag.Belém

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